Infecto-contagiosas/Epidemias - Mais sobre a febre amarela
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Infecto-contagiosas/Epidemias

Mais sobre a febre amarela

24/01/2008

FEBRE AMARELA
CID 10 - A95

Elaborado por Silvana Gazola Santucci

Fatores de risco: dentro da América do Sul, os grupos de maior risco para adquirir a doença são pessoas não vacinadas, principalmente imigrantes oriundos de áreas indenes. Esses imigrantes se instalam nas áreas de mata (enzoóticas) para desenvolver atividades relacionadas à derrubada de áreas florestais para extração de madeira ou para instalação de projetos agropecuários. Também aqueles que se deslocam para regiões de matas por motivo de lazer constituem grupos de alto risco.
A incidência (número de casos novos de febre amarela) é maior durante os meses de maior pluviosidade, umidade e temperatura (janeiro a maio) correspondendo a uma maior atividade dos mosquitos Haemagogus que procriam nos ocos das árvores e são dependentes da água das chuvas. É neste período que os mosquitos alcançam altas densidades e há uma maior exposição humana decorrente do aumento da atividade agrícola.

Aspectos históricos: a febre amarela não era conhecida entre os povos antigos e só passou a ser conhecida depois da descoberta da América. Desconhecia-se, no entanto, seu agente causal e a forma de transmissão. No Brasil, as primeiras referências sobre a ocorrência de casos de febre amarela datam de 1685, quando teria ocorrido um surto em Olinda, Recife e outras cidades do interior pernambucano. Há, em seguida, o relato da ocorrência em Salvador (1686), que segundo o historiador Odair Franco, teria deixado 25.000 doentes e 900 pessoas mortas.
Não há notícias sobre o período colonial, fazendo-nos supor que a doença tenha se resumido a alguns casos isolados. Em 1849, reapareceu em Salvador, transportada por um navio procedente de Nova Orleans e Havana, que infectou os portos e se espalhou por todo o litoral brasileiro. Atacando no verão, a febre amarela acometeu as principais cidades litorâneas estigmatizando os portos nacionais.
Entre 1850 e 1902, foram registrados 58.063 óbitos somente na zona urbana do Rio de Janeiro. Estima-se que apenas no ano de 1850 ocorreram 90.000 casos na cidade com 4.160 óbitos para uma população de 166.000 habitantes. As embarcações brasileiras passaram a evitar a capital a todo o custo.
A província de São Paulo também conviveu por muito tempo com a febre amarela. Esta foi introduzida pelo Porto de Santos em 1850, assolando os centros urbanos da baixada litorânea. No verão de 1889, a febre amarela invadiu a cidade de Campinas (a porta da cafeicultura do planalto) e também provocou uma grande epidemia na cidade de Santos. Admite-se que esta epidemia tenha contribuído para um decréscimo real das populações atingidas. Adolfo Lutz, em suas reminiscências sobre a febre amarela, calculou em três quartos a população que deixou Campinas em direção a outras cidades, fugindo da febre amarela. Esta se espalhou imediatamente para as cidades vizinhas (Limeira e Rio Claro), alcançando nos anos seguintes, São Carlos, Pirassununga, Descalvado, Araraquara, Mogi-Mirim, Jaú, Casa Branca, São José do Rio Pardo. Em 1903, chegou a Ribeirão Preto. A febre amarela acompanhou o "progresso". Acompanhava as vias férreas: a Estrada de Ferro Paulista, depois a Estrada de Ferro Mogiana e, mais tarde, a Sorocabana. A indústria e o comércio fechavam suas portas durante os meses críticos. O porto de Santos acumulava embarcações, congestionando o estuário, e as autoridades sanitárias de Montevidéu e Buenos Aires, impunham quarentenas a todos os navios que tocassem os portos do Rio de Janeiro e Santos. O verão de 1889 apanhou também a hospedaria do Imigrante, já que o trânsito dos recém-chegados, contratados para o interior, foi interrompido instantaneamente. Os imigrantes, para pesadelo dos sanitaristas, eram muito suscetíveis à febre amarela e as precauções para protegê-los cresceram com o fluxo migratório. Os navios que apresentavam péssimas condições de higiene, após longos anos de protesto, passaram a ser fiscalizados. Um guia publicado na Europa por Santana Nery com o objetivo de promover a imigração para o Brasil, aconselhava o viajante. A hospedaria do Brás, funcionou como um centro de isolamento sanitário (entre outras coisas) enquanto não se descobriam meios eficazes de controlar a febre amarela. Durante mais de uma década, o confinamento foi a melhor maneira de resguardar os imigrantes.
Os serviços sanitários no Brasil foram concebidos como órgãos que estritamente trabalhavam para a prevenção das doenças infecto-contagiosas. Sacrificando os imigrantes, a febre amarela desestabilizaria a organização do mercado de trabalho que a oligarquia cafeeira vinha cultivando desde o fim da escravidão. Portanto, a febre amarela teve uma íntima relação com o desenvolvimento do Serviço Sanitário no Estado de São Paulo e este com a consolidação do capitalismo.
No início do século XX, tendo como base as teorias e observações do médico cubano Carlos Juan Finlay, uma comissão do exército americano realizou em Cuba experiências que mostraram ser a doença transmitida por mosquitos.
Este mosquito, conforme consta da literatura especializada, teve 36 nomes diferentes desde o ano de 1762, quando Lineu o classificou como Culex aegypti, até 1926, quando recebeu o nome pelo qual é hoje conhecido: Aedes aegypti. É tido como originário da África, tendo sido introduzido no continente americano durante o período da colonização.
Entusiasmado com os trabalhos da comissão do exército americano, Emílio Marcondes Ribas, então Diretor do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo, publicou, em janeiro de 1901, o artigo intitulado "O mosquito considerado como agente da propagação da febre amarela". Foi o primeiro trabalho brasileiro sobre este assunto.
Em 1902, quando ocorreu um surto de febre amarela em São Simão, Emílio Ribas aplicou, pela primeira vez no Brasil, medidas de controle vetorial dentre elas: evitar águas paradas nas habitações e arredores, derramar querosene nas coleções de água irremovíveis, proteger os doentes dos mosquitos, proteger as habitações com telas, extinguir mosquitos com inseticidas e aplicá-los nas casas dos doentes. Estas medidas sanitárias eficazes levaram ao controle da febre amarela e forneceram subsídios fundamentais a campanhas maiores como a de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. A partir desta época, têm início as memoráveis campanhas anti-amarílicas realizadas sob o comando de Emílio Ribas, em São Paulo e de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.
Alguns grupos de médicos brasileiros obstinavam-se em não aceitar a transmissibilidade da febre amarela pelo mosquito, mesmo após o trabalho de Emílio Ribas em São Simão. Em 1902, larvas provenientes da cidade de Itu, tida como isenta de febre amarela eclodiram mosquitos e foram enviados a São Simão. Eles picaram indivíduos com febre amarela. Estes mosquitos foram levados a São Paulo, onde não havia a doença, e cerca de 2 semanas mais tarde no hospital (que é hoje o Hospital Emílio Ribas), picaram 6 pessoas incluindo Emílio Ribas, Adolfo Lutz e Oscar Moreira. Os três não desenvolveram a doença provavelmente por imunidade prévia. Os outros voluntários que jamais haviam entrado em contato com a doença, apresentaram os sintomas. Os experimentos confirmaram a transmissão vetorial da doença.
Em 1903, iniciou-se uma nova série de experimentos para provar que a doença não era transmitida pelas roupas sujas dos doentes como preconizavam alguns. Confinou-se um italiano em quarto de isolamento o qual vestiu-se com roupas dos pacientes mortos, e os lençóis foram preparados com sangue e vômitos dos pacientes doentes com o vírus da febre amarela. A ele, somaram-se mais dois italianos recém-chegados ao Brasil. Segundo as observações de Adolfo Lutz em visita ao quarto, embora o ar se apresentasse fétido, os pacientes apresentavam-se saudáveis e bem humorados. A partir de então, foram abandonadas as medidas sanitárias baseadas na contagiosidade da doença.

