Ginecologia/Mulher - Leia: Ciproterona + etinilestradiol
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Ginecologia/Mulher

Leia: Ciproterona + etinilestradiol

08/05/2007

 

Carla Beatrice Crivellaro Gonçalves

Mecanismo de ação

Os efeitos androgênicos do acetato de ciproterona decorrem da inibição competitiva dos receptores androgênicos no citosol, com bloqueio da translocação do complexo andrógeno-receptor para o núcleo. Também possui atividade progestacional, resultante da supressão de secreção e produção de gonadotrofinas hipofisárias. Determina significante redução no nível plasmático de testosterona, hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo estimulante (FSH), e as concentrações intracelulares de diidrotestosterona livre ou ligada são reduzidas.

A combinação de contraceptivos estrogênicos e progestogênicos inibe a ovulação por feedback negativo em nível hipotalâmico, alterando a secreção normal das gonadotrofinas hormônio folículo estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH) pela hipófise anterior. Adicionalmente ocorrem alterações no trato genital, incluindo alterações do muco cervical, o que desfavorece a penetração dos espermatozóides, mesmo se a ovulação ocorrer. Alterações endometriais produzem ambiente desfavorável à nidação. Pode ocorrer também alteração no transporte tubário do ovo fertilizado.

Indicações

Tratamento de manifestações androgênicas na mulher: acne acentuada, seborréia, acne papulopustulosa, acne nodular, alopecia androgênica, casos leves de hirsutismo. Contracepção hormonal oral, quando é desejado menor efeito androgênico. Tratamento de endometriose. Tratamento de hipersexualidade ou desvios de comportamento sexual em homens. Outros usos: hidradenite supurativa. Terapia de ovário policístico.

Contra-indicações

Hipersensibilidade aos fármacos associados. Outra doença maligna que não câncer de próstata. História de desordens tromboembólicas. Doença hepática aguda. Gravidez, lactação, distúrbios graves da função hepática; icterícia ou prurido importante durante gestação anterior; síndromes de Dubin-Johnson e de Rotor; tumores hepáticos atuais ou anteriores. Diabetes melito grave com alterações vasculares, anemia falciforme, tumores hormônio-dependentes do útero ou da mama ou suspeita dos mesmos. Distúrbios do metabolismo lipídico. Antecedentes de exacerbação de otosclerose durante a gravidez. Antecedentes de herpes gravídico. Sangramento genital anormal de causa indeterminada.

Precauções

Doença hepática crônica; insuficiência renal; pacientes com história de insuficiência cardíaca congestiva, angina ou infarto do miocárdio prévio, acidente vascular cerebral, arritmias, defeitos de condução ou hipertensão; depressão; crianças e adolescentes; diabetes melito; anemia falciforme; pode causar retardo na maturação óssea e no desenvolvimento testicular; pode ocorrer supressão adrenocortical; no início do tratamento pode ocorrer sedação, portanto deve haver cautela ao realizar atividades que requeiram atenção; quando ciproterona é associada a etinilestradiol, devem ser observadas as mesmas precauções que para contraceptivos orais; a administração de ciproterona a mulheres grávidas pode levar à feminilização de fetos masculinos, alguns casos de malformações foram detectados, e o aborto foi induzido, embora haja relato de bebês masculinos sem presença de malformações. Durante a terapia deve haver controle de função hepática e hematológica. Antes de iniciar o tratamento deve ser realizado exame clínico (que inclua, entre outros, medida de pressão arterial, pesquisa de glicosúria e se necessário perfil hepático), além de minucioso exame ginecológico (incluindo mamas e citologia cervical oncológica). A possibilidade de gestação deve ser excluída. Em tratamento prolongado recomenda-se controle médico semestral. Segundo os conhecimentos atuais, não se pode excluir a possibilidade de que a tomada de contraceptivos hormonais esteja associada a aumento de risco de doenças tromboembólicas venosa e arterial. Diminui a produção de leite, por isso não sendo recomendado durante a amamentação. Categoria de risco gestacional X (FDA).

Reações adversas

> 10%:

Aumento de volume das mamas (20%).

De 1% a 10%:

Em tratamento prolongado de acne e hirsutismo em mulheres, o acetato de ciproterona associado a estrógeno tem apresentado as reações adversas abaixo em 10% dos casos:

Flebite (3%), embolia pulmonar (3%), veias varicosas (3,2%), ginecomastia (5%), , dor nos seios e flacidez (10%), edema, desvios mentais, desordens gastrintestinais (pouco freqüentes), náusea, ganho ou perda de peso (13%), hepatite necrotizante, depressão (rara), sonolência, vertigem, cansaço, cefaléia, fraqueza muscular, angioedema, sintomas de virilização, sangramentos intermediários, alterações da libido, cloasma. Em casos isolados, diminuição da tolerância ao uso de lentes de contato.

