Um estudo feito com quatro dos países mais populosos do mundo (China, Estados Unidos, Brasil e Rússia) verificou que há uma grande tendência de aumento do nível de crianças e adolescentes obesos ou com sobrepeso nas últimas três décadas. Com exceção da Rússia, em todos os países foi verificado crescimento na taxa dessa parcela populacional com o problema. Entre os anos de 1971 e 1997, a porcentagem de crianças e adolescentes com peso excessivo triplicou no Brasil (foi de 4,1% para 13,9% dessa faixa populacional). Nos Estados Unidos a taxa quase dobrou (de 15,4% para 25,6%) e na China aumentou um quinto (de 6,4% para 7,7%). Só na Rússia verificou-se uma queda recente: entre os anos de 1992 e 1998, caiu de 15,6% para 9% o número de crianças e adolescentes com sobrepeso. Esses são os resultados de uma pesquisa coordenada, entre outros, por Youfa Wang, da Universidade da Carolina do Norte (EUA) e Carlos Monteiro, professor de nutrição da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho foi publicado em maio na revista American Journal of Clinical Nutrition.
Além da elevação do número de pessoas com excesso de peso, verificou-se uma diminuição do número de crianças e adolescentes abaixo do peso. Nesta faixa, o percentual caiu no Brasil de 14,8% para 8,6%, na China de 14,5% para 13,1% e nos Estados Unidos de 5,1% para 3,3%. A Rússia é novamente exceção, já que lá a taxa de crianças abaixo do peso aumentou de 6,9% para 8,1%. A pesquisa considerou duas faixas etárias: "crianças velhas" (com idades entre 6 e 9 anos) e adolescentes (entre 10 e 18 anos). Nessa separação, verificou-se que a prevalência de sobrepeso foi bem maior entre crianças do que entre adolescentes no Brasil, China e Rússia, mas não nos Estados Unidos.
Para os pesquisadores, a causa dessas alterações são as melhores condições econômicas nos três países que apresentaram crescimento de obesos, e a crise vivida nas últimas décadas pela Rússia, onde aumentou o número de desnutridos. O estado econômico geral do país teria uma influência decisiva na nutrição e nos hábitos alimentares de sua população. Além disso, o estudo aponta como motivos para as mudanças o acesso a alimentos com mais nutrientes e mais densidade energética, fácil acesso a transporte, mais tempo de lazer e menos atividade física.