Infecto-contagiosas/Epidemias - Perguntas e respostas sobre o herpes
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Infecto-contagiosas/Epidemias

Perguntas e respostas sobre o herpes

20/06/2003


O que é o herpes?

O herpes é uma infecção comum e geralmente ligeira. Pode causar lesões na boca ou na face (herpes labial) e sinais idênticos nos órgãos genitais (herpes genital).

Qual a causa do herpes?

O herpes é causado por um de dois vírus: herpes simplex tipo 1 (VHS-1) e herpes simplex tipo 2 (VHS-2). O herpes difere de outras infecções virais comuns em diversos aspectos. Em primeiro lugar, o vírus permanece para sempre no organismo, fenômeno designado por «latência». Pode «deslocar-se» através dos nervos numa determinada zona do nosso corpo e esconder-se – adormecendo virtualmente – nos gânglios nervosos durante períodos que podem ser mais ou menos longos.
Isto significa que, mesmo não causando sintomas de herpes labial ou genital num dado momento, eles poderão aparecer no futuro.

O que acontece quando se contrai herpes genital?

Quando uma pessoa é inicialmente infectada com VHS-1 ou VHS-2, a resposta imunitária não está completamente desenvolvida, podendo o vírus multiplicar-se mais rapidamente e em mais locais do que no futuro.
Os sinais e sintomas durante o primeiro episódio da doença podem, portanto, ser bastante acentuados, manifestando-se geralmente nas duas semanas seguintes à transmissão.
Por outro lado, algumas pessoas têm um primeiro episódio tão ligeiro que nem se apercebem, só reconhecendo que estão infectadas aquando de um episódio posterior ou «reativação» que pode ocorrer meses ou anos mais tarde.

Quais são os sinais e sintomas do herpes genital recorrente?

Os sinais e sintomas do herpes genital variam bastante de um episódio para outro e de uma pessoa para outra. As feridas ou irregularidades na pele, «lesões», são freqüentes nos episódios recorrentes. Alguns doentes têm pequenas feridas, outros têm bolhas que formam crostas. No herpes recorrente, no entanto, este processo dura menos de metade do tempo do que no primeiro episódio.
Além disso, muitas pessoas têm formas sutis de herpes recorrente, que podem sarar em poucos dias e que podem ser interpretadas como picadas de inseto, abrasões ou outras. As lesões podem localizar-se não só no pênis ou vulva, mas também perto do ânus, nas nádegas e coxas – em qualquer localização próxima da área genital.
É de salientar que no início da fase de reativação muitas pessoas têm comichão, desconforto ou sensação de dor ou picada na área onde as lesões de irão desenvolver. Estes sintomas de alerta – chamados pródromos – antecipam com frequência as lesões em um ou dois dias. Em alguns doentes o pródromo envolve dor nas nádegas, na parte posterior das pernas ou mesmo na parte inferior das costas.

Quanto tempo dura um «primeiro episódio»?

A maioria das pessoas tem os sinais e sintomas mais graves pouco tempo após ter sido infectada. Este «primeiro episódio» caracteriza-se freqüentemente pelo aparecimento de pequenas borbulhas ou bolhas que eventualmente formam crosta e cicatrizam como um pequeno corte. No entanto, os sinais do herpes variam bastante, podendo ser fáceis ou difíceis de identificar, dolorosos ou facilmente ignorados.
Nos primeiros episódios, podem decorrer duas a quatro semanas até todas as lesões estarem completamente cicatrizadas. Durante este período, em alguns doentes ocorrerá o desenvolvimento de novas lesões e alguns apresentarão sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo febre e gânglios inchados, particularmente junto às virilhas. O tratamento com medicamentos antivíricos durante os primeiros episódios está estabelecido e pode acelerar significativamente a cicatrização das lesões.

O vírus pode estar ativo sem provocar sintomas?

Pensava-se que o vírus herpes simplex só está ativo durante os surtos – quando é visível uma ferida, uma bolha ou outro sintoma como prurido, por exemplo. Sabe-se hoje, no entanto, que o vírus pode estar ativo sem causar quaisquer sinais ou sintomas. Tem-se designado este fenômeno de diversas formas, incluindo «eliminação assintomática» e «eliminação subclínica» do vírus. Mas o melhor termo pode ser simplesmente «herpes reconhecido». O termo «não reconhecido» é especialmente indicado por três razões:

1. Algumas lesões são ignoradas porque aparecem em locais para os quais nunca olhamos;
2. Algumas lesões são confundidas com sinais de qualquer outra coisa – um pêlo encravado, por exemplo;
3. Algumas lesões não são visíveis a olho nu. Mesmo que uma pessoa tenha sinais e sintomas recorrentes que possam ser identificados como sendo herpes, há certamente dias em que o doente não se apercebe de que o vírus reactivou e progrediu para a pele ou membranas mucosas.

