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Otorrinolaringologia/ORL/Fono

Estudos fonoaudiológicos sobre cérebro e linguagem

11/05/2008

Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

 

Rev. soc. bras. fonoaudiol. v.13 n.1 São Paulo jan./mar. 2008

doi: 10.1590/S1516-80342008000100018 

RESUMO

 

 

 

Letícia Lessa Mansur

Professora do Curso de Fonoaudiologia da Universidade de São Paulo – USP – São Paulo (SP), Brasil; Responsável pelo Laboratório de Investigação em Neurolingüística do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo – USP – São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra aumento no número de idosos, população com maior risco para o desenvolvimento de doenças neurológicas. Pesquisas dirigidas à saúde ainda não foram capazes de evitar essas doenças e tampouco oferecem soluções rápidas e viáveis para as seqüelas delas advindas, de modo a garantir qualidade de vida no envelhecimento. Dois desafios somam-se: o aumento de indivíduos idosos; a incidência das doenças neurológicas nas próximas décadas. Nesse contexto situa-se o objetivo de fornecer resposta, do ponto de vista fonoaudiológico, aos problemas; mais especificamente: avaliar o efeito de condições biológicas e socioculturais, idade e escolaridade, na linguagem, em população brasileira sadia; adaptar instrumentos para avaliação e diagnóstico de linguagem em acordo com referenciais biológicos e culturais do português falado no Brasil; caracterizar alterações de linguagem decorrentes de doenças neurológicas em população brasileira; delinear a terapia fonoaudiológica, no contexto das alterações fonoaudiológicas decorrentes de doenças neurológicas, à luz das variáveis biológicas e socioculturais. Foram reunidos 40 estudos do autor, sobre populações normais e acometidas por afasias, alterações de comunicação e alterações lingüístico-cognitivas resultantes de acidentes vasculares encefálicos, quadros demenciais, epilepsias e escleroses laterais amiotróficas. Nos estudos com populações normais, o autor verificou maior impacto da escolaridade do que da idade nas habilidades de compreensão, memorização e produção da linguagem; verificou ainda que a escolaridade também influenciou o desempenho em tarefas perceptivo-inferenciais e de memória não-verbal, enquanto a idade influenciou a designação de verbos, em situação de confrontação visual, e o armazenamento em memória operacional. Os estudos com população normal projetaram-se em populações lesadas, nas quais o autor utilizou referenciais da normalidade para desenhar perfis de acometimento. Na população de lesados, foi observada a interação entre linguagem e cognição, no contexto das afasias clássicas, das afasias subcorticais, afasias cruzadas, demência de Alzheimer, afasias progressivas primárias e demências semânticas. Nas lesões focais, correlações anatomo-clínicas foram buscadas. A funcionalidade, na linguagem e na cognição, foi relacionada ao comprometimento e à sobrecarga decorrentes de seqüelas das doenças neurológicas. A reabilitação de indivíduos com afasia e quadros demenciais também foi examinada à luz dos resultados obtidos com população normal e populações de lesados. O conjunto de dados permitiu dimensionar respostas aos desafios decorrentes do aumento de idosos em condições de risco, na abordagem fonoaudiológica.

 

 

Endereço para correspondência:
Letícia Lessa Mansur
R. Cipotânea, 51, Cidade Universitária
São Paulo – SP, CEP 05360-160
E-mail: lmansur@usp.br

             Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342008000100018&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

 

 



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