Odontologia Preventiva/Dentista - Intoxicação ocupacional por vapores de mercúrio na clínica odontológica
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Odontologia Preventiva/Dentista

Intoxicação ocupacional por vapores de mercúrio na clínica odontológica

31/08/2008
Colaborador



Autores: Soraia Gonçalves
Ilário Froehner Jr

Orientadores: Profª Vanira S. Benato
Profª Grácia Koerich

Instituições envolvidas: CIT/SC - HU / Universidade Federal de Santa Catarina

Objetivos
• Este trabalho irá evidenciar a sintomatologia, tratamento, cuidados, noções de toxicologia relacionadas ao mercúrio, para informar e alertar os acadêmicos e profissionais da área odontológica.

Introdução
• O mercúrio é uma substância de uso diário na clínica odontológica, no entanto é pouco evidenciado o seu potencial tóxico.

• A notificação de 2 casos clínicos no CIT/SC-HU, nos faz perceber a ausência de conhecimentos quanto a toxicidade e biossegurança.

Caso clínico 1

• J.V.B., sexo feminino, 38anos, Cirurgiã Dentista;
• Procurou o ambulatório do HU, 14/01/98;
• Com a queixa principal sendo cefaléia, falta de memória e indisposição;
• Exame de sangue e urina acusou níveis altos de Hg;
• Intoxicação crônica, ocupacional, devido a um vazamento de vapores de Hg no amalgamador durante 6 meses;

Fonte: CIT/SC- HU

Caso clínico 2

• T.M., Sexo Feminino, 22 anos, CD;
• Procurou ambulatório do HU, 29/9/98;
• Com a queixa principal de alteração de paladar, cefaléia, náuseas diárias;
• Não apresentava nenhuma alteração ao exame físico;
• Intoxicação aguda por Hg no ambiente de trabalho;

Fonte: CIT/SC-HU

Histórico

Segundo Campolina 2001;
• A intoxicação por Hg (mercúrio) é provavelmente a mais antiga das doenças profissionais;
• É descrito o uso da Hg desde a época pré-histórica, como constituinte de tintas, pinturas faciais e cerâmicas;
• Possui uso terapêutico como anti-sifilítico, diurético e catártico, mas vem sendo substituído gradativamente.
• Entre os surtos de “mercurialismo” históricamente importantes, destaca-se o ocorrido na Inglaterra. Os fabricantes de chapéus de feltro, expostos ao Hg, utilizado no processo de feltração, desenvolveram tremores e distúrbios psiquiátricos conhecido como a “loucura dos chapeleiros”.

Cacracterísticas físico-químicas

Segundo Lewis 1992;
• É o único metal líquido a temperatura ambiente;
• Inodoro, Ponto de ebulição: 37,5ºC;
• Encontrado na natureza de 3 formas: mercúrio elementar, sais de mercúrio e mercúrio orgânico.

Exemplos de fontes de mercúrio por formas químicas

Elementar: Termômetro, amálgama, extração de ouro
Inorgânico: Explosivos, anti-sifiliticos, cosméticos.
Orgânico: anti-sépticos, herbicidas, manufatura de papel

Fonte: Campolina 2001

Famacologia

• Meia vida varia de 3 a 8 dias, podendo chegar a 90 dias dependendo da quantidade absorvida;
• A toxicidade do Hg se deve a sua ligação covalente com grupamentos sulfidrilas das proteínas e enzimas, interferindo no metabolismo e função celular;
• A forma elementar atravessa a barreira hematoencefálica e placentária;
• É excretado no leite materno;
• Possui efeito teratogênico;
• Os rins e o cérebro são os locais de maior deposição;
• São excretados principalmente pelos rins e intestino;
• A tolerância no ambiente de trabalho é de 0,04mg/m3 em 48h de trabalho por semana, acima disso o ambiente é considerado insalubre pela OMS.


Fontes de absorção

• Via gastrointestinal - 0,1%
• Via respiratória - 74 a 80%
• Via cutânea - 2,2%
• Via ocular - 50%, não atinge o sistêmico ocasiona somente danos locais.

Fonte: Hursh et al, 1989

Sinais e sintomas da intoxicação por vapores de Hg

Intoxicação Aguda

Intoxicação Crônica

Sinais e sintomas clínicos da intoxicação por vapores de Hg

Intoxicação Aguda
• Poucas horas após a exposição
• Calafrios, gosto metálico, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréias, distúrbio visual, tosse, aperto no peito.