Como é transmitido o herpes?

O herpes transmite-se através do contato direto pele com pele. Por exemplo, se tiver lesões de herpes labial e beijar alguém, pode transmitir o vírus. Se tiver herpes genital e praticar sexo vaginal ou anal, pode transferir o vírus dos seus órgãos genitais para os do(a) parceiro(a). finalmente, se tiver herpes labial e praticar sexo oral, pode causar herpes genital no(a) parceiro(a).
O vírus pode igualmente ser transmitido por contato sexual, mesmo na ausência de sintomas ou lesões aparentes. O herpes é freqüentemente transmitido por pessoas que desconhecem estar infectadas ou que simplesmente não reconhecem que a sua infecção está numa fase ativa.

Ter herpes significa ter sintomas?

Algumas pessoas que têm uma infecção latente nunca tiveram um pródromo ou lesões genitais. Além disso, muitos têm sintomas tão ligeiros que não se apercebem da infecção durante muitos anos. Estima-se que uma percentagem já significativa da população esteja infectada por vírus herpes simplex, no entanto, menos de um terço destes indivíduos foram diagnosticados ou apresentam história clínica de lesões herpéticas.

E quanto ao seu tratamento?

Não existe um tratamento definitivo para o herpes, mas há medicamentos que ajudam a controlar eficazmente a infecção. Esta medicação antivírica atua eliminando a capacidade de multiplicação do vírus. A sua administração não está associada ao aparecimento de efeitos secundários significativos, podendo ser tomados por longos períodos de tempo.

O herpes espalha-se por outras partes do corpo?

Durante um primeiro episódio, é possível transferir o vírus do local da lesão inicial para outras partes do corpo pelo contacto com outras feridas. Desta forma, os dedos, os olhos e outras partes do corpo podem acidentalmente ser infectadas. É simples prevenir a auto-infecção: não toque nas feridas durante um episódio – especialmente se for o primeiro.
Caso o faça, lave as mãos com a maior brevidade possível.

Como reduzir o risco de transmissão a um parceiro sexual?

1. Diga ao seu parceiro — O ideal será que ambos entendam os princípios básicos da prevenção contra o herpes e decidam em conjunto sobre quais as preocupações mais aconselháveis no seu caso.
2. Evite relações sexuais quando tiver quaisquer sinais ou sintomas — Manter um contacto sexual durante uma recorrência coloca o parceiro não infectado em risco.
3. Use o preservativo durante o período entre as recorrências — O preservativo oferece uma boa proteção contra o herpes não reconhecido, cobrindo as mucosas, que são os locais privilegiados de transmissão. Pode também evitar a aquisição de outras infecções sexualmente transmissíveis. O preservativo não assegura uma protecção a 100%, porque podem existir lesões em locais não cobertos. Porém, se utilizado de forma consistente e correta, é a melhor de prevenção disponível.
4. Microbicidas/Espermicidas — Os espermicidas utilizados nas espumas, películas e geles contraceptivos destruem ou neutralizam e estão sendo desenvolvidos mais estudos nesta área. Podem fornecer alguma proteção quando usados diretamente na vagina, nas doses recomendadas para contracepção. Devem ser utilizados em conjunto com o preservativo e não em sua substituição.

E em relação à gravidez?

A transmissão da infecção ao recém-nascido é rara e a maioria das mulheres com história de herpes tem partos normais. No entanto, um recém--nascido que contrai herpes pode ficar gravemente doente, sendo necessário observar as seguintes precauções:
1. Quando uma mulher tem uma infecção herpética ativa no momento do parto, procede-se normalmente a uma cesariana;
2. Se a futura mãe tem uma história de herpes, é importante informar o médico durante uma consulta pré-natal. Este fato é importante mesmo que nunca tenha existido sintomas ou que não ocorram recorrências há longo tempo. A futura mãe deve ser examinada para verificar se há sintomas durante o parto e deve informar o médico caso suspeite da presença de infecção ativa naquela altura;
3. Se não tiver história de herpes, mas o seu parceiro sexual tem, é importante que evite contrair a infecção durante a gravidez. Um primeiro episódio durante a gravidez representa um maior risco de transmissão ao recém-nascido.

O que fazer se estou com herpes genital?

Procure um médico enquanto os sinais e sintomas ainda estiverem presentes. O médico observará a área afetada e poderá efetuar uma análise das lesões para verificar se o vírus está ou não presente e identificar o tipo (se as lesões forem recentes).

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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