Obesidade:Adulto/Infantil/Bariátrica - Identificada a proteína que supera a resistência à leptina
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Obesidade:Adulto/Infantil/Bariátrica

Identificada a proteína que supera a resistência à leptina

17/06/2003

A identificação de uma proteína que permite ao corpo superar a resistência ao hormônio leptina, poderia ajudar cientistas a darem o primeiro passo para a criação de uma terapia à base de medicamentos que possa prevenir e tratar a obesidade. As descobertas, feitas por pesquisadores no Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC), são relatadas na edição de abril do periódico Developmental Cell.

Quase todos os indivíduos obesos são resistentes à leptina, o hormônio que sinaliza ao cérebro que o nosso apetite está saciado e que podemos parar de comer. Por essa razão a Dra. Barbara Kahn, co-autora do estudo na BIDMC, explica que os esforços efetuados há vários anos para a utilização da leptina em forma de medicamento no tratamento da obesidade foram fracassados. "A maioria das pessoas obesas têm altos níveis de leptina", explica Kahn, professora de medicina na Harvard Medical School. "Porém, elas são incapazes de utilizar a leptina".

Nessa pesquisa, a Dra. Kahn, juntamente com o co-autor do estudo, o Dr. Benjamim Neel - diretor do Programa de Biologia do Câncer na BIDMC - começaram a estudar a PTP1B (proteína fosfotase tirosina 1B) para determinar seu papel na regulação da sinalização do receptor da insulina. "Achamos que na ausência da proteína PTP1B, haveria uma maior sensibilidade da insulina e uma proteção contra a diabetes tipo 2", acrescenta Khan.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores criaram um grupo de camundongos que eram deficientes na proteína PTP1B. Como esperado, esses camundongos desenvolveram hipersensibilidade à insulina sob condições ambientes, assim como quando foram dados a eles um teste de glicose. "A PTB1B estava, na verdade, aumentando a sensibilidade à insulina. Isso não era previsto, embora os camundongos estivessem surpreendentemente magros", explica Neel.

Quando alimentados com uma dieta com muita gordura, os camundongos sem PTB1B, de fato, ganharam menos peso e mostraram uma diminuição da gordura corporal quando comparados ao grupo de camundongos de controle. "Eles se tornaram resistentes à dieta com muita gordura que é equivalente ao que os americanos consomem rotineiramente", acrescenta Neel.

Novos testes revelaram que os camundongos sem PTB1B exibiram um maior gasto de energia, "comparável a atletas altamente treinados", de acordo com Neel, que acrescenta que os autores do estudo começaram a considerar que a PTP1B regulava a via de sinalização da leptina, atingindo provavelmente a molécula da proteína Jak2.

Essa descoberta, pela primeira vez, oferece aos cientistas uma aproximação molecular para superar a resistência, e fornece um alvo para o desenvolvimento de medicamentos para tratar a obesidade e a diabetes. "Como quase todas as formas de obesidade são resistentes à leptina, um medicamento que atuasse no receptor da leptina poderia resultar em uma perda de peso significativa", diz Neel. "Adicionalmente, se a PTP1B atuasse na diminuição da resistência à insulina, ela poderia , em princípio, também proporcionar uma abordagem muito eficaz no tratamento da diabetes".

Fonte:Developmental Cell, 18/04/02

 


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