Antienvelhecimento/Longevidade - Saúde bucal não tem idade: situação da pessoa idosa
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Antienvelhecimento/Longevidade

Saúde bucal não tem idade: situação da pessoa idosa

14/07/2007

 

Visando planejar estratégias voltadas à obtenção de melhorias da saúde bucal da pessoa idosa no Estado do Paraná elaborou-se um levantamento epidemiológico.

Participaram deste estudo 62 asilos conveniados com a Secretaria da Criança e Assuntos da Família. Foram mobilizados neste trabalho 137 profissionais entre Cirurgiões-Dentistas, Técnicos em Higiene Dental e Auxiliares de Cirurgiões-Dentista, funcionários de 57 Prefeituras do Estado do Paraná, que foram os pesquisadores que examinaram os idosos, preencheram com medidas de higienização bucal nos asilos.

Foram examinados neste estudo 1.735 idosos, com idade média de 67,2 anos, sendo 64% do sexo masculino e 36% do sexo feminino.

Verificamos que 43% dos idosos examinados apresentam, pelo menos, 3 dentes naturais. Apesar de que, destes 5.400 elementos dentários, precisariam ser extraídos de forma imediata, por se apresentarem em péssimas condições, com estado de raiz ou doença periodental muito avançada. Muitas Prefeituras se sensibilizaram com este problema e já estão fazendo estas ações de saúde necessárias nos Postos de Saúde, inclusive oferecendo transporte para ida e volta dos idosos.

Avaliando a higiene destes elementos dentários verificamos que 68% mantém uma higiene ruim, 25% regular e 7% boa. Um dos problemas relacionados à falha na higienização é o fato do sangramento assustar o idoso e o cuidador da pessoa idosa no momento da escovação. A presença de placa bacteriana e cálculo agride a  gengiva, causando inflamação. Esta gengiva inflamada sangra facilmente ao toque. O sangramento inibe o cuidador prosseguir na escovação, tornando um círculo vicioso e aumentando gradativamente o problema. É necessário desmistificar este fato e mostrar que, justamente pelo fato de ocorrer o sangramento, é necessário prosseguir na escovação indicada. Este fato foi bastante trabalhado pelos dentistas quando estiveram nos asilos.

Com relação à higiene das próteses, o quadro se repete. Apresentavam higiene ruim de prótese 68%, 25% regular e 7% boa. A implicação mais freqüente da má higiene da prótese é o aparecimento da candidose (candidíase). Foi mais fácil trabalhar com motivação de higiene da prótese do que com os dentes. Este é um ato fácil de ser implementado e de baixo custo.

A porcentagem, de pacientes edêntulos (sem nenhum dente) detectada nos 1.735 idosos examinados é de 47%. Percebe-se que, apesar dos avanços obtidos com relação à saúde bucal das crianças, os idosos continuam sem receber nenhum benefício, apesar dos grandes avanços tecnológicos da Odontologia. Infelizmente, percebemos que a modernização da odontologia ainda está muito distante da realidade de indivíduos carentes. O dado que mais chamou a atenção é que, destes 47% de idosos edêntulos, 49% não tem nenhuma prótese! Este é um dado muito significativo, pois é um forte indicador da situação social do país. A falta de prótese em paciente sem nenhum dente trás problemas de dignidade, pois o idoso fica alienado da sociedade. A impossibilidade de expressar-se através da fala ou de comer e mastigar adequadamente é um motivo de tristeza e insatisfação para muitos dos idosos, que se queixaram deste fato.

Com relação à lesões de boca, constatamos que 18% dos 1.735 idosos examinados apresentaram algum tipo de lesão bucal. Devido à importância e freqüência com que estas lesões aparecem, decidimos analisar detalhadamente as doenças bucais que mais aparecem em idosos.

A candidíase (candidose) apareceu em 3% dos idosos, especialmente nos portadores de próteses mal higienizadas. A hiperplasia fibrosa irritativa foi detectada em 4% dos examinados.

O que mais surpreende é o alto número de idosos com língua saburrosa, aparecendo em 27%.

A afta apareceu em 2% dos idosos. Por ser uma doença auto-limitante, que mantém seu próprio ciclo no máximo de 10 dias, não é tão preocupante. Mas, por outro lado, trás bastante dor e desconforto ao idoso no momento em que ela se apresenta.

Com relação a outras lesões, apesar de aparecerem em 3% dos idosos, algumas são de suma importância, por envolverem questões de vida ou morte.

A hipótese diagnóstica de câncer bucal foi realizada em 2 idosos fumantes e que fizeram uso de álcool com freqüência ao longo de suas vidas. Estes casos foram encaminhados para tratamento em Hospital de Câncer.

Um caso de suspeita de leishmaniose foi também detectado.

Com relação aos trabalhos efetuados nos asilos, percebemos que a classe odontológica foi despertada para uma nova realidade que era totalmente desconhecida antes. Surpreendeu-nos muito o interesse dos profissionais em tentar resolver os problemas dos idosos, não apenas os problemas relacionados à boca, mas a falta de carinho e afeto, principalmente. Um Dentista comentou: “Para a sociedade, parece que estas pessoas são invisíveis, pois a sociedade não as enxerga, mas elas estão lá”.

O que foi muito interessante, é que, a partir do momento que estes Dentistas começaram a entrar nos asilos e conhecer a triste realidade, eles mesmos estão buscando soluções junto às suas Prefeituras para começar a resolver os problemas.

Este projeto despertou novas emoções, tanto nos profissionais quanto nos idosos que participaram deste trabalho de convidar os idosos asilados para suas casas, para participar de festividades sociais como Natal, Páscoa, aniversários, etc., criando um vínculo não profissional-paciente, mas sim de amizade.

O que chocou os Dentistas, Técnicos de Higiene Dental e Auxiliares que participaram do trabalho em Asilos, foi o fato de que, ao entrarem nos Pavilhões dos Asilos, os idosos apresentavam um olhar distante e vazio. Estes profissionais sentiram-se muito comovidos com a situação. Eles perceberam que o fato de pessoas diferentes entrarem neste local, trouxe uma movimentação junto, com um certo ânimo aos internos, que se queixavam de terem sido abandonados pelas famílias e sociedade. E, na verdade, muitos profissionais se sentiram preocupados, pois pensaram que eles próprios poderão estar na mesma situação destes idosos no futuro, quando envelhecerem. Outro fato que ficou claro é que este é o início de um grande trabalho. Esta pesquisa teve o impacto de sensibilizar as pessoas para esta realidade, pois agora que os problemas foram levantados, percebemos que o momento é próprio para o início de um grande projeto neste sentido.

Ao que tudo indica, estas atividades estão despertando os idosos, a classe odontológica e a sociedade em geral para a qualidade de vida da pessoa idosa. Por esta razão, estas ações desenvolvidas estão estimulando e motivando profissionais a criar novos projetos nesta área.

 

 

 

 

http://www.saude.pr.gov.br

 

 

 

 

 

IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.

 


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