Gastroenterologia/Proctologia/Fígado - O Fígado
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Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

O Fígado

20/06/2003

 

 

O fígado é um órgão maciço, constituído por células chamadas hepatócitos.

É a maior
glândula do organismo e localiza-se na parte superior direita do abdome. Recebe o sangue venoso, que vem do aparelho digestivo através de uma grande veia, a veia porta.

O fígado é um órgão extremamente importante, uma "usina" produtora de diversas substâncias. Suas funções são:

Receber os nutrientes e as substâncias absorvidas no intestino;

Modificar a estrutura química de medicamentos e outras substâncias, suavizando, inativando ou ativando essas substâncias pela ação das enzimas do fígado;

Neutralizar eventuais substâncias tóxicas que sejam ingeridas;

Armazenar nutrientes como glicose, aminoácidos e ácidos graxos (gorduras primárias usadas para produzir gorduras mais complexas);

Produzir, a partir desses nutrientes, várias substâncias, por exemplo, algumas proteínas e lipoproteínas usadas pelo organismo, como a albumina (principal proteína constituinte do plasma sangüíneo), os fatores de coagulação e o colesterol;

Ajudar a regular a concentração de glicose no sangue;

Produzir a bile (líquido verde e denso que auxilia o intestino a digerir as gorduras).


HEPATITE


Doença inflamatória do fígado, que compromete suas funções, podendo ser aguda ou crônica. As hepatites podem ser virais, auto-imunes (condição na qual o sistema imunológico do indivíduo passa a reconhecer seus próprios tecidos como estranhos e passa a atacá-los para destruí-los) ou serem causadas pela reação ao álcool, drogas ou medicamentos. As hepatites virais são as mais comuns e são designadas por letras: A, B, C, D , E, F e G.

As doenças do fígado, e em especial a hepatite, provocam anormalidades nas funções desse órgão, como:

Icterícia - acúmulo de bilirrubina (pigmento esverdeado usado para a produção de bile pelo fígado) no sangue, tornando a pele e as mucosas amareladas. Quando o fígado fica inflamado, ocorre uma dificuldade de metabolização e eliminação da bile para o intestino.

Colapso na produção de proteínas e na neutralização de substâncias tóxicas;

Prejuízo de todas as funções primárias do fígado.

Cirrose hepática é o resultado final de qualquer inflamação persistente no fígado. Pode ocorrer em todas as condições de inflamação crônica do fígado. Caracteriza-se por necrose (destruição das células), fibrose e nódulos de regeneração. Fibrose é a substituição das células normais do fígado por tecido de cicatrização. Esse tecido cicatrizado (fibrótico, pois é formado por fibras) não tem mais as funções que as células sadias do fígado possuem. Os nódulos de regeneração são compostos por células regeneradas, numa tentativa do fígado de substituir as células perdidas. Infelizmente, esses nódulos não conseguem realizar as mesmas funções das células normais.

As doenças do fígado podem levar à icterícia e ao colapso da produção de substâncias. As condições crônicas levam à cirrose hepática.


VISÃO GERAL DAS HEPATITES VIRAIS

Hepatite A - o vírus causa uma infecção aguda que se cura espontaneamente com o passar do tempo. Geralmente é de evolução benigna e por isso dificilmente leva o indivíduo a estados graves. A hepatite A não se torna crônica. A transmissão do vírus ocorre principalmente por via fecal-oral (ingestão de alimentos e água contaminados por fezes infectadas com o vírus).

Hepatite B - a infecção causada por esse vírus está associada com a doença aguda clássica, onde o indivíduo apresenta os sintomas conhecidos da hepatite (síndrome gripal, fadiga, dores de cabeça, náuseas e icterícia). A gravidade da doença é variável. Alguns pacientes desenvolvem doença crônica que, se não for tratada, após alguns anos pode levar à cirrose e ao câncer de fígado. A transmissão do vírus da hepatite B (VHB) ocorre principalmente através do contato com sangue contaminado (por meio de seringas, transfusões ou ferimentos) e do contato sexual (através das secreções contaminadas).

Hepatite C - os sintomas agudos dessa infecção são geralmente leves ou passam despercebidos; muitos pacientes desenvolvem hepatite crônica, que também pode levar à cirrose e ao câncer de fígado. A principal via de transmissão é através do contato com sangue contaminado. Mais raramente, ocorre por contato sexual.

Hepatite D - a infecção por esse vírus (VHD ou vírus da hepatite delta), ocorre apenas em pacientes infectados pelo VHB. Em pacientes cronicamente infectados pelo VHB, a infecção concomitante com o VHD acelera a progressão da doença crônica. Aproximadamente 5% dos pacientes com VHB são também infectados por VHD.

Hepatite E - é causada por um vírus transmitido por via digestiva (transmissão fecal-oral), provocando grandes epidemias em certas regiões. Não leva a casos crônicos.

Hepatite F - Pouco conhecido, este vírus foi identificado em diversas hepatites graves com diferentes agentes etiológicos;

Hepatite G - O vírus da hepatite G (VHG, também conhecido como GB-C) está relacionado com o vírus C. O HGV é transmitido pelo sangue e é comum entre toxicômanos e receptores de transfusões. O vírus G também pode ser transmitido durante a gravidez e por via sexual. Aproximadamente 10% a 20% dos portadores de hepatite C são contaminados com o vírus G.


Referências Bibliográficas:

1. FOCACCIA, Roberto. Hepatites virais. 1.ed. São Paulo. Atheneu, 1997.

2. SILVA, Adávio de Oliveira; D´ALBUQUERQUE, Luiz A. Carneiro. Doenças do fígado. 1.ed. Rio de Janeiro. Revinter, 1996.

3. SILVA, Luiz Caetano da. Hepatites agudas e crônicas. 2.ed. São Paulo


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