Radicais livres/Estresse oxidativo - Método inibe atuação de radicais livres
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Radicais livres/Estresse oxidativo

Método inibe atuação de radicais livres

20/06/2003

 

Trabalho aprimora técnica usada no tratamento de queimados

Tatiana Ferreira

 

 

 


Um estudo feito na Disciplina de Cirurgia Plástica da Unifesp contribui para aperfeiçoar a técnica de cultura de células da pele. Esse procedimento é considerado a maior esperança de tratamento para pacientes com queimaduras graves, aqueles que têm mais de 80% do corpo coberto por lesões.

No estudo – primeira tese de doutorado feita no Laboratório de Cultura de Células do departamento –, a médica Ivone da Silva Duarte comprovou que uma substância chamada dimetil sulfóxido (DMSO) pode agir como um escudo protetor das células contra a atuação dos radicais livres. Essas moléculas, de estrutura defeituosa, podem interagir com os componentes celulares, impedindo o desempenho do seu trabalho.

Na pesquisa, o DMSO foi utilizado na cultura de um grupo de queratinócitos humanos, células da camada mais superficial da pele (epi­derme). Outro grupo dessas células foi cultivado sem a presença da substância.

Durante a realização do estudo, a pesquisadora criou, no laboratório, as mesmas complicações encontradas no tecido danificado pelas queimaduras. Para isso, os queratinócitos foram privados de oxigênio e de glicose, essenciais para a sobrevivência das células.

“As péssimas condições dos tecidos atingidos pelas queimaduras facilitam a atuação dos radicais livres. Es­se fator aumenta consideravelmente as chances de rejeição dos enxertos e dificulta o tratamento”, explica Ivone.

Quando os radicais livres agridem as células, aumentam, no organismo, os níveis de malonaldeído – um composto derivado dessa reação. Foi justamente medindo a quantidade desse marcador que a pesquisadora conseguiu avaliar que o DMSO protege os queratinócitos. A quantidade de malonaldeído era duas vezes maior na cultura de células feita sem o composto.

O cirurgião Alfredo Gragnani Filho, co-orientador da pesquisa, considera que o trabalho contribui para o aperfeiçoamento da técnica. “Ele acrescenta um conhecimento claro a respeito da interação da droga com a célula, sem a interferência das outras substâncias existentes no tecido. Esse tipo de informação é importante para o desenvolvimento de várias pesquisas”, avalia.

A autora da pesquisa acredita que os resultados também abrem caminho para o estudo de outras substâncias que possuem a propriedade de combater os radicais livres, como as vitaminas C e E.

Método eficaz – Com a utilização da cultura de queratinócitos, um pequeno pedaço de pele – de um centímetro quadrado – pode ser expandido cinco mil vezes em cerca de três ou quatro semanas.

Nos pacientes que têm queimaduras muito extensas, é quase impossível retirar partes da pele de um local não atingido para utilizar como enxerto nas áreas queimadas. Por isso, o desenvolvimento desse método foi comemorado como um grande avanço no tratamento.

Apesar de já ser utilizada nos Estados Unidos, a cultura de queratinócitos ainda não é empregada no tratamento de pacientes brasileiros. Por aqui, os custos da técnica ainda são considerados muito altos, e algumas poucas instituições de pesquisa – como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – investem na área.

Na Unifesp, os primeiros estudos ganharam impulso a partir da criação do Laboratório de Cultura de Células, em novembro de 1999. O objetivo era começar uma produção própria de tecidos a partir dos queratinócitos para estudar reações de defesa do organismo contra esse material. Agora, passados quase dois anos, a equipe da Cirurgia Plástica já se considera apta para iniciar estudos clínicos com pacientes que sofreram queimaduras.

 

 Unifesp


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