Arquivos Brasileiros de Cardiologia
Arq. Bras. Cardiol. v.90 n.3 São Paulo mar. 2008
doi: 10.1590/S0066-782X2008000300004
ARTIGO ORIGINAL
Portadores de CDI com limiar de desfibrilação elevado: evolução clínica e alternativas terapêuticas
Carlos Eduardo Batista de Lima; Martino Martinelli Filho; Rodrigo Tavares Silva; Wagner Tetsuji Tamaki; Júlio Cesar de Oliveira; Daniela Cabral Martins; Silvana Angelina D'Orio Nishióka; Anísio Alexandre Andrade Pedrosa; Sérgio Freitas Siqueira; Roberto Costa
Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – Unidade de Estimulação Cardíaca Artificial, São Paulo, SP - Brasil
Correspondência
RESUMO
FUNDAMENTO: A programação ideal da energia de choque do CDI deve ser pelo menos 10 J acima do limiar de desfibrilação (LDF), necessitando de técnicas alternativas quando o LDF é elevado.
OBJETIVO: Avaliar o comportamento clínico dos portadores de CDI com LDF>25 J e a eficácia da terapêutica escolhida.
MÉTODOS: Foram selecionados portadores de CDI, entre janeiro de 2000 e agosto de 2004 (banco de dados prospectivo), com LDF>25 J intra-operatório, e analisaram-se: características clínicas, FEVE, resgate de eventos arrítmicos pelo CDI e óbitos.
RESULTADOS: dentre 476 pacientes, 16 (3,36%) apresentaram LDF>25J. Idade média de 56,5 anos, sendo 13 pacientes (81%) do sexo masculino. Quanto à cardiopatia de base 09 eram chagásicos, 04 isquêmicos e 03 com etiologia idiopática. A FEVE média dos pacientes foi 37% e 94% utilizavam amiodarona. O seguimento médio foi de 25,3 meses. Em 02 pacientes com LDF > Choque Máximo (CM), foi necessário implante de eletrodo de choque adicional (array), sendo mantido programação com CM em zona de FV (>182bpm) nos demais. Durante o seguimento 03 pacientes apresentaram 67 terapias de choque apropriadas (TCA) com sucesso. Ocorreram 07 óbitos sendo 5 por causas não cardíacas e 2 por insuficiência cardíaca avançada. Os pacientes que foram a óbito apresentaram níveis de LDF maiores (p=0,0446), entretanto sem relação com a causa dos mesmos tendo em vista que não ocorreram TCA sem sucesso.
CONCLUSÃO: Nessa coorte de pacientes com CDI, a ocorrência de LDF elevado foi baixa, implicando terapêuticas alternativas. Houve associação com disfunção ventricular grave, entretanto sem correlação com as causas de óbito.
Palavras-chave: Limiar de desfibrilação, desfibriladores implantáveis, morte súbita cardíaca.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2008000300004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt