Infecto-contagiosas/Epidemias - Doença de Chagas Aguda por transmissão oral
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Infecto-contagiosas/Epidemias

Doença de Chagas Aguda por transmissão oral

01/09/2007

 

 

MINISTÉRIO DA SAÚDE

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE

Departamento de Vigilância Epidemiológica

Esplanada dos Ministérios, Edifício Sede,

1º andar, Ala Norte 70.058-900 Brasília-DF

Tel. 3315 3646

 

 

NOTA TÉCNICA

 

A ocorrência de Doença de Chagas Aguda (DCA) por transmissão oral, relacionada ao consumo de alimentos até o ano de 2004, constituía um evento pouco

conhecido ou investigado, havendo relatos de surtos localizados na região amazônica, detectados pelo Instituto Evandro Chagas da Secretaria de Vigilância em Saúde. Antes destes eventos detectados nos últimos anos, há registro na literatura brasileira de dois surtos relacionados ao consumo de caldo de cana em Teutônia (Rio Grande do Sul) e em Catolé do Rocha (Paraíba), há mais de duas décadas. Em 2005, outro surto relacionado ao consumo de caldo de cana foi detectado no Estado de Santa Catarina, onde 24 pessoas foram infectadas, com três óbitos. A partir da ocorrência do surto de Santa Catarina tem-se observado um aumento na ocorrência de novos surtos, seja pelo aumento da capacidade de detecção dos serviços, seja por fatores relacionados à própria transmissão da doença.

Em relação a maior capacidade de detecção dos serviços, dentre os fatores contribuintes destacam-se: elaboração e publicação do Manual de Doença de Chagas Aguda e Consenso Brasileiro em Doença de Chagas; desenvolvimento de um projeto para vigilância epidemiológica de Doença de Chagas na região amazônica, em colaboração com a OPAS; treinamento de agentes de saúde que realizam exames de hematoscopia para malária, na detecção do T. cruzi (agente etiológico da Doença de Chagas) pelo mesmo método; diminuição nas demais formas de transmissão (vetorial e transfusional), pelos métodos de controle empregados, que respondiam pela maior proporção de casos novos da doença que recorriam aos serviços. No que diz respeito aos fatores relacionados à transmissão deve levar em conta que o T. cruzi é transmitido no ambiente silvestre, envolvendo reservatórios (marsupiais, roedores) e vetores (triatomíneos), ambos coabitando áreas de mata. A modificação ou destruição

deste ambiente, o desenvolvimento de culturas em áreas de mata e a proximidade do homem com as áreas de transmissão silvestre, propicia a transmissão para o homem, à partir deste ciclo silvestre. No período de janeiro de 2005 a agosto de 2007, a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) recebeu a notificação e vem participando das investigações de 22 surtos de DCA em vários Estados. Na maioria destes eventos pode-se comprovar a associação da ocorrência de casos com o consumo de alimentos in natura, como caldo de cana (Santa Catarina - 2005 e Bahia - 2006), bacaba Maranhão, Pará - 2006) e especialmente do açaí (Pará – 2006 e 2007, Amazonas - 2007). Um total de 170 casos e 10 óbitos (letalidade de 6,5%) de DCA foi identificado até o momento, sendo a maior incidência registrada na região norte. Diante dessas evidências, a SVS/MS promoveu nos dias 26 e 27 de junho de 2007 uma reunião com especialistas, com os objetivos de analisar os aspectos clínicos e epidemiológicos destes surtos e estabelecer recomendações técnicas sobre o consumo seguro de alimentos e definir estratégias específicas para ações de vigilância, tratamento e controle da DCA, visto que a transmissão oral tem particularidades nos aspectos epidemiológicos e clínicos, quando comparados à transmissão vetorial. Como o açaí foi o alimento associado no maior número dos surtos ocorridos na região norte, tornou-se necessário priorizar o conhecimento sobre os mecanismos de transmissão envolvidos.Os temas discutidos englobaram desde o diagnóstico e tratamento de casos por transmissão oral, bem como a vigilância epidemiológica da doença, até os aspectos relacionados aos alimentos passíveis de serem veículos de transmissão da doença, especialmente o fruto do açaí. A reunião foi composta por especialistas em diversos campos relacionados com a esta nova forma de transmissão da Doença de Chagas, das seguintes

instituições: Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Instituto Evandro Chagas (IEC), FUNASA, ANVISA; Ministério da Agricultura e Pecuária; Casa Civil da Presidência da República; Ministério de Desenvolvimento da

