Radiação/ Ambiente - Irradiação de Alimentos
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Radiação/ Ambiente

Irradiação de Alimentos

20/06/2003

 

A NECESSIDADE DE PRESERVAR NOSSOS ALIMENTOS

Desde os primeiros tempos, as pessoas procuram cuidar melhor de seus alimentos utilizando variados métodos de preservação, de modo a controlar a sua deterioração, a transmissão de doenças e a infestação de insetos.

Através dos séculos, as técnicas de preservação de alimentos foram se desenvolvendo com o aumento do conhecimento científico. Os métodos atuais incluem o congelamento, a secagem, o enlatamento, a preparação de conservas, a pasteurização, a fermentação, o resfriamento, o armazenamento em atmosfera controlada, a fumigação química e a aplicação de aditivos preservantes.

Hoje em dia a irradiação promete melhorar nossa habilidade de conservar os alimentos e, ao mesmo tempo, reduzir a incidência de algumas doenças próprias dos mesmos.

DOENÇA TRANSMITIDA POR ALIMENTO CONSTITUI UM PROBLEMA MUNDIAL DE SAÚDE

Segundo o Comitê Misto de Especialistas em Segurança Alimentar da Organização Mundial das Nações Unidas para Agricultura e da Organização Mundial de Saúde (FAO/WHO), as doenças oriundas de alimentos contaminados são "talvez o maior problema de saúde do mundo contemporâneo e constituem um importante fator de redução da atividade econômica".

Nos Estados Unidos, o Centro para Controle de Doenças e a Administração de Drogas e Alimentos estimam que anualmente, mais de 33 milhões de americanos adoecem, por contaminação microbiana. Estima-se que ocorram anualmente no Canadá ,mais de dois milhões de casos.

Além da preocupação com a contaminação microbiana, também aumentam as exigências mundiais de qualidade dos alimentos. Assim, os problemas com armazenamento, transporte e processamento de alimentos exigem a busca de métodos alternativos de preservação. A FAO estima que de um quarto a um terço da produção mundial de alimentos e perdida devido a pragas, insetos, bactérias, fungos e enzimas que comem, estragam ou destroem as colheitas.

E incalculável a magnitude da perda econômica associada a doenças originárias de alimentos e à rejeição de alimentos contaminados por parasitas e microorganismos patogénicos.

Métodos novos e eletivos são necessários para aumentar a oferta de alimentos sadios e seguros, para urna população mundial em expansão.

A irradiação de vários alimentos, particularmente frango, mariscos e carne de porco em combinação com os métodos mais limpos de processamento de alimentos poderá reduzir, significativamente, a incidência de doenças causadas por microorganismos.

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COMO FUNCIONA A IRRADIAÇÃO DE ALIMENTOS

Irradiação de alimentos é um processo físico de tratamento comparável à pasteurização térmica, ao congelamento ou enlatamento. Este processo envolve a exposição do alimento, embalado ou não, a um dos três tipos de energia ionizante: raios gama, raios X ou feixe de elétrons. Isto é feito em uma sala ou câmara especial de processamento por um tempo determinado. A finte mais comum de raios gama, para processamento de alimentos, e o radioisótopo Cobalto 60. O alimento é tratado por raios gama, originados do Cobalto 60 em uma instalação conhecida como irradiador.

A energia gama é radiação eletromagnética de comprimento de onda muito curto, semelhante à ultravioleta, luz visível, infravermelho, microondas ou ondas de rádio usadas na comunicação. Nós usamos estas formas de energia em um grande leque de propósitos; por exemplo, para cozinhar alimentos em aparelhos de microondas.

A irradiação de alimentos emprega uma forma particular de energia eletromagnética conhecida por "radiação ionizante". Este termo é usado porque essa radiação produz partículas carregadas eletricamente, chamadas "ions", em qualquer material com o qual entrem em contato.

Em circunstâncias particulares, a radiação ionizante é uma técnica de processamento de alimentos muito efetiva e útil.

A energia gama do Cobalto 60 pode penetrar no alimento causando pequenas e inofensivas mudanças moleculares que também ocorrem no ato de cozinhar, enlatar ou congelar. De fato, a energia simplesmente passa através do alimento que está sendo tratado e, diferentemente dos tratamentos químicos, não deixa resíduos. A irradiação é chamada de "processo frio" porque a variação de temperatura dos alimentos processados é insignificante. Os produtos que foram irradiados podem ser transportados, armazenados ou consumidos imediatamente após o tratamento.