Gráfico da diminuição da mortalidade por febre amarela (está sendo digitado)

Os trabalhos de combate aos mosquitos prosseguiram durante muitos anos e contaram, durante muito tempo, com o auxílio da Fundação Rockefeller. Nos laboratórios dessa mesma fundação, foi desenvolvida a vacina contra febre amarela que, a partir de 1937, passou a ser preparada no Instituto Oswaldo Cruz, possibilitando que fossem eliminados os surtos urbanos de febre amarela.
A última grande epidemia ocorreu no Rio de Janeiro nos anos de 1928 e 1929. O último caso de febre amarela urbana no Brasil foi registrado em 1942, no município de Sena Madureira (AC). Nas Américas, a última epidemia de febre amarela urbana registrada foi em Trinidad e Tobago em 1954.
Após ampla campanha de combate ao Aedes aegypti, desenvolvida em São Paulo pelo Serviço Especial de Combate à Febre Amarela e, no restante do país, pelo Serviço Nacional de Febre Amarela, em 1957, durante a XV Conferência Sanitária Panamericana, esta espécie foi declarada erradicada do Brasil. É de se notar, no entanto, que, já em 1898, Adolfo Lutz observara a existência de febre amarela em locais onde não se encontrava esse mosquito. Sem que, inicialmente, lhes fosse dada maior importância, tais observações vieram a ser confirmadas muitos anos depois quando se caracterizou a ocorrência, nas matas, da febre amarela silvestre transmitida por mosquitos, como Haemagogus spegazzinii, Aedes scapularis e outros que habitam esses locais. É de se notar também que, nas regiões de matas, a vacinação antiamarílica tornou-se medida profilática da maior eficácia, protegendo os que ali vivem e trabalham. Embora tenha se considerado livre do mosquito Aedes aegypti, o Brasil não conseguiu evitar que esse mosquito voltasse a invadir seu território alguns anos depois. Foi o que sucedeu, a partir de 1967, quando foi ele observado no Pará. Em 1976, foi encontrado em Salvador, em 1977, no Rio de Janeiro, agora já com outro papel reconhecido: o de transmissor de dengue.

 

Fonte:

 

http://www.sucen.sp.gov.br/doencas/dengue_f_amarela/texto_febre_amarela_pro4.htm

 

 


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