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Cirurgia/Anestesia

Quais os fatores de risco para hérnia inguinal em adulto?

05/06/2008

Revista da Associação Médica Brasileira

 

Rev. Assoc. Med. Bras. v.54 n.2 São Paulo mar./abr. 2008

doi: 10.1590/S0104-42302008000200004 

À BEIRA DO LEITO
MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS

 

Quais os fatores de risco para hérnia inguinal em adulto?

 

Wellington Tadeu Sperandio; Thiago Queroz; Rômulo Paris Soares; Gizela Kelmann; Wanderley Marques Bernardo

 

 

P : Pacientes adultos de ambos os sexos

I : Hérnia inguinal primária

C : Pacientes sem história de hérnia inguinal

O : Fatores de risco

As hérnias inguinais possuem elevada prevalência na população geral, sendo maior no sexo masculino. Entre as hérnias abdominais a hérnia inguinal é a mais prevalente. A fragilidade da parede abdominal e o aumento da pressão abdominal têm sido considerados como os mecanismos etiopatogênicos principais e, naturalmente, têm impulsionado o conceito de que a tosse em pacientes tabagistas ou com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a história familiar e a constipação intestinal são os principais fatores de risco.

Com objetivo de avaliar os fatores de risco para hérnia inguinal na população geral, realizamos uma revisão sistemática de estudos caso-controle, na base Medline, através da estratégia: "Hernia, Inguinal" [Mesh] AND ("Occupational Diseases" [Mesh] OR "Work"[Mesh] OR "Risk Factors"[Mesh]). Foram recuperados 275 artigos, analisados individualmente pelo título e resumo.

Na análise dos resultados foram incluídos os estudos caso-controle de língua portuguesa, inglesa ou espanhola, relacionados à dúvida clínica (PICO) e que obtiveram escore na escala Newcastle-Ottawa1 superior a seis.

A população de expostos inclui homens e mulheres de 20 a 80 anos, com hérnia inguinal primária. E a de não expostos, pacientes sem história de hérnia inguinal.

Os desfechos: DPOC, história familiar, tabagismo e constipação puderam ser agrupados2,3, obtendo-se uma amostra de 1.615 pacientes (781 casos e 834 controles). A análise dos resultados demonstrou aumento do risco absoluto (ARA) de hérnia inguinal em pacientes com DPOC de 1,9% (IC95% +0,2% a +3,6%) - NNH: 53; com história familiar de 9,4% (IC95% +6,7% a +12,1%) - NNH: 10; e tabagismo de 6,4% (IC95% +1,5% a +11,3%) - NNH: 15. Não há evidência de aumento de risco na constipação: 1,5% (IC95% -1,3% a +4,3%).

A atividade esportiva, analisada em população de 197 pacientes (72 casos e 125 controles), reduz o risco de hérnia inguinal (NNT: 26)2.

E o esforço que envolve levantamento diário de peso (esforço físico elevado), quando comparado a pacientes que não realizam esforço físico4, aumenta o risco em 93,6% (IC95% +84,7% a +102,5%) - NNH: 1.

Apesar dos limites metodológicos do estudo caso-controle, os fatores de risco para hérnia inguinal identificados podem ser considerados na prática clínica. A história familiar é definitiva. A diferença de magnitude entre os desfechos ressalta a importância do tabagismo e do esforço físico elevado. A prática esportiva protege.

Como podemos utilizar essas informações do ponto de vista prático, no ano de 2008, para reduzirmos o risco de hérnia inguinal em paciente de 20 anos com história familiar, tabagista e com atividade laborativa que envolve levantamento de peso diário: "Recomendemos que pare de fumar, que reavalie sua ocupação e que pratique atividade esportiva".

Nos próximos anos, no Brasil, aumentamos a probabilidade de menos um pré-operatório, menos uma anestesia, menos uma cirurgia, menos um pós-operatório, menos um "À Beira do Leito Hospitalar".

 

Referências

1. Newcastle - Ottawa Quality Assessment Scale. Case Control Studies. [cited 2008 mar]. Available from: http://www.ohri.ca/programs/clinical_epidemiology/nosgen.pdf        [ Links ]

2. Liem MS, Van der Graaf Y, Zwart RC, Geurts I, Van Vroonhoven TJ. Risk factors for inguinal hernia in women: a case-control study. The Coala Trial Group. Am J Epidemiol. 1997;146:721-6.         [ Links ]

Lau H, Fang C, Yuen WK, Patil NG. Risk factors for inguinal hernia in adult males: a case-control study. Surgery. 2007;141:262-6.         [ Links ]

 

                       Associação Médica Brasileira

 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302008000200004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

 

 



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