Desejo sexual é o desejo do engajamento na atividade sexual (ou libido). O desejo sexual é variável e difícil de se definir em termos absolutos. Uma proposta considera que um indivíduo que não pense sobre sexo ou não tenha desejo sexual pelo menos uma a três vezes por mês pode ter hipossexualidade. O desejo sexual pode ser comprometido por fatores psicológicos, tais como ansiedade e depressão e, também, necessita da integridade funcional de regiões específicas do córtex cerebral, particularmente, lobos temporal e frontal.
Potência sexual é a capacidade fisiológica para responder ao estímulo sexual através de respostas gênito-pélvicas vasomotoras e neuromusculares. As respostas fisiológicas envolvem córtex cerebral, tronco cerebral, medula espinhal e sistema nervoso autônomo. Níveis adequados de hormônios hipofisários (gonadotrofinas e prolactina) e hormônios esteróides ovarianos e testicular (estrógeno e progesterona nas mulheres e testosterona nos homens) são necessários para a estimulação sexual.
A incidência de dispareunia (dor durante a relação sexual), vaginismo (espasmos vaginais dolorosos durante a relação) e falta de lubrificação vaginal são maiores em mulheres epilépticas que não tenham outros problemas sexuais. Esses achados sugerem disfunção na estimulação sexual fisiológica e não distúrbio psicológico primário.
Alguns pacientes com epilepsia referem dificuldade em conseguir ou manter a ereção e ejaculação. Eles apresentam também dificuldade nas ereções noturnas, o que pode indicar um problema fisiológico primário.
DAEs
As DAEs afetam o comportamento sexual por ação direta na função cortical ou pela ação no metabolismo e nas ligações hormonais.
As DAEs podem elevar os níveis de prolactina e de gonadotrofinas, hormônios que podem suprimir a atividade sexual.
A hipossexualidade pode ocorrer com o uso de qualquer DAE, porém parece ser mais pronunciado em pacientes que usam barbitúricos.
É importante considerar as DAEs alternativas se o paciente tornar-se hipossexual.
Descargas epileptiformes nas regiões frontais ou temporais podem estar relacionadas com hipossexualidade. Os mecanismos básicos são desconhecidos, porém podem estar relacionados a mudanças no nível de neurotransmissores ou de hormônios. Muitas crises levam à elevação transitória dos níveis de prolactina, que tem sido associada à hipossexualidade.
O controle adequado das crises pode melhorar o desempenho sexual, mesmo com a utilização de doses maiores de DAEs.
Terapia
A terapia começa com a explicação para o paciente de que há relação com a epilepsia. Este fato pode provocar alívio no paciente, mostrando que não é "culpa" dele. O contexto completo da história é fundamental para saber se a disfunção é ocasional ou crônica e se há fatores a serem identificados, tais como estresse, medicações outras que não as DAEs e abuso de substâncias como álcool.
A abordagem médica geral é importante para a detecção de doenças clínicas associadas, tais como diabetes, hipertensão arterial, hiperlipidemia e doenças endócrinas.
A avaliação urológica ou ginecológica assim como as dosagens hormonais devem ser obtidas.
Intervenções ginecológicas podem ser adequadas com produtos umidificadores ou lubrificantes vaginais ou mesmo com dilatações vaginais para o tratamento da dispareunia ou do vaginismo.
As dificuldades eréteis podem responder a medicações que facilitem o relaxamento da musculatura lisa e causem vasodilatação, tais como bloqueadores alfa-adrenérgicos, papaverina e sildenafil.
Se não for identificada uma causa orgânica corrigível, o paciente deve ser encaminhado para intervenção psicoterapêutica por profissional com experiência abalizada na área.
Referências Consultadas
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Liga Brasileira de Epilepsia