ALTERAÇÕES ÓSSEAS NA HIPERCALCIÚRIA IDIOPÁTICA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
AUTORES:
MARIA GORETTI MOREIRA GUIMARÃES PENIDO:
Maria Goretti M. G. Penido: Penido MGMG
ELEONORA MOREIRA LIMA:
Eleonora M. Lima: Lima EM
VIVIANE SANTUARI PARIZOTTO MARINO
Viviane S. P. Marino: Marino, VSP
ANA LUIZA FIALHO TUPINAMBÁ:
Ana Luiza F. Tupinambá: Tupinambá ALF
ANDERSON FRANÇA:
França A
MARCELO FERRAZ DE OLIVEIRA SOUTO:
Marcelo F. O. Souto: Souto MFO
TITULAÇÃO DOS AUTORES:
1. Professora Adjunta – Doutora em Medicina (Pediatria) - Faculdade de Medicina – Departamento de Pediatria - UFMG
2. Professora Adjunta – Doutora em Medicina (Nefrologia) - Faculdade de Medicina – Departamento de Pediatria - UFMG
3. Professora Assistente – Mestre em Medicina (Pediatria) - Faculdade de Medicina – Departamento de Pediatria - UFMG
4. Médica Residente em Nefrologia Pediátrica da Faculdade de Medicina - USP
5. Médico formado na Faculdade de Medicina - UFMG
6. Médico Residente em Pediatria da Faculdade de Medicina - UFMG
INSTITUIÇÃO:
UNIDADE DE NEFROLOGIA PEDIÁTRICA - HOSPITAL DAS CLÍNICAS - FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERA.L DE MINAS GERAIS – BELO HORIZONTE – MINAS GERAIS
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA:
MARIA GORETTI M. G. PENIDO
RUA TOMÉ DE SOUZA, 1292 APTO 101,
LOURDES, CEP: 30 140 131, BELO HORIZONTE,
MINAS GERAIS, BRASIL
e-mail: mariagorettipenido@yahoo.com.br
TELEFAX: (31) 3241 4466
TELEFONE: (31) 3225 2885
CELULAR: (31) 99932524
Resumo
Com o objetivo de avaliar as alterações ósseas em crianças e adolescentes portadores de hipercalciúria idiopática (HI) no momento do diagnóstico, estudou-se 88 pacientes (G1) e 29 controles (G2). O G1 foi dividido em 2 subgrupos (Sg): Sg1A (portadores de cálculos urinários) e Sg1B (não portadores). Exames realizados nos 2 grupos: urina 24h: cálcio, citrato, hidroxiprolina, piridinolina, deoxipiridinolina; amostra única de urina: cálcio/creatinina, N telopeptídeo; sangue venoso: pH e gases, creatinina, uréia, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, paratormônio (PTH), osteocalcina; ultrassom renal; entre outros. A densitometria óssea (DEXA – Lunar DPX-IQ 22516) analisou o conteúdo mineral ósseo (CMO) e densidade mineral óssea (DMO) da coluna lombar (L2 – L4), colo do fêmur e corpo inteiro. Fósforo, fosfatase alcalina e ácido úrico séricos foram estatisticamente mais elevados em G1 vs G2. Do mesmo modo, cálcio, ácido úrico, fósforo e N telopeptídeo (p<0,0001) urinários foram estatisticamente mais elevados em G1 vs G2. O volume e o citrato urinários foram significativamente menores em G1 vs G2. Na densitometria óssea, G1 apresentou redução estatisticamente significante dos valores do CMO (p<0,01), CMOa corrigido pela altura da vértebra (p<0,01), CMOl corrigido pela largura (p<0,01), DMO (p<0,001), DMOvol corrigida pelo volume (p<0,001) e escore Z (p<0,001) da coluna lombar; assim como redução da DMO (p<0,05) do corpo inteiro; e DMO (p<0,01) do fêmur. A DMO da coluna lombar estava reduzida em31% (p<0,05) de G1 vs controles normais da literatura, assim como em 35% de G1 vs G2 (p<0,001) quando a DMO foi corrigida pelo volume da vértebra. N telopeptídeo correlacionou-se negativamente com a DMO e DMOvol da coluna lombar. A hiperuricosúria idiopática (HU) estava associada à HI em 32 (36%) pacientes. A presença de cálculos urinários foi detectada em 49 (56%) pacientes. Não houve diferença nos parâmentros sangüíneos, urinários e da densitometria óssea de Sg1 vs Sg2. Concluindo o presente estudo permite afirmar que: a HI é uma doença que se associa com aceleração do remodelamento ósseo e pode determinar precocemente redução da massa óssea em crianças e adolescentes; o N-telopeptídeo mostrou-se como o marcador de maior utilidade para detecção precoce do aumento da reabsorção óssea nesses pacientes; não se detectou efeito deletério da presença de cálculos urinários e de HU sobre a massa óssea desses pacientes; o impacto das alterações metabólicas associadas à HI foi mais evidente no osso trabecular.
Abstract
The purpose of the study was to evaluate bone mass in 88 children (Group 1: G1) aged 2-17 years, immediately after being diagnosed with Idiopathic Hypercalciuria (IH). Control group (G2) with 29 children, aged 4-16 years. G1 was divided in two subgroups (Sg): Sg1A (patients with urinary stones) and Sg1B (without urinary stones). Biochemical markers of bone formation (serum osteocalcin, alkaline phosphatase - Alk P) and bone resorption (urinary hydroxiproline, pyridinoline – Pyr, deoxypyridinoline – D Pyr, N telopeptide and calciuria) were measured as well as intact PTH (iPTH), urinary calcium, citrate and uric acid. Bone mineral density (BMD) and bone mineral content (BMC) were measured at lumbar spine (L2-L4), femoral neck, and total body using DEXA (Lunar DPX-IQ). Hypocitraturia (HC) was detected in 44 (50%) patients. Serum Alk P, iPTH, urinary calcium, uric acid and N-telopeptide (p<0.001) were significantly higher, whereas urinary volume and urinary citrate excretion were significantly lower in G1 vs G2. The following DEXA parameters were significant lower in G1 vs G2: lumbar spine - BMC (p<0.01), BMCh (adjusted for height; p<0.04), BMCw (adjusted for the width of vertebrae; p<0.01), BMD (p<0.0001), BMDvol (corrected for volume of vertebrae; p<0.001) and Z score (p<0.001); total body: BMD (p<0.05); femoral neck: BMD (p<0.01). Lumbar spine BMD corrected for volume of vertebrae (BMDvol) was lower in 35% patients compared to G2 (p<0.001). Patients with HC had lower lumbar spine BMC (p<0.01), BMCh (p<0.001), BMCw (p<0.01) and BMD (p<0.01) in comparison with patients without HC. In contrast, biochemical bone markers and bone densitometry parameters did not differ between Sg1A and Sg1B. N telopeptide was inversely correlated to spine BMD (p<0.05) and spine BMDvol (p<0.05). Conclusions: These findings confirm an altered bone metabolism in IH that was already present when the diagnosis of IH was made. Also hypocitraturia adversely affects BMD and may determine a high risk of bone fractures in these patients in the future.
Fonte:
http://www.sbn.org.br/