Infecto-contagiosas/Epidemias - O parasita Leishmania amazonensis
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Infecto-contagiosas/Epidemias

O parasita Leishmania amazonensis

05/06/2008

 

Leishmania é um protozoário da ordem Kinetoplastida e da família Trypanossomatidae. Esses parasitas, assim como Trypanossoma cruzi e Trypanossoma brucei tem como características principais à presença de um cinetoplasto, formas evolutivas adaptadas ao microambiente celular e/ou humoral e invertebrados como vetores de transmissão. A leishmaniose tem altos indices de incidência em várias regiões do mundo, com cerca de 20 milhões de indivíduos infectados (WHO, 2001; Herwaldt, 1999).

A forma promastigota é flagelar, móvel, tem cerca de 30 µm de extensão e vive no tubo digestivo do inseto flebotomo, ligado as microvilosidades, aonde prolifera (Killick-Kendrick, 1990). Durante o repasto sanguíneo do vetor os promastigotas ressuspensos em saliva são inoculados na pele do hospedeiro vertebrado. Essas formas entram em macrófagos através de vários receptores de membrana. Dentro da célula há diferenciação para a forma amastigota. Os detalhes sobre essa transição/transformação da forma promastigota para amastigota não são conhecidos, mas há evidencias que promastigotas são sensíveis às mudanças ambientais (Kilick-Kendrich, 1990; Antoine et al., 1998; Handman 2000). As mudanças microambientais sofridas pelos promastigotas são drásticas, o tubo digestivo do flebotomineo com temperatura em torno de 26oC e pH 7,2 e o ambiente intracelular dos macrófagos de mamíferos (temperatura 35- 37oC e pH 5). Os amastigotas são menores em tamanho (cerca de 10 µm de diâmetro), ovóides, imóveis e com flagelo muito pequeno e intracelular. Eles vivem em vacúolos parasitoforos, se multiplicam lisando a célula, e em contato com outros macrófagos, ocorre novamente a infecção. Dependendo da espécie de Leishmania, se observa tropismo por macrófagos de diferentes tecidos, ocasionando diferentes patologias (ver abaixo, item "Formas clinicas"). Não há vacinas e a quimioterapia, utilizada há mais de quarenta anos para todos os tipos da doença, não é totalmente efetiva, apresenta efeitos colaterais sérios e casos de resistência (WHO, 2001). A L. amazonensis, parasita que utilizamos nas pesquisas em nosso laboratório, provoca lesões cutâneas simples e em baixa porcentagem de indivíduos infectados há evolução para a leishmaniose cutânea difusa.

Formas clinicas: Apesar do espectro das leishmanioses ser bastante complexo, podemos definir as principais formas clínicas, encontradas no Brasil, como sendo: leishmaniose cutânea (Fig. 2b), leishmaniose mucosa (Fig. 2e) e leishmaniose visceral (Fig. 2d) e leishmaniose cutânea difusa (Fig. 2c). Cada forma da doença é causada por uma espécie do parasita, e as características clinicas são as seguintes:

LC: lesões cutâneas simples de bordas elevadas e de cura lenta LCD: lesões cutâneas difusas de difícil tratamento LMC: lesões principalmente na mucosa nasal, com destruição de cartilagem LV: presença de parasitas em órgãos como baço, fígado e medula óssea

Em nosso laboratório estudamos a espécie Leishmania amazonensis, presente principalmente na região Amazônica e que provoca lesões cutâneas ulceradas em humano. Um número pequeno de casos de leishmaniose cutânea difusa causada por L. amazonensis foi descrito.

Diagnóstico O diagnostico da leishmaniose varia conforme o tipo da doença. No caso da LC, o teste de Montenegro, uma reação de hipersensibilidade do tipo tardio a antígenos do parasita, é o método indicado. Para a LMC, o mesmo teste pode ser aplicado. Em pacientes com leishmaniose visceral, testes sorológicos (ELISA, imunofluorescência) são indicados para a confirmação da doença. Há diversas dificuldades nos diagnósticos das leishmanioses, tais como reprodutibilidade e sensibilidade, aspectos que estão sendo otimizados em vários laboratórios do mundo.

Tratamento Os compostos antimoniais pentavalentes são as drogas utilizadas na terapia das leishmanioses há mais de 40 anos. As marcas usadas são: glucantime e pentamidina, sendo o glucantime a droga utilizada no Brasil. Estes compostos são administrados em doses de aproximadamente 20 mg/Kg/dia de antimônio durante períodos que variam conforme a tipo de leishmaniose. No caso de leishmaniose visceral os pacientes são internados em hospitais para o tratamento com antimoniais. Os antimoniais pentavalentes são hepatotóxicos, nefrotóxicos e afetam a função cardíaca. Estes efeitos são bastante comuns e tem justificado a pesquisa de novas drogas contra a leishmaniose. O custo é de cerca US$ 30 para o tratamento semanal com glucantime. Casos de resistência a este composto também têm sido publicados recentemente na literatura cientifica. Drogas como a anfotericina B e anfotericina B conjugada a lipossomos são utilizadas como terapia de segunda linha, mas os altos custos e a toxicidade destes compostos também inibe o uso em grande escala. Não há vacinas contra as leishmanioses.


Fonte: Lab Leishmaniose

Fonte:

http://www.e-science.unicamp.br/lableish/informativos/novidades_completo.php?id_novidade=2

 

 


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