Infecto-contagiosas/Epidemias - Aspectos epidemiológicos da Dengue
Esta página já teve 114.643.431 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 27.779 acessos diários
home | entre em contato
 

Infecto-contagiosas/Epidemias

Aspectos epidemiológicos da Dengue

27/04/2008



Entre 2002 e 2006 foram notificados 1.894.013 casos
de dengue no País. O maior número de casos ocorreu
em 2002 quando foram notificados 791.245 casos.
Após essa epidemia, houve uma redução significativa
em 2003 e 2004 com 346.138 e 117.519 casos
respectivamente. Em 2005, as notificações voltaram
a subir, com registro de 248.189 casos e em 2006
ocorreram 345.922 casos.

Há ocorrência de casos de dengue em todas as
regiões do País. Nos últimos cinco anos a Região
Nordeste notificou 742.899, representando 40% do
total de casos notificados no período. A segunda
região com maior número de casos é a Sudeste
com 679.848, representando 37% do total de
notificações do período.

Pessoa:

A distribuição dos casos por faixa etária mostra
que nos últimos 5 anos os adultos jovens (15 a
64 anos) são responsáveis por 78,7% do total de
casos notificados, seguida pelos menores de 15
anos que representam 16,9% dos casos. Não
houve mudança significativa na distribuição dos
casos por faixa etária no período.

Notificação de casos suspeitos:

Dengue é uma doença de notificação compulsória.
Todo caso suspeito deve ser comunicado ao Serviço
de Vigilância Epidemiológica do município por
meio da ficha do SINAN. A equipe de controle
vetorial local deve ser informada para que tome
as medidas necessárias ao combate do vetor.

Aglomerados de casos de FHD e óbitos devem
notificados ao CIEVS, pois se trata de um evento inusitado.

2. Aspectos clínicos e Epidemiológicos

A infecção por dengue causa uma doença cujo
espectro inclui desde formas oligo ou assintomáticas,
até quadros com hemorragia e choque, podendo
evoluir para óbito.

Dengue clássica (DC) – A primeira manifestação
é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto,
seguida de cefaléia, mialgia, prostração, artralgia,
anorexia, astenia, dor retroorbital, náuseas, vômitos,
exantema, prurido cutâneo. A doença tem duração
de 5 a 7 dias, mas o período de convalescença pode
ser acompanhado de grande debilidade física, e
prolongar-se por várias semanas.

Febre hemorrágica da dengue (FHD) – Os sintomas
iniciais são semelhantes aos do DC, porém há um
agravamento do quadro no terceiro ou quarto dia
de evolução, com aparecimento de manifestações
hemorrágicas e colapso circulatório. Nos casos
graves de FHD, o choque geralmente ocorre
entre o 3º e 7º dias de doença, geralmente precedido
por dor abdominal. O choque é decorrente do
aumento de permeabilidade vascular, seguida de
 hemoconcentração e falência circulatória. Alguns
pacientes podem ainda apresentar manifestações
neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

Modo de transmissão:

A transmissão se faz pela picada de fêmeas de
mosquitos do gênero Aedes, no ciclo ser humano –
mosquito - ser humano. Após um repasto de sangue
infectado, o mosquito está apto a transmitir o vírus
depois de 8 a 12 dias de incubação extrínseca. Não
há transmissão por contato direto de um doente ou
de suas secreções com pessoa sadia, nem por
intermédio de água ou alimento.

Período de incubação:

Varia de 3 a 15 dias, sendo em média de 5 a 6 dias.

Período de transmissibilidade:

O período de transmissibilidade da doença compreende
dois ciclos: um intrínseco, que ocorre no ser humano,
e outro extrínseco, que ocorre no vetor. A transmissão
do ser humano para o mosquito ocorre enquanto
houver presença de vírus no sangue do ser humano
(período de viremia). Este período começa um dia
antes do aparecimento da febre e vai até o 6º dia
da doença. No mosquito, após um repasto de sangue
infectado, o vírus vai se localizar nas glândulas
salivares da fêmea do mosquito, onde se multiplica
depois de 8 a 12 dias de incubação. A partir deste
momento, é capaz de transmitir a doença e assim
permanece até o final de sua vida (6 a 8 semanas).

Diagnóstico diferencial: O diagnóstico diferencial
da dengue é feito de acordo com a forma clínica.

