Radiação/ Ambiente - Antenas de celulares e o ’smog’ eletrônico
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Radiação/ Ambiente

Antenas de celulares e o ’smog’ eletrônico

20/06/2003

KRISTINA MICHAHELLES

Nem lacraias gigantes nem as esposas dos Pokemons, como sugeriu um leitor. A resposta para a charada da coluna na semana passada: as feias criaturas que invadem o Rio e todo o Brasil são as torres de transmissão para telefonia celular. A Feema (Federação Estadual para o Meio Ambiente) constituiu um grupo de trabalho para estudar uma forma de regulamentar a instalação dessas torres e de treinar os funcionários das operadoras de telecomunicações. Além de horrendas do ponto de vista estético, atualmente elas estão sendo espetadas em qualquer lugar, até mesmo dentro de pátios de escolas, sem obedecer a uma legislação específica e sem consulta prévia às comunidades locais.

O problema é que não se conhecem ainda os efeitos ambientais dos campos eletromagnéticos que se formam em torno dessas antenas. Por isto, muitos países tomam precauções. Na Bélgica, por exemplo, as torres não podem ser colocadas perto de prédios de uso intensivo - conjuntos residenciais, escolas, hospitais. No Brasil, a única prefeitura que regulamentou os padrões urbanísticos, sanitários e ambientais para a instalação de Estações de Rádio-Base (ERB) de telefonia celular e microcélulas para reprodução de sinal foi a de Porto Alegre (decreto 12.153). Lá, a concessão de licença pelas Secretarias Municipais de Planejamento, de Obras e Viação, de Meio Ambiente depende de exame minucioso das propriedades do terreno e de laudo técnico que deve obedecer a critérios claros e definidos quanto à densidade da potência, à distância em relação aos prédios e a aspectos urbanísticos.

’E-smog’

No Rio, a Feema recebe dezenas de ligações por dia de pessoas preocupadas com os impactos sobre a saúde, segundo revelou o presidente da entidade, Axel Grael, durante fórum mensal sobre meio ambiente organizado pelo Consulado Americano. Aqui, salvo raríssimas exceções, a população ainda não se mobiliza. Alarmados com as doenças ambientais causadas por fenômenos que vão da chuva ácida a catástrofes como a de Chernobyl, moradores de países como a Alemanha (onde já existem 35 mil antenas com potência de transmissão) se organizam contra o que chamam de E-smog (’smog’ eletrônico). Uma dessas ONGs, a Buergerwelle (literalmente, "onda cidadã) já congrega 300 grupos e entidades de todo o país (quem quiser dar uma olhada pode acessar www.buergerwelle.de, site que disponibiliza informações também em inglês sobre os perigos potenciais das radiações).

Tecnologia: faca de dois gumes

Claro que os aparelhos elétricos fazem parte do nosso dia-a-dia e que as modernas tecnologias beneficiaram imensamente a Humanidade em todas as áreas, da medicina ao turismo. Mudaram a forma de nos comunicarmos, de conduzirmos nossos negócios. Movemo-nos por entre um sem-número de fontes eletromagnéticas, desde radiações naturais e ingênuos aparelhos eletrodomésticos até meios de transportes sofisticados. Mas os conhecimentos sobre os campos magnéticos que se formam em torno de alguns equipamentos e instalações como as torres de celulares ainda são insuficientes. A radiação que as antenas de celulares recebem e transmitem é alta (de 10 MHz a 300 GHz). E para prevenir eventuais danos sobre a saúde, é preciso limitar a exposição. Afinal, como diz o cientista alemão Lebrecht von Klitzing, especialista no assunto, "os sistemas biológicos funcionam de forma diferente dos sistemas técnicos". Para ele, a exposição descontrolada a altas radiações pode estar na origem de males como insônia, dor de cabeça, tonteiras, falta de concentração e até distúrbios imunológicos que levam à leucemia e ao câncer.

’Ecocondria’?

Seria prematuro atribuir estes sintomas a uma ’ecocondria’, espécie de hipocondria dos tempos modernos causada pelo medo de contrair doenças ambientais. O que há de oficial, por enquanto, é um informativo divulgado em julho do ano passado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmando que ainda não há provas científicas de possíveis prejuízos para a saúde advindas das ondas de alta freqüência. Um projeto da própria OMS em colaboração com oito agências internationais, mais de 40 órgãos nacionais e oito centros de medicina, o EMF (Electromagnetic Field Project), começou em 1996 e tem prazo até 2005 para estudar os possíveis efeitos da radiação de alta freqüência sobre a saúde.

Vitória na praia

Mais sobre as ondas de alta freqüência na próxima semana. Moradores de uma bela praia do litoral fluminense se juntaram numa ação inédita para derrubar o projeto de uma torre. Você também vai saber por que se deve evitar telefonar com celular de dentro do carro.

 

Jornal do Brasil - Ciência - 18/3/2000

 


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