Dor/Dores - A dor muscular generalizada: O que pode ser?
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Dor/Dores

A dor muscular generalizada: O que pode ser?

18/05/2008

A queixa do paciente é que "dói tudo", e também são referidos outros sintomas, como sinais de depressão, cansaço constante, falta de disposição para as atividades rotineiras, dor de cabeça, funcionamento inadequado do intestino (cólon irritável), sensibilidade durante a micção (síndrome da bexiga irritável), sono pouco reparador. Não é difícil que, até chegar ao diagnóstico correto, este paciente chegue ao desespero, pois ouve de muitos médicos, de familiares e conhecidos que "não tem nada", e estes sintomas são "puramente psicológicos", que "é preciso ocupar a cabeça para não inventar doenças que não existem".

E assim, lá se vão muitas visitas a diferentes médicos, tratamentos invasivos, indicação para cirurgias. Geralmente, até se chegar ao diagnóstico correto, passa-se muito tempo e muitos dissabores para o paciente e familiares.

E a dor está ali, quase contínua, por vezes muito forte, insuportável...

Não há exames complementares que identifiquem esta dor músculo-esquelética difusa e crônica, de origem desconhecida, associada aos outros sintomas citados acima. O diagnóstico da fibromialgia é dado após se descartar outras enfermidades, e avaliar cuidadosamente as condições co-existentes à dor.E a dor está ali, quase contínua, por vezes muito forte, insuportável...

Normalmente, a dor da fibromialgia surge em determinado local e migra para outros pontos. A presença de dor contínua (de intensidade variada) por mais de três meses, associada a pelo menos 11 dos 18 pontos de tensão do corpo pode ser utilizada como critério de diagnóstico.

Embora a causa, ou causas, da fibromialgia não sejam conhecidas, podem ocorrer fatores desencadeantes para o início do problema, como um trauma físico ou emocional, infecções bacterianas ou virais ou uma doença degenerativa de base, como artrite reumatóide, diabetes mellitus, lúpus eritematoso.

A fibromialgia é uma síndrome predominante nas mulheres adultas (especialmente na faixa etária entre 35 e 60 anos). Dentre as causas prováveis da maior incidência na população feminina cita-se o decréscimo de serotonina, mais comum no organismo da mulher, e questões hormonais (na fase pré-menstrual toda condição dolorosa é exacerbada). A sobrecarga de trabalho (jornada dupla, ou tripla) facilita a incidência maior de dor pelo corpo. Mais recentes, estudos apontam também uma diminuição do Hormônio de Crescimento, decréscimo do colágeno, processamento anormal da dor no nível do Sistema Nervoso Central, e do fator hereditário.

Determinadas atividades e profissões exigem posturas repetitivas por longos períodos, o que também contribui para a dor. Esta é uma condição que afeta diretamente o profissional da Odontologia. A rotina deste profissional exige grandes intervalos de tempo numa só posição, por vezes incômoda. Os sinais de dor fibromiálgica podem aparecer, mascarados na dor muscular tão comum à atividade do Cirurgião-Dentista, o que dificulta seu reconhecimento (já difícil) e tratamento.

Outra forma do profissional de Odontologia defrontar-se com a fibromialgia é a presença do problema no paciente: o dentista, em especial o ortodontista, pode atender pacientes com dores de características similares àquelas apresentadas por pacientes com fibromialgia. No entanto, estão treinados e condicionados a pensar em distúrbios de ATM, deslocamento do disco articular, luxações, transtornos de mastigação. Poucos autores, descrevendo quadros como estes, pensam em associar estes sinais e sintomas com o quadro conhecido como fibromialgia.

Os transtornos têmporo-mandibulares podem ser referidos como causadores de dores de cabeça e face, em mais de 25% dos pacientes; já com relação à fibromialgia, estudos mostram que mais de 90% dos pacientes que apresentam esta síndrome têm dores faciais e mandibulares, geralmente associadas aos músculos e ligamentos relacionados à articulação, mas não à articulação propriamente dita. A palpação dos músculos pterigóideos, feita com critério pelo profissional, pode auxiliar na definição de um diagnóstico para estes pacientes.

