Antienvelhecimento/Longevidade - Afrodisíacos
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Antienvelhecimento/Longevidade

Afrodisíacos

04/03/2003

Uma das primeiras substâncias utilizadas como afrodisíaco foi o álcool. Terence, no livro Eunuchus, disse: "Sine Ceres et Libero friget Venus", isto é, sem comida e vinho não há sexo. Em um estudo publicado na revista Nature, em 1994, ficou demonstrado que a ingestão de pequenas doses de álcool aumenta o nível de testosterona (o hormônio masculino) na mulher - isto, sem dúvida, aumenta o desejo sexual feminino. Além disso, o álcool pode reduzir a ansiedade e libertar as inibições morais e culturais, deixando o casal com menos restrições ao sexo. Isto, porém, é tudo o que a ciência diz sobre o álcool como afrodisíaco. Se a dose for alta, entretanto, o efeito é o oposto: o álcool causa impotência sexual.


Muitos pratos exóticos e de sabor estranho também têm, segundo a cultura popular, poderes afrodisíacos. Entre estes, figuram, principalmente, os frutos do mar, conforme visto no quadro ao lado. Mas há iguarias extremamente estranhas, tal como o sangue de cobra, pênis de certos animais (o filósofo grego Hipócrates receitava o pênis de animais não somente para a libido mas, também, para picadas de cobras), o feto de porcos e vacas, testículos de veado, urina de vários animais, incluindo o elefante. O chá de pinhas de pinus também, segundo a crença, tem estes poderes. A regra geral é que quanto mais caro e mais exótico for o alimento, mais pessoas acreditam em seu poder afrodisíaco. Há, entretanto, representantes desta área em espécies mais comuns, como o amendoim, o côco, o pinhão, a uva, entre outros. Não há nenhuma evidência de que qualquer uma destas iguarias (exóticas ou não) tenham efeitos sobre o apetite e performance sexual. Mesmo assim, milhares de tigres asiáticos são abatidos anualmente para que seus pênis sejam extraídos, e acabem virando "sopa de granfino broxa".


A cebola, por mais incrível que pareça, tem sido utilizada como afrodisíaco desde os tempos mais remotos.
Muitos textos clássicos Hindu, sobre a arte de fazer amor, mencionam a cebola como um alimento pré-coito. Na era dos faraós, os celibatos não podiam comer cebolas, por causa de seus efeitos potenciais. Na França, era servido cebolas aos recém-casados na manhã após a lua de mel, para que eles restaurassem a sua libido. A ciência não encontra argumentos para sustentar este credo popular. Todos sabemos, porém, dos efeitos prejudiciais que a cebola pode ter na relação amorosa - o mau hálito pode vir a inibir o interesse sexual...


 


Algumas drogas têm, comprovadamente, efeito sobre a impotência masculina. A primeira droga que foi reconhecida pelo FDA como possuidora desta propriedade foi o ácido 3-hidroxi-2-(3-hidroxi-1-octenil)-5-oxo-ciclopentaneheptanóico, popularmente conhecido como alprostadil, aprovado no dia 6 de julho de 1995 pelo FDA, e fabricado pela Upjohn Company, sob o nome de Caverject. O inconveniente era que esta droga deveria ser injetada, com uma seringa, no pênis, minutos antes da relação sexual. A droga dilata o corpo cavernoso, permitindo uma maior entrada de sangue no pênis e a consequente ereção. Milhares de americanos correram às farmácias para adquirir o produto. Pouco tempo depois foi lançado o Viagra, também aprovado pelo FDA e produzido pela Pfizer, que além de possuir maior eficácia, era de ingestão oral - melhor do que o Caverject, que tinha que ser injetado. O QMCWEB já publicou um exemplar sobre o viagra.


Plínio, Celsus e Hipócrates receitavam o extrato de uma pequena mosca, a "mosca espanhola" ou Cantharis vesicatoria, para diversos males, incluindo a impotência sexual. Em vários países esta mosca ainda é ingerida para este fim. A ciência sabe que esta mosca contém o anidrido dimethil-3,6-epoxiperhidroftálico, conhecido como cantaridina. Este composto possui uma intensa atividade biológica, sendo tóxico em alta dosagem. Não há relação, entretanto, com a libido ou impotência. Na indústria, este composto é empregado como pesticida - é preparado sinteticamente, seguindo do método descrito por W.G. Dauben no Journal of America Chemical Society. 102, 6893 (1980). Este composto é extremamente tóxico: a ingestão de apenas 1.6g de moscas espanholas pode resultar na morte em menos de 24 horas. O uso como afrodisíaco, provavelmente, deriva de um de seus efeitos tóxicos: ao ser eliminado pelo organismo, o cantaridin irrita a mucosa do trato urinário, resultando no priapismo, uma persistente e anormal ereção do pênis, geralmente acompanhada de dor.
Concluindo, a grande maioria dos compostos e misturas tidos como afrodisíacos são cientificamente infundados - ou, numa linguagem corrente, são B.O's. A ciência busca encontrar mais compostos afrodisíacos - afinal, este é um mercado extremamente promissor. A cultura popular, entretanto, não aguarda os avanços científicos. Na maioria das vezes, basta uma indicação de um livro tipo "Seleções Digest" e a população passa a acreditar solenemente nos poderes do composto. Como, na maioria das vezes, a causa da impotência masculina é psicológica, a crença de super-poderes nestes produtos pode ajudar a reverter o quadro, e causar a ereção. Neste caso, basta ter fé, a composição química do produto pouco importa. Entretanto, poucas drogas são verdadeiramente afrodisíacas. O FDA norte-americano possui um excelente artigo sobre o tema, que pode ser acessado no site http://www.fda.gov/fdac/features/196_love.html.
É preciso ter cuidado e um senso crítico em relação aos milagres oferecidos pelas indústrias. Como diz um velho ditado, "O órgão sexual mais importante é aquele que fica entre as orelhas". Use bem o seu!


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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