Infecto-contagiosas/Epidemias - Dúvidas sobre o HPV?
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Infecto-contagiosas/Epidemias

Dúvidas sobre o HPV?

17/06/2003

 

O HPV é a doença sexualmente transmissível de maior incidência no Brasil e acomete principalmente as mulheres. Os vírus do HPV, os Papilomavirus, modificam o código genético das células, impedindo que elas tenham morte natural e proliferam desordenadamente. Os vírus causam verrugas comuns, mas também certos tumores malignos na pele e nas mucosas, como os cânceres de colo de útero, vagina e vulva.

Esses vírus também causam o condiloma genital, conhecido como "crista de galo". Essa é a infecção genital viral mais comum, atingindo 20% da população sexualmente ativa do país, ou cerca de nove milhões de brasileiros e brasileiras são portadores do vírus. Destes, mais de 40% nem desconfiam que são portadores do vírus. Muitos cientistas acreditam que o HPV possa ser transmitido não apenas pelo ato sexual, mas também pelo uso compartilhado de roupas.

A doença pode ser diagnosticada através de alguns procedimentos. O exame Papa Nicolau, por exemplo, não detecta o vírus, mas sim as alterações que ele pode causar nas células. A Colposcopia permite ao médico identificar as lesões, porque aumenta em 40 vezes o poder de visão sobre a área suspeita de lesão. E há também os exames moleculares ou biópsias, que consistem na retirada do tecido atingido para análise. Somente os testes moleculares, como o de hidridização, que capta a presença do vírus antes mesmo de manifestar qualquer sintoma, e o PCR, para detectar o DNA do HPV e assim saber se o paciente é portador do vírus (e de que tipo) oferecem precisão absoluta.

Recomenda-se que o parceiro da paciente da portadora de HPV seja encaminhado a um urologista para realizar um exame chamado Peniscopia, que pode mostrar áreas suspeitas de lesão. Porém, nem sempre o exame consegue revelar a presença do HPV, seja por falha na coleta, seja por apresentar níveis indetectáveis aos métodos atuais. Considere-se, também, a possibilidade de a pessoa contrair a doença, mas ela não se manifestar, ou seja, ficar em latência por anos. Por isso, a presença ou não do HPV em um exame não de ser a base para a discussão de fidelidade entre o casal.

Há mais de 70 subtipos de vírus do HPV. Mas é importante destacar que apenas uma pequena parcela das portadoras irá desenvolver o câncer de colo de útero. Portanto, se você tem HPV, não entre em pânico. O acompanhamento médico correto, embora longo e delicado prevenirá conta qualquer problema conta qualquer problema maior.

Por Eduardo Zlotnik
Ginecologista e Obstetra do Hospital Albert Einstein em São Paulo

 


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