A irradiação funciona pela interrupção dos processos orgânicos que levam o alimento ao apodrecimento. Raios gama, raios X ou elétrons são absorvidos pela água ou outras moléculas constituintes dos alimentos, com as quais entram em contato. No processo, são rompidas células microbianas, tais como bactérias, leveduras e fungos. Além disso, parasitas, insetos e seus ovos e larvas são mortos ou se tornam estéreis.

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OS BENEFÍCIOS

A irradiação não é um "milagre" técnico capaz de resolver todos os problemas de preservação de alimentos. Ela não pode transformar alimento deteriorado em alimento de alta qualidade. Como também não é adequada para todos os tipos de alimentos, mas pode resolver problemas específicos importantes e complementar outras tecnologias. Ela representa uma grande promessa no controle de doenças originárias de alimentos, tais como a salmonelose, que é um problema mundial. Também é efetiva na desinfestação, particularmente em climas quentes, em que os insetos consomem uma grande porcentagem da safra colhida.

A irradiação de alimentos pode aumentar o tempo de prateleira - estocagem - de muitos alimentos a custos competitivos, ao mesmo tempo em que fornece uma alternativa ao uso de fumigantes e substâncias químicas, muitas das quais deixam resíduos.

Em muitos casos, alimentos irradiados em sua temperatura de armazenamento ideal e em embalagens a vácuo durarão mais e manterão por mais tempo sua textura original, sabor e valor nutritivo se comparadas com aqueles termicamente pasteurizados, esterilizados ou enlatados.

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A SEGURANÇA DOS ALIMENTOS IRRADIADOS

A irradiação de alimentos tem sido objeto de pesquisas intensas por mais de quarenta anos. Organizações internacionais tais como a FAO e a WHO revisaram estas pesquisas e concluíram que a irradiação de alimentos é segura e benéfica. Similarmente, o valor nutricional de alimentos irradiados foi comparado com o de alimentos tratados por outros métodos, com resultados favoráveis.

Em 1983, a Comissão do Codex Alimentarius, um grupo das Nações Unidas que desenvolve normas internacionais para alimentos, concluiu que alimentos irradiados abaixo de 10 kGy não apresentam risco toxicológico. Atualmente, níveis de tratamento dentro desta faixa, estão sendo mundialmente realizados.

Nem a energia gama, nem os níveis internacionais estabelecidos para aceleradores de elétrons podem fazer com que o alimento se torne radioativo, O processamento por radiação não torna o alimento radioativo da mesma forma que os raios X usados para a segurança em aeroportos não tornam as bagagens radioativas.

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NÍVEIS DE TRATAMENTO E SEUS EFEITOS

A irradiação de alimentos pode produzir uma variedade de resultados, dependendo do tipo do alimento e da quantidade de energia ionizante absorvida pelo mesmo. Esta energia é usualmente medida por uma unidade conhecida como "o gray" Gy ou "o rad", sendo que 1 Gy = 100 rads.

TIPO DE ALIMENTO

DOSE EM KGY

EFEITO

CARNE, FRANGO, PEIXE, MARISCO, ALGUNS VEGETAIS, ALIMENTOS PREPARADOS

20 - 70

Esterilização. Os produtos tratados podem ser armazenados à temperatura ambiente.

ESPECIARIAS E OUTRAS FRUTAS

8 - 30

Reduz o número de microorganismo e destrói insetos: substitui produtos químicos

CARNE, FRANGO, PEIXE

1 - 10

Retarda a deterioração, mata alguns tipos de bactérias patogénicas (Salmonela).

MORANGOS E OUTRAS FRUTAS

1 - 4

Aumenta o tempo de prateleira, retarda o aparecimento e mofo.

GRÃOS, FRUTAS E VEJETAIS

0,1 - 1

Mata insetos ou evita sua reprodução. Pode substituir parcialmente os fumigantes

BANANA, ABACATE, MANGA, MAMÃO E OUTRAS FRUTAS NÃO CÍTRICAS

0,25 - 0,35

Retarda a maturação.