Indústria e Comércio; Secretarias Estaduais de Saúde, diversas Instituições de Pesquisa, Universidades e Organização Panamericana de Saúde (OPAS).

Considerando a existência de lacunas no conhecimento sobre a contaminação de alimentos pelo T.cruzi relacionada à cadeia do cultivo, colheita, distribuição,

armazenamento e consumo; a inexistência, no momento, de conhecimento em relação a técnicas acessíveis e de fácil realização pela população para o consumo totalmente seguro do alimento, e a realidade econômica da região Amazônica, onde o açaí tem papel importante na alimentação dos moradores da região, recomenda-se:

1. Em escala industrial, a adoção da pasteurização do suco de açaí, visando à destruição de microrganismos patógenos, inclusive de T. cruzi, presentes no

suco.

2. Para processamento por pequenos produtores do suco, incluindo a produção familiar, a utilização das técnicas de higienização e branqueamento do fruto do

açaí, aliada às boas práticas de coleta, transporte, armazenamento e manipulação, visando minimizar o risco da contaminação do suco.

3. Desenvolver estudos, junto com instituições vinculadas à área de tecnologia de alimentos (UNICAMP e UFPA), visando o estabelecimento de outras técnicas

seguras e de fácil realização para o preparo e manejo do açaí, de forma que a população possa utilizá-los de maneira a garantir segurança no consumo do

alimento;

4. Utilizar todos os meios disponíveis para informação, educação e comunicação do evento e de suas formas de enfrentamento à população. Em relação às estratégias de implementação das ações de vigilância e controle da doença foram recomendadas atividades de:

1. Estruturação da rede de laboratórios e de assistência na região, visando ampliar

acesso ao diagnóstico de DCA e disponibilizar o tratamento dos afetados;

2. Implementação das ações de vigilância da Doença de Chagas Aguda na Amazônia

Legal, a partir da integração com as ações de vigilância de Malária, das Síndromes

Febril Indiferenciadas e Febril Íctero-Hemorrágica, e das demais doenças

transmitidas por alimentos;

3. Capacitação de profissionais em todos os níveis de atenção à saúde (vigilância

epidemiológica, diagnóstico, manejo clínico ambulatorial e hospitalar), para ampliar

a prevenção e controle da doença;

4. Formação de rede hierarquizada de referência e contra-referência para

atendimento aos casos mais graves de DCA;

5. Implantação do protocolo de acompanhamento de caso de DCA, recomendado

pela SVS/MS, em áreas de ocorrência de casos e surtos;

6. Produção e distribuição de material técnico específico referente à DCA para formação, informação, educação e comunicação;

7. Incentivo e fomento às pesquisas visando ampliar conhecimentos referentes às possíveis formas de contaminação de alimentos pelo T. cruzi e sua eliminação, às características clínico-laboratoriais da DCA; e estudos epidemiológicos em populações específicas/sentinelas (expostas a surtos de transmissão oral, extrativistas de Açaí);

8. Manutenção das ações para assegurar o nível de controle por transmissão da doença de Chagas pelo Triatoma infestans alcançado no país.

Para a implantação dessas recomendações, a SVS/MS vem trabalhando com as demais áreas do Ministério da Saúde (SAS, ANVISA e IEC) e com os Ministérios envolvidos, sob coordenação da Casa Civil da Presidência da República.

 

 

http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/nota_chagas2308.pdf

 

 

 

 


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