Psiquiatria e Psicologia - O cérebro e o controle das emoções
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Psiquiatria e Psicologia

O cérebro e o controle das emoções

17/06/2003

O papel do sistema límbico

As pesquisas têm apontado o sistema límbico como o principal substrato das emoções. Ele é composto por um anel de estruturas corticais situadas nas faces medial, inferior e temporal do cérebro, envolvendo as estruturas do diencéfalo, do tronco encefálico e do lobo temporal.

Papez em 1937 propôs, a partir de experimentos por ele realizado, um circuito que compreende o giro do cíngulo, córtex entorrinal, hipocampo, corpo mamilar, tálamo anteroventral e giro do cíngulo. Este deveria desempenhar um papel crítico na elaboração das emoções, e não estava relacionado à olfação. Em 1949 Paul Maclean incorporou o hipotálamo ao sistema límbico, que atualmente é descrito como a área central de um conjunto de estruturas que vão do telencéfalo o mesencéfalo e atuam no controle das emoções, processos motivacionais, memória, aprendizagem, regulação do Sistema Nervoso Autônomo e interação neuroendócrina. A descrição funcional do sistema límbico passou então a ganhar espaço frente à anatômica.

Graças a Rudolph Nieuwenhuys em 1985 passou-se a dar mais ênfase a aspectos neuroquímicos, onde há, um conjunto de estruturas com altas concentrações de neuropeptídeos e, um sistema adjunto que contém noradrenalina, serotonina e dopamina. Acredita-se que as monoaminas exerçam regulação sobre o funcionamento emocional, já que suas fibras inervam quase todas as estruturas límbicas.

2.2) Emoções e motivações

A síndrome de Kluver Bucy é provocada pela ablação dos pólos temporais e tem na amígdala sua estrutura crítica, leva a um quadro de hipersexualidade e inadequação somado a diminuição da agressividade. Acredita-se que os distúrbios comportamentais dela decorrentes se dêem por que os animais não são mais capazes de fazer uma associação entre os estímulos do ambiente e as respostas a eles adequadas. Macacos amidalectomizados quando retornam a seu grupo social perdem sua posição hierárquica e são desprezados pelos seus companheiros justamente por estarem impossibilitados de processar estímulos e responderem de maneira adequada.

O giro do cíngulo quando estimulado provoca sensações de familiaridade, "déjà vu".

Há evidências de que a amígdala é estimulada em momentos de ansiedade, e teria ela a função de conferir uma conotação afetiva à percepção da ameaça. O resultado desse processamento seria transmitido ao hipotálamo medial e matéria cinzenta periaquedutal, que seria responsável pelas manifestações comportamentais, neurovegetativas e hormonais do medo que constituem a reação de defesa.

Cannon descobriu que, quando um animal se defrontava com uma situação que evocava dor, raiva ou medo, respondia por um conjunto de reações fisiológicas que o preparava para enfrentar o perigo pela "luta" ou "fuga".

A raiva e a placidez estão diretamente ligadas a núcleos no SNC. Em relação à raiva, temos o núcleo amigdalóide e o dorso-medial, enquanto, em relação à placidez, temos o ventro-medial e o septal. Esses núcleos interagem um inibindo o outro da seguinte maneira: o amigdalóide inibe ventro-medial, que inibe o dorso medial que inibe o septal.

Em alguns tipos de loucura, a lobotomia temporal era feita de modo que o circuito descrito anteriormente era desequilibrado, onde o núcleo amigdalóide era retirado e o septal passava atuar, deixando o indivíduo plácido. O caso é exemplificado no filme "O estranho no ninho", que denuncia a burocracia médico-administrativa.

REFERÊNCIAS

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·         CALIL, M.H., 1983. A bioquímica da loucura. Ciência Hoje, 1 (6): 23-29.

·         FUNKESTEIN, 1969. A fisiologia do medo e da raiva. In Scientific American, Psicobiologia. São Paulo, Polígono.

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·         GANONG, 1974. Bases neurofisiológicas do comportamento instintivo e das emoções. In, Ibid (ed.), Fisiologia Médica. São Paulo, Atheneu.

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·         GRAEFF F. et al, 1993. Serotonina: a molécula da ansiedade e da depressão. Ciência Hoje, 16 (94): 50 - 58.

·         GOLEMAN, D, 1995. O preço do analfabetismo emocional. In idem, Inteligência Emocional. Rio de Janeiro, Objetiva.

·         COSENZA, R.M., 1990. Fundamentos da neuroanatomia. Rio de Janeiro, Atheneu.

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·         GANONG, W, 1972, Bases neurofisiológicas do comportamento instintivo e das emoções.

·         KAPLAN E SADOCK, 1994. Compêndio de psiquiatria. Porto Alegre, Artes Médicas.

·         MEZER, R. R., 1977. Psiquiatria dinâmica. Porto Alegre, Editora Globo.


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