Anne-Deborah Bouhnik, MSc; Marie Preau, PhD; Marie-Ange Schiltz, MSc; Patrick Peretti-Watel, PhD; Yolande Obadia, MD; France Lert, PhD; Bruno Spire, PhD; MD; Grupo VESPA.
Segundo os investigadores do presente estudo, “a introdução de terapêutica anti-retroviral fortemente activa, relançou o debate sobre comportamentos sexuais de risco entre homens homossexuais infectados com o VIH”. Foram examinar a influência dos estilos de vida e da qualidade de vida relacionada com a saúde (QVRS) com a prática de relações sexuais desprotegidas entre parceiros ocasionais, numa amostra representativa de homens homossexuais infectados com o VIH, em França.
Em 2003 um estudo nacional, baseado em entrevistas directas, foi conduzido com uma amostra representativa de pacientes seleccionados de uma amostra aleatória de departamentos que fornecem cuidados para o VIH, em 102 hospitais franceses. Seleccionaram homens homossexuais que indicaram terem mantido, durante os últimos 12 meses, relações sexuais com parceiros ocasionais. Definiu-se como relação desprotegida, a prática de, pelo menos, um episódio de relação anal desprotegida, nos últimos 12 meses, com um parceiro ocasional. Os investigadores utilizaram a escala SF-36 para determinar a QVRS. Os indivíduos que indicaram terem mantido relações sexuais desprotegidas foram comparados com aqueles que indicaram não as praticarem, através do suporte estatístico dos testes de Qui-quadrado e de regressão linear.
Dos 1117 participantes do estudo, 607 indicaram terem tido parceiros ocasionais no último ano, dos quais 20 porcento (140) praticaram relações sexuais desprotegidas. 68 porcento dos indivíduos analisados apresentaram um índice QVRS muito fraco, independentemente de manterem relações sexuais desprotegidas, e mesmo após múltiplos ajustes no número de parceiros ocasionais, episódios de alcoolemia, consumo de ansiolíticos, utilização da Internet, e a utilização de espaços públicos para a prática de sexo.
Os investigadores concluíram que “os comportamentos de risco entre parceiros ocasionais é frequente entre homens homossexuais infectados com o VIH”. “Em conjunto com outros factores bem conhecidos, comportamentos deste tipo encontram-se relacionados com um indicador fraco de QVRS. É necessário uma melhor compreensão do plano de cuidados de forma a melhorar a qualidade de vida mental, o que origina uma prevenção secundária mais efectiva”. |