Dias após a exposição:
• Órgão alvo: Sistema respiratório
• Pneumonia, bronquite necrotizante, edema pulmonar;
• Insuficiência renal aguda;
• Gengivites e estomatites.


Intoxicação Crônica
• Tríade clássica de sinais : Tremores, Gengivites, Alterações psíquicas;
• Mudanças de personalidade, halucinações, delírios, insônia, diminuição do apetite, perda da memória, irritabilidade.

Dias após a exposição:
• Órgão alvo: SNC
• Danos na coordenação motora,
• Fibrose pulmonar,
• Alterações psiquiátricas,
• Tremores periféricos intensos.


Exposição dos olhos ao vapor de mercúrio

• Tremores oculares;
• Escurecimento das lentes oculares;
• Conjuntivites;
• Diminuição do campo visual em duas semanas da exposição aos vapores.

Fonte: Rosenmam et al,1986

Diagnóstico da intoxicação
• História clínico-epidemiológica;

• Achados laboratoriais:
– Dosagem no sangue;
– Dosagem na urina;
– Outros.

Correlação entre os valores mercuriais e alterações clínicas

Dosagem sangüínea:

• Valores até 5µg/dl : sem sintomatologia associada.

Dosagem na urina:
• Até 5µg/dl: normal, nenhuma alteração;
• 20-100µg/dl: elevado, diminuição da atividade cerebral;
• 100-500µg/dl: elevado, distúrbios do SNC e renais;
• Acima de 500µg/dl: nefrite, gengivites, distúrbios graves do SNC.


Tratamento para intoxicação aguda e crônica

• Uso de agentes quelantes;
• Acompanhamento do quadro clínico;
• Prevenção.

Agentes quelantes:
• Agentes quelantes, são agentes que contém grupos Sulfidril que se ligam ao Hg, retirando-o do organismo.
• Fármacos utilizados: Dimercaprol (BAL) e D-Penicilamina.
• Restrições de uso e efeitos colaterais.


Acompanhamento do quadro clínico
• Monitoramento cardíaco e respiratório;
• Hemograma;
• Exames de urina de 24 em 24 horas.

Fonte: Campolina,2001

Prevenção

• Normas de biossegurança: luvas, óculos, máscara, jaleco, para o assistente também!
• Amalgamador deve ser colocado em local muito bem arejado;
• Uso do lençol de borracha para a proteção do paciente (principalmente na remoção de restaurações de amálgama).

Fonte: Nimmo et al,1990


Referências bibliográficas

ANDRADE FILHO, A.; CAMPOLINA,D.; DIAS,M.B. Toxicologia na Prática clínica. 1ed. Belo Horizonte, Folium Cominicação,2001.

APOSHIAN,H.V.;MAIORINO,R.M.;RIVERA,M. et al. Human studies with chelating agents, DMPS and DMSA in clinical toxicology. J.Toxicol 1992;30:505-528.

ATTA,J.A.; FAINTUCH,J.J.;NASCIMNETO,L.O.T.;ROCHA, A. Intoxicação aguda letal por vapor de mercúrio. Revista do Hospital das clínicas Faculdade de Medicina de São Paulo 1992; 47:34-37.

BATES, B.A. Mercury. In Haddad L.M.;Shannon M.W.;Winchester,J.F.Clinical Management of Poisoning and Drug Overdose. Philadelphia: WB Saunders, 1998: 750-756.

FAINTUCH,J.J.;ROCHA, A.S. Intoxicação por Mercúrio no Brasil. Revista Brasileira Medicina 1990; 47:505-506, 508-509.

GOSELIN, R.E.;SMITH, R.P.;HODGE, H.C.; BRADDOCK, J.E. Clinical Toxicology of Commercial Products. 5ed. Baltimore :WW.1984.

RAHDE,A.F.;SALVI,R.M. Toxicologia da boca. 1 ed. Porto Alegre, Sagra-DC Luzzatto,1992.

KLASSEN,C.D. Metais Pesados e antagonistas de metais pesados. In Hardman JG, Limbird L.E. Goodman e Gilman’s As bases farmacológicas da terapêutica. 9 ed. Mc Graw Hill, 1996.


http://www.odontologia.com.br/artigos.asp?id=462

 

 

 


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