Mudanças nas vasos sangüíneos já são presentes em adolescentes que têm alto nível de leptina, um hormônio associado com a obesidade, reportaram os pesquisadores na edição de 24 de setembro do Circulation.
Em outros adolescentes saudáveis, os níveis elevados de leptina foram associados com a perda de elasticidade das paredes da artéria, um sinal inicial de doença cardiovascular. As descobertas esclarecem o papel da leptina no desenvolvimento de uma doença vascular precoce e sugere uma associação fisiológica entre doença vascular e obesidade, diz o pesquisador Atul Singhal, M.D, diretor de nutrição da MRC Childhood Nutrition Research Center em Londres.
A leptina é produzida pelas células gordurosas e regula o apetite e o metabolismo. Ela pode prejudicar os vasos sangüíneos e as pessoas obesas podem ter níveis elevados de leptina. O endurecimento da artéria de uma pessoa tem um efeito direto na carga de trabalho do coração. Em pessoas saudáveis, as paredes das artérias se expandem e se contraem a medida que o sangue é bombeado através delas. Como as artérias perdem sua elasticidade (distensibilidade), elas se tornam endurecidas e não se dilatam. Isso reduz o fluxo sangüíneo e aumenta o esforço cardíaco.
A distensibilidade arterial é conhecida por ter correlação próxima com o risco aterosclerótico, inclusive na adolescência. No entanto, poucos estudos examinaram a distensibilidade, níveis de leptina e massa gordurosa em crianças.
Os pesquisadores estudaram 294 adolescentes saudáveis, entre 13 e 16 anos, com variados índices de massa corporal. Os pesquisadores realizaram testes de ultrasom para examinar suas artérias, mediram a pressão sangüínea, colesterol, glicose, leptina e marcador de inflamação proteína C-reativa (CRP). A média do nível de leptina foi de 2.8 micromoles por litro (umol/L) para os meninos e 10.2 umo/L para as meninas. Os pesquisadores notaram uma forte relação inversa entre dilatação arterial e concentrações de leptina. Um aumento de 10% na concentração de leptina estava associado com 1.3% da diminuição na dilatação arterial.
Os resultados são consistentes com estudos de animais mostrando que as concentrações de leptina são um fator importante na relação entre gordura corporal e doença cardiovascular.
O estudo não mostra uma ligação causal entre níveis de leptina e a saúde cardiovascular, mas uma associação, diz o pesquisador. Estabelecer uma relação causal poderia requerer uma intervenção experimental, como a redução de leptina, que poderia ser difícil de se realizar em humanos. No mais, um estudo intervencionista não seria apropriado para examinar o efeito da elevação de longo prazo da leptina e da função cardiovascular, diz Singhal.
"Nosso estudo sugere um caminho no qual a obesidade diminui a elasticidade dos vasos sangüíneos e, portanto, aumenta o risco de doença cardíaca," diz ele. "Prevenindo, até mesmo, a obesidade moderada na infância pode ser um benefício de longo prazo para o risco de doenças cardíacas."
Fonte: Circulation, 24/09/02