Assim, o diagnóstico diferencial para a fibromialgia inclui as enfermidades reumáticas ou qualquer outro transtorno que possa provocar dor e/ou rigidez músculo-esquelética e extra-articular. Este diagnóstico, e o tratamento que se segue, necessitam de uma abordagem multidisciplinar. E a dor está ali, quase contínua, por vezes muito forte, insuportável...

Tratamento: atualmente, não há tratamento que produza a cura definitiva dos sintomas da fibromialgia, mas a educação do paciente sobre o problema proporcionando-lhe o máximo de informações e assegurando-lhe que seus sintomas são reais (tal atitude é essencial para que o paciente readquira confiança), a mudança do estilo de vida (melhora da qualidade do sono, manutenção ou restabelecimento do equilíbrio emocional, exercícios físicos de baixo impacto, caminhadas, acompanhamento psicoterápico) e tratamento medicamentoso bem orientado podem ajudá-lo a ganhar novamente o controle sobre seu corpo, com melhora bastante significativa.

O tratamento farmacológico da fibromialgia não é feito com analgésicos, apenas, mas também com outros grupos de medicamentos, como antidepressivos, principalmente a família dos tricíclicos, como a amitriptilina (Tryptanol ) em pequenas doses (as quantidades de antidepressivos para o controle da dor são menores que as utilizadas para o tratamento da depressão). Associados a estes, podem estar os antiinflamatórios não-esteróides, ou não-corticóides (AINEs), relaxantes musculares (ciclobenzaprina - Miosan), analgésicos (procura-se evitar a administração de analgésicos morfínicos, pelas implicações que acarretam e benefício limitado para este tipo de dor). Os bloqueadores seletivos de recaptação da serotonina, especialmente a fluoxetina (Prozac), podem ser utilizados na síndrome em conjunto com o tricíclico (já citado), para ampliar a ação deste último no alívio da dor. A fluoxetina é administrada de manhã, e o tricíclico é dado geralmente à noite, pois traz relaxamento e melhora o padrão de sono do paciente.

Quanto aos ansiolíticos (calmantes), o mais adequado é o alprazolam (Frontal). No entanto, não devem ser utilizados de forma rotineira para os doentes de fibromialgia, pela possibilidade de dependência química e também por exacerbarem sintomas depressivos, se usados por períodos mais prolongados. A gabapentina (Neurontin), prescrita originalmente para o tratamento anticonvulsivo, tem se mostrado um fármaco de utilidade na dor neuropática. Verifica-se que esta síndrome dolorosa é muito difícil de ser compreendida pelo paciente e familiares até ser devidamente diagnosticada, já que é complicado sentir tanta dor para a qual não há causa aparente. Mas pode ser bem controlada e pode até haver remissão dos sintomas, com o seguimento do tratamento. Por outro lado, se ocorrer algum episódio estressante que quebre o equilíbrio da rotina do paciente, pode sobrevir uma crise. Assim, a remissão não é definitiva se não houver o controle dos fatores desencadeantes.

Finalizando, é importante insistir na educação para o problema: o paciente deve estar bem informado de que esta doença não põe em risco sua vida, não é progressiva nem deformante; e que os cuidados incluem a medicação e os demais suportes já citados (ver tratamento).

Referências Bibliográficas:
CAVALCANTE, Alane B., SAUER, Juliana F. et al. The prevalence of fibromyalgia: a literature review. Ver. Bras. Reumatol. Disponível em: http://scielo.br. Acesso em 19 out.2006. QUIROS ALVAREZ, Oscar J., RODRIGUEZ, Liliana et al. Fibromialgia y Ortodoncia: Actitud del Ortodoncista ante la enfermedad invisible. Acta Odontol. Venez.. Disponível em: http://www.scielo.org.ve. Acesso em 18 out.2006 SÃO PAULO, Sociedade Brasileira de Reumatologia. Projeto Diretrizes: Fibromialgia. São Paulo, 2004. Disponível em http://www.projetodiretrizes.org.br. Acesso em 20 out.2006. TOVAR SANCHEZ, Maria Ana. Fibromialgia. Colombia Médica. Disponível em: http://bases.bireme.br. Acesso em 18 out.2006.

Vera Lúcia Pivello
Farmacêutica-bioquímica - APCD

Fonte:

 

http://www.apcd.org.br/noticias.asp?idnoticia=1437

 

 


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