Aplicação Clínica na dosagem do Zinco
O zinco participa de vários processos biológicos e a sua deficiência pode ser a causa ou ser secundária à várias patologias. A dosagem do zinco no sangue visa detectar casos de deficiência moderada a severa nos quais a suplementação com sais de zinco é geralmente necessária.Os principais fatores que levam à deficiência de zinco são a diminuição da ingestão e/ou da absorção, perdas gastro-intestinais, diminuição dos estoques hepáticos, hipoalbuminemia e aumento da excreção urinária ou fecal, entre outros.
Clinicamente, a deficiência de zinco pode variar, desde a ausência de sinais e sintomas definidos – deficiência subclínica – passando por manifestações inespecíficas , até aquelas mais graves, como a acrodermatite enteropática .
Quantidade significativa do zinco é encontrada no núcleo, provavelmente tendo um papel crítico na transcrição do DNA e na expressão gênica. É um cofator em todas as classes enzimáticas, sendo necessário à atividade de mais de 300 enzimas.
Influência assim transmissão da hereditariedade, diferenciação tecidual, crescimento e regeneração celular, na biossíntese e integridade do tecido conectivo e na resposta imune.
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Tabela 1 Etiologia e fisiopatologia da deficiência de zinco |
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Etiologia |
Fisiopatologia |
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Amamentação de recém nascidos com leite materno pobre em zinco Dietas hipoproteicas Nutrição parenteral sem a inclusão de zinco |
Diminuição da ingestão |
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Dietas ricas em fibras (quelam o zinco no trato intestinal) |
Diminuição da ingestão Diminuição da absorção |
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Diarréias crônicas Síndromes de mal absorção (doença celíaca, pancreatite crônica) Parasitoses intestinais com perda sanguinea |
Perdas gastrointestinais |
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Prematuridade Doenças hepáticas |
Estoque hepático insuficiente |
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Dietas hipoproteicas Estados com catabolismo aumentado Síndrome nefrótica |
Hipoalbuminemia (albumina é a principal proteína transportadora de zinco) Aumento de excreção renal |
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Queimaduras Diabetes mellitus Cirrose hepática Síndrome de imunodeficiência adquirida Síndrome nefrótica Doenças autoimunes Doenças neoplásicas |
Aumento da excreção |
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Medicamentos: • Aminoácidos em altas doses • Penicilamina • Acido fólico • Corticosteróides |
• Aumento da excreção renal
• Aumento da excreção nas fezes • Diminuição da absorção |
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Genética (Doença de Danbolt) |
Doença autossômica recessiva, letal, relacionada à deficiência da absorção de zinco |
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Gravidez |
Desbalanço entre ingesta e demanda |
A deficiência pode ser leve e difícil de ser detectada devido à ausência de indicadores bem documentados. Nos casos subclínicos é controversa a necessidade de reposição. A deficiência moderada a severa pode aumentar susceptibilidade a infecções bacterianas, virais e fúngicas (por exemplo, em pacientes com imunodeficiência adquirida pode estar relacionada à redução do número de linfócitos T circulantes) e outras manifestações clínicas sugestivas, necessitando de tratamento com suplementação de zinco.
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Tabela 2 Sintomas decorrentes ou associados à deficiência de zinco |
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Hipogeusia – perda do paladar |
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Cegueira noturna |
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Degeneração macular |
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Hipoevolutismo e puberdade atrasada |
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Acrodermatite enteropática |
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Deficiências do sistema imunológico |
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Anorexia, perda de peso, fadiga |
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Osteoporose |
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Pustolose não microbiana associada a doenças autoimunes |
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Dificuldade na cicatrização de úlceras arteriais ou venosas |
Dosagem no Sangue e Interferentes:
A dosagem do zinco no sangue é o exame comumente utilizado para o diagnóstico da deficiência de zinco. No entanto, deve-se lembrar na interpretação dos resultados, que nem sempre os níveis séricos têm boa correlação com a concentração total do zinco corporal e que os níveis de albumina, a sua principal proteína carreadora irão influenciar o resultado. Assim, condições que levem à diminuição de albumina poderão cursar com níveis aparentemente baixos de zinco. A variação fisiológica dos níveis séricos deve ser levada em conta: mais baixos após as refeições e mais altos durante um período de jejum. Da mesma forma exercícios físicos intensos antes da coleta podem levar a níveis transitoriamente diminuídos. As medicações usadas devem ser observadas, pois várias delas podem levar a resultados falsamente aumentados ou diminuídos, especialmente complementos vitamínicos.
Apesar de ser bastante sensível para os casos de deficiência moderada a severa, casos de deficiência leve podem não ser detectados. Até o momento nenhum método disponível tem a sensibilidade suficiente para a detecção desses casos.
Sugestão de leitura complementar:
• Beneton N, Wolkenstein P, Bagot M, et al. 2000. Amicrobial pustulosis associated with autoimmune diseases: healing with zinc supplementation. Br J Dermatol, 143: 1306-10.
. Chernekhovskaia NE, Galaeva EV. 2001. Zinc's biological in the pathogenesis of duodenal ulcer. Ross Gastroenterol Zh, 1: 30-4.
• Hocke M, Winnefeld K, Bosseckert H. 2001. Oral zinc therapy in patients with supposed mild zinc deficiency-a critical review. Z Gastroenterol, 39: 83-8.
• Kupka R, Fawzi W. 2002. Zinc nutrition and HIV infection. Nutr Ver, 60: 69-79.
• Micheletti A, Rossi R, Rufini S. 2001. Zinc status in athletes: relation to diet and exercise. Sports Med, 31: 577-82.
• Salgueiro MJ, Zubillaga M, Lysionek A, et al. 2000. Zinc status and immune system relationship: a review. Biol Trace Elem Res, 76: 193-205.