O papel do sistema límbico
As pesquisas têm apontado o sistema límbico como o principal substrato das emoções. Ele é composto por um anel de estruturas corticais situadas nas faces medial, inferior e temporal do cérebro, envolvendo as estruturas do diencéfalo, do tronco encefálico e do lobo temporal.
Papez em 1937 propôs, a partir de experimentos por ele realizado, um circuito que compreende o giro do cíngulo, córtex entorrinal, hipocampo, corpo mamilar, tálamo anteroventral e giro do cíngulo. Este deveria desempenhar um papel crítico na elaboração das emoções, e não estava relacionado à olfação. Em 1949 Paul Maclean incorporou o hipotálamo ao sistema límbico, que atualmente é descrito como a área central de um conjunto de estruturas que vão do telencéfalo o mesencéfalo e atuam no controle das emoções, processos motivacionais, memória, aprendizagem, regulação do Sistema Nervoso Autônomo e interação neuroendócrina. A descrição funcional do sistema límbico passou então a ganhar espaço frente à anatômica.
Graças a Rudolph Nieuwenhuys em 1985 passou-se a dar mais ênfase a aspectos neuroquímicos, onde há, um conjunto de estruturas com altas concentrações de neuropeptídeos e, um sistema adjunto que contém noradrenalina, serotonina e dopamina. Acredita-se que as monoaminas exerçam regulação sobre o funcionamento emocional, já que suas fibras inervam quase todas as estruturas límbicas.
2.2) Emoções e motivações
A síndrome de Kluver Bucy é provocada pela ablação dos pólos temporais e tem na amígdala sua estrutura crítica, leva a um quadro de hipersexualidade e inadequação somado a diminuição da agressividade. Acredita-se que os distúrbios comportamentais dela decorrentes se dêem por que os animais não são mais capazes de fazer uma associação entre os estímulos do ambiente e as respostas a eles adequadas. Macacos amidalectomizados quando retornam a seu grupo social perdem sua posição hierárquica e são desprezados pelos seus companheiros justamente por estarem impossibilitados de processar estímulos e responderem de maneira adequada.
O giro do cíngulo quando estimulado provoca sensações de familiaridade, "déjà vu".
Há evidências de que a amígdala é estimulada em momentos de ansiedade, e teria ela a função de conferir uma conotação afetiva à percepção da ameaça. O resultado desse processamento seria transmitido ao hipotálamo medial e matéria cinzenta periaquedutal, que seria responsável pelas manifestações comportamentais, neurovegetativas e hormonais do medo que constituem a reação de defesa.
Cannon descobriu que, quando um animal se defrontava com uma situação que evocava dor, raiva ou medo, respondia por um conjunto de reações fisiológicas que o preparava para enfrentar o perigo pela "luta" ou "fuga".
A raiva e a placidez estão diretamente ligadas a núcleos no SNC. Em relação à raiva, temos o núcleo amigdalóide e o dorso-medial, enquanto, em relação à placidez, temos o ventro-medial e o septal. Esses núcleos interagem um inibindo o outro da seguinte maneira: o amigdalóide inibe ventro-medial, que inibe o dorso medial que inibe o septal.
Em alguns tipos de loucura, a lobotomia temporal era feita de modo que o circuito descrito anteriormente era desequilibrado, onde o núcleo amigdalóide era retirado e o septal passava atuar, deixando o indivíduo plácido. O caso é exemplificado no filme "O estranho no ninho", que denuncia a burocracia médico-administrativa.
REFERÊNCIAS
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