CARNE DE PORCO

0,08 - 0,15

Inativa a Trinchinela.

BATATA, CEBOLA, ALHO

0,05 - 0,15

Inibe o brotamento

* kGy (quilogray). Quando um quilograma de matéria absorve a energia de 1 joule, diz-se que ela recebeu a dose de um Gray.

Alimentos irradiados já foram aprovados em dezenas de países ao redor do mundo. Alimentos são normalmente aprovados para irradiação em bases individuais. Por exemplo, nos EUA uma aprovação para se irradiar um alimento é concedida pela Administração de Drogas (FDA), depois do exame de uma petição pode ser submetida por um indivíduo, uma empresa privada, uma instituição educacional ou qualquer outra entidade. Outros países tem procedimentos similares.

Alimentos irradiados para o consumo em mercearias devem ser rotulados com o símbolo internacional denominado "Radura", mostrado na primeira edição do Jornal. O símbolo deve ser acompanhado pelas palavras "tratado por irradiação" ou "tratado com radiação". Esta rotulagem é exigida por lei, para informar aos consumidores que eles estão comprando um alimento que foi processado. Este aviso é necessário porque a radiação não deixa nenhum vestígio indicando que o alimento foi irradiado seja pela aparência, cheiro ou toque. Isto contrasta com outras técnicas de processamento, tais como cozinhar, enlatar ou congelar, processos em que se percebe o tratamento. Os alimentos irradiados servidos em estabelecimentos tais como restaurantes não necessitam de nenhum rótulo ou declaração no cardápio, pois o alimento oferecido, obviamente terá sido processado. A rotulagem, também, não se faz necessária no caso de ingredientes irradiados que entram em um composto alimentar em pequena proporção. Como exemplo disso pode-se citar um ingrediente seco ou tempero que foi processado por irradiação, e depois adicionado em pequena proporção em um produto alimentício.

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COMERCIALIZAÇÃO E ATITUDES DO CONSUMIDOR

A tecnologia de irradiação de alimentos recebeu, durante os anos noventa, um grande interesse do público, da imprensa e da indústria alimentícia. Isto se deve, principalmente, à instalação na Flórida, do primeiro irradiador Norte Americano totalmente dedicado à irradiação de alimentos, ao marketing inicial de alimentos tratados naquela instalação e a aprovação governamental da irradiação de carne de frango.

Estudos relacionados com o consumo, em base nacional, indicam que 45% a 55% dos consumidores desejariam comprar carne vermelha ou de frango irradiadas e, por isto, com o índice reduzido de bactérias. O endosso do processo por entidades como o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e a Associação Médica Americana (AMA), deram ao processo uma grande credibilidade junto aos consumidores. Testes de mercado em mercearias e demonstrações confirmaram o nível de aceitação do consumidor.

Produtos irradiados da Flórida estão à disposição dos consumidores em certos mercados dos Estados Unidos, desde 1992. Estes produtos são irradiados para a extensão do seu tempo de prateleira, e têm sido bem recebidos pelos consumidores. Morangos e cogumelos irradiados muitas vezes superaram, em volume de venda, os produtos não irradiados na proporção de 10 para 1 ou até mais. Em 1995, mamões importados do Havaí para serem desinfetados nos EUA foram vendidos para consumidores do meio oeste americano.

Carne de frango tem sido irradiada para controlar a Salmonela e colocada à disposição de mercados, limitados dos EUA desde 1993. Mais recentemente, o mercado de alimentos tem utilizado frango irradiado em quantidades crescentes. Estabelecimentos tais como hospitais e restaurantes têm utilizado este produto em bases regulares. Usando normalmente em suas cozinhas frango irradiado para redução de bactérias patogênicas, estes estabelecimentos reduzem o risco de contaminação cruzada de outros alimentos, durante a sua preparação

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Para saber mais: CENTRO DE DESENVOLVIMENTO DA TECNOLOGIA NUCLEAR - Rua Professor Mário Wcrneck, s/nº - Caixa Postal 941 - Pampulha -CEP: 30.123-970 - Belo Horizonte - MG - BR - Fone: (0**31) 499-3410 ou 499-3128

Ministério da Saúde

 


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