< 1%:

Galactorréia (0,3%)

Interações medicamentosas

Diminuição de efeitos: álcool, barbitúricos, carbamazepina, fenitoína, rifampicina, penicilinas, tetraciclinas, griseofulvina.

Aumenta efeitos de paracetamol, anticoagulantes orais, benzodiazepínicos, cafeína, corticostreróides, metoprolol, antidepressivos tricíclicos.

Farmacocinética

Etinilestradiol é rapidamente absorvido a partir do trato gastrintestinal. O pico plasmático ocorre cerca de 30 a 120 minutos após a administração oral. A ligação às proteínas plasmáticas varia de 97% a 98%, especialmente à albumina. Sofre extenso metabolismo hepático de primeira passagem, com biodisponibilidade variando entre 40% a 45% da dose. O principal metabólito é 2-hidróxi-etinilestradiol. Também origina numerosos metabólitos hidroxilados e metoxilados, encontrados na forma livre ou como sulfatos e glicuronídeos conjugados. A meia-vida de eliminação varia de 13 a 27 horas, sendo excretado por urina e fezes.

A absorção digestiva de acetato de ciproterona é pequena. O pico plasmático após administração oral de 50 mg é de 285 nanogramas/mL, ocorrendo em 3 a 4 horas. Para dose de 100 mg, o pico plasmático é atingido em 5 a 10 horas, e o nível plasmático é de 100 a 150 nanogramas/mL. O acetato de ciproterona acumula-se no tecido adiposo, daí se liberando por período de 2 semanas após a suspensão da terapia. Apresenta taxa de ligação às proteínas plasmáticas de 96%. O metabolismo é hepático. Seu principal metabólito é o 15 beta – hidroxiciproterona que possui atividade antiandrogênica. A excreção se faz pela urina, cerca de 35%. Não há dados quando à excreção no leite materno. Aproximadamente 90% de uma dose oral foram detectados nas fezes em 8 dias. Resíduos de metabólitos sofrem excreção biliar. O tempo de meia vida de eliminação é de 38 horas

Prescrição / Cuidados de administração

Via oral

Endometriose

27 mg acetato de ciproterona + 35 microgramas de etinilestradiol, administrados diariamente por 6 meses.

Acne

2 mg acetato de ciproterona + 50 microgramas de etinilestradiol, administrados diariamente por 21 dias do ciclo menstrual.

Hirsutismo

100 mg de acetato de ciproterona ao dia, nos dias 5 a 14 do ciclo menstrual + 30 microgramas de etinilestradiol ao dia, nos dias 5 a 25 do ciclo menstrual.

Ou: 2 mg acetato de ciproterona + 50 microgramas de etinilestradiol, administrados diariamente por 21 dias do ciclo menstrual.

Contraceptivo oral

A partir do 1º dia da menstruação, uma drágea diária durante 21 dias. A seguir intercalam-se 7 dias de pausa, durante os quais ocorrerá sangramento semelhante ao menstrual. Após a pausa, inicia-se novo ciclo de tratamento.

Hipersexualidade
Em homens:

50 mg, duas vezes ao dia.

Em mulheres:

25-50 mg de ciproterona, do dia 5 ao dia 15 do ciclo menstrual, com adição de 50 microgramas de etinilestradiol ao dia, do dia 5 ao dia 25 do ciclo menstrual.

Via cutânea

A aplicação tópica de loções a 10% pode ser usada para redução da secreção sebácea.

Formas farmacêuticas

Disponível no Brasil

Acetato de ciproterona + etinilestradiol:

Drágea: 2 mg + 35 microgramas

Disponível no exterior

Acetato de ciproterona + etinilestradiol:

Comprimido: 2 mg de acetato de ciproterona + 35 microgramas de etinilestradiol.

Aspectos farmacêuticos

Acetato de ciproterona apresenta-se como pó cristalino, branco ou quase branco. Praticamente insolúvel em água, muito solúvel em cloreto de metileno, facilmente solúvel em acetona, solúvel em metanol e pouco solúvel em etanol. Conservar em recipientes hermeticamente fechados e protegidos da luz.

Etinilestradiol apresenta-se na forma de pó cristalino, branco ou amarelo esbranquiçado, inodoro. Peso molecular é de 296,4. É praticamente insolúvel em água, livremente solúvel em álcool, clorofórmio, éter, óleos vegetais. Solúvel em soluções de hidróxidos alcalinos. Deve ser armazenado protegido da luz em recipiente hermeticamente fechado e não metálico.

http://www.usoracional.com.br/index_arquivos/reprodutor.html#_Toc24799719

 

 

 

 

 

 

 

IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.

 


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