Dengue clássica (DC) – A dengue tem um amplo
espectro clínico, mas as principais doenças a serem
consideradas no diagnóstico diferencial são: gripe,
rubéola, sarampo e outras infecções virais, bacterianas
e exantemáticas. Além das doenças citadas, outros
agravos devem ser considerados de acordo com
a situação epidemiológica da região.

Febre hemorrágica da dengue (FHD) – No início da
fase febril, o diagnóstico diferencial deve ser feito
com outras infecções virais e bacterianas e, a partir
do 3º ou 4º dias, com choque endotóxico decorrente
de infecção bacteriana ou meningococcemia. Outras
doenças com as quais se deve fazer o diagnóstico
diferencial são leptospirose, febre amarela, malária,
hepatite infecciosa, influenza, bem como outras febres
hemorrágicas, transmitidas por mosquitos ou carrapatos.

Tratamento:

Dengue clássico – O tratamento é sintomático
(analgésicos e antipiréticos) e pode ser feito no
domicílio, com orientação para retorno ao serviço
de saúde após 48 a 72 horas do início dos sintomas.
Indica-se hidratação oral com aumento da ingestão
de água, sucos, chás, soros caseiros, etc. Não devem
ser usados medicamentos com ou derivados do ácido
acetilsalicílico e antiinflamatórios não hormonais, por
aumentar o risco de hemorragias.

Febre hemorrágica da dengue – Inicialmente o quadro
clínico é o mesmo da dengue clássica. Geralmente no
período da defervescência surgem os sinais da FHD
como dor abdominal intensa e desconforto respiratório.
Dessa forma, a conduta frente ao paciente depende dos
sinais clínicos e evolução da hemoconcentração. Para
facilitar o tratamento desta enfermidade, um manual
de manejo do paciente com suspeita desta forma da
doença encontra-se no link ”publicações”.

3. Aspectos laboratoriais

Exames específicos -
Isolamento do agente ou
métodos sorológicos que demonstram a presença de
anticorpos da classe IgM, em única amostra de soro,
ou o aumento do título de anticorpos IgG (conversão
sorológica) em amostras pareadas.

Exames inespecíficos - Hematócrito e plaquetometria
são os mais importantes para o diagnóstico e
acompanhamento dos pacientes com manifestações
hemorrágicas e para pacientes em situações especiais:
gestante, idoso (>65 anos), hipertensão arterial, diabete
melito, asma brônquica, doença hematológica ou renal
crônicas, doença severa do sistema cardiovascular,
doença ácido-péptica ou doença auto-imune.

4. Aspectos ambientais

Entre as medidas indicadas para evitar a proliferação
do vetor estão o manejo do meio ambiente na área
domiciliar e peri-domiciliar, tais como:

• mudanças no meio ambiente que impeçam ou
minimizem a propagação do vetor, evitando ou
destruindo os criadouros potenciais do Aedes;
• melhoria de saneamento básico;
• participação comunitária, no sentido de evitar a
infestação domiciliar do Aedes, através da redução
de criadouros potenciais do vetor (saneamento domiciliar).

5. Outras informações de relevância para o agravo
 
Educação em saúde, comunicação e mobilização
social.
É necessário promover a comunicação e a mobilização
social para que a sociedade adquira conhecimentos
sobre como evitar a dengue, participando efetivamente
da eliminação contínua dos criadouros potenciais do
mosquito. A população deve ser informada sobre a
doença (modo de transmissão, quadro clínico, tratamento, etc.), sobre o vetor (seus hábitos, criadouros domiciliares e naturais) e sobre as medidas de prevenção e controle para que possa adotar um novo comportamento frente ao problema, promovendo ações de controle da doença.
Devem ser utilizados os meios de comunicação de massa
por seu grande alcance e eficácia, além da produção e
distribuição de material que contemple as specificidades
de cada área a ser trabalhada. Para fortalecer a
consciência individual e coletiva, devem ser desenvolvidas estratégias de alcance nacional para sensibilizar os formadores de opinião para a importância da comunicação e da mobilização social no controle da dengue; para envolver a sociedade em ações de parceria com os gestores dos três níveis; e para enfatizar a responsabilidade do governo em cada nível, e da sociedade como um todo, por meio de suas instituições, organizações e representações.

 

Fonte:

 

http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=27632


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos