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Dicas de quase tudo da Dra. Shirley / dica

Horta doméstica

03/09/2008

GUIA DA HORTA DOMÉSTICA

 

Patrícia Botelho Garcia (a)

Regiane Rodrigues (a)

Prof. Wilson Maluf (b)

  1. Alunas do 8º período de Agronomia / UFLA
  2. Professor Titular do Departamento de Agricultura / UFLA
A produção de hortaliças em casa é fácil, basta ter espaço no quintal, ou até mesmo caixotes e vasos, para moradores de grandes cidades, algumas ferramentas e boa vontade.

Ao planejar uma horta devemos ter os conhecimentos de alguns passos importantes:

a. Área - é necessário um terreno de 6 a 10 m2 para satisfazer as necessidades de verduras e legumes de uma pessoa (sem contar os passadouros), água perto e suficiente, alguma insolação (sabendo que hortaliças folhosas: salsa, cebolinha, coentro e alface toleram sombreamento, já as raízes: cenoura e nabo, bulbos: alho e cebola e frutas: tomate, vagem e quiabo exigem um bom nível de insolação), abrigo de vento, solo agricultável (bem drenado) e ser cercado.Exemplo de instalação de um canteiro:
 
   

b. Adubação - o uso de adubo orgânico deve ser de 20-30 litros por m2.

No segundo cultivo, a dosagem poderá ser reduzida pela metade. A partir do terceiro, já poderá ser possível, em princípio, conservar a produtividade mantendo a permanente cobertura com palha ou composto de cobertura. A necessidade de material para cobertura será de 0,3 a 7 cm por 10 m2 de canteiro.
 

c. Irrigação - como regra geral podemos admitir que as hortaliças folhosas devem receber irrigação abundante, porém não exagerada e as raízes suportam e até se beneficiam de baixos níveis de irrigação.
O período de irrigação deve ser pela manhã e à tarde. Se necessário usar microaspersores.

d. Cultivo - deve começar pela verificação se as sementes das hortaliças estão adequadas à época do ano para o plantio e se estão dentro do prazo de validade. Escolher espécies e  variedades  que crescem  de  maneira  vigorosa, sem necessitarem de defensivos; que tenham ciclo  cultural  curto,  permitindo  um  maior  número    de   colheitas; que tenham porte relativamente pequeno e apresentem resistência às pestes em geral. Promover um esquema de rotação de sistema de produção, utilizando espécies diferentes das anteriores, visando quebrar a continuidade de infestação por pragas e doenças.
 
 
e. Hortaliças que não podem faltar:
  • Agrião-da-terra - indispensável por seu valor alimentar e medicinal, passa despercebida na maioria das vezes.
  • Alface - apesar de ser pobre em fibras, associa-se muito bem a diversas hortaliças.
  • Alho - apesar de ser de ciclo longo, possui notável efeito repelente, associa-se a diferentes espécies e mostra importantes propriedades medicinais.
  • Beterraba - compõe com o alho e a alface uma associação bastante eficiente.
  • Brócolis - substitui com vantagens a couve-flor (é mais rico em vitamina A)
  • Cenoura - muito rica em vitamina A, não poderá faltar em nenhuma horta caseira.
  • Cheiro-verde - é o famoso trio cebolinha, coentro e salsa. São intensamente consumidos e se aclimatam bem em todos os quadrantes do país.
  • Chuchu - só poderá estar presente na horta caseira se puder ser conduzido sobre muros, cercas ou árvores.
  • Chicória - menos preferida por ser um pouco mais fibrosa, o que é uma vantagem do ponto de vista nutricional.
  • Couve - combina bem com outras espécies, desde que plantada esparsamente para evitar o eventual sombreamento indesejável das espécies as quais estiver associada.
  • Couve-flor: é uma das hortaliças mais ricas do ponto de vista nutricional.
  • Cará-moela - extraordinário valor alimentar e elevada produção, precisa ser reabilitado nas nossas hortas. Deve ser plantado próximo de árvores, muros e cercas.
  • Feijão-vagem - na horta caseira sempre deverá haver um canteiro espaldeirado com feijão-vagem
  • Mostarda - folhosa de sabor picante.
  • Nabo - excepcionais propriedades alimentares e medicinais. Rico em sais minerais e vitaminas. Comido cru ou cozido, tem enorme efeito auxiliar para cura da hiperacidez estomacal e do sangue, descalcificação, anemia e excesso de colesterol. Sendo diurético, ajuda a eliminar cálculos renais e da vesícula.
  • Pimentão - rico em vitaminas A e C. Quatro ou cinco plantas são suficientes para cada família.
  • Quiabo - é uma das "preferências nacionais". Muito rústico e produtivo no período quente, no inverno é constantemente atacado pelo míldio. Quando podado, rebrota no verão seguinte.
  • Rabanete - possibilita em 30 dias acabar com a carência de sais minerais e vitaminas quando associada a algumas hortaliças como: cebolinha, couve, beterraba, etc. Além disso possui princípio antibiótico que protege o intestino das bactérias nocivas, sem afetar as benéficas.
  • Rúcula - igualmente ao rabanete, possui grande precocidade e valor alimentar.
  • Tomate – é uma das hortaliças mais populares, e consumida em maiores quantidades; é contudo, bastante susceptível a pragas e doenças.
f. Hortaliças facultativas:

Sempre que o espaço permitir, poderá ser considerado o cultivo de:

  • Aboboreira - de grande valor alimentar, fornece-nos frutos e brotos.
  • Agrião-d'água - é depurativo, antianêmico e espectorante, necessita de que o solo seja mantido bem úmido.
  • Batata-doce - produz raízes relativamente pobres em vitaminas e sais minerais.
  • Berinjela - é tida como diurética e desacidificante do sangue e constitui-se ótimo dentifrício e anti-séptico bucal que auxilia na cura da piorréia.
  • Cará - do ponto de vista alimentar, é tão valioso como é o inhame.
  • Cebola - muito importante pelo elevado valor medicinal.
  • Espinafre - apesar da fama de excelente fortificante, possui alto teor de ácido onálico, o que torna conveniente seu consumo moderado, não mais que uma vez por semana. Ele poderá provocar a formação de onalato de cálcio, causando cálculos renais e bursite, principalmente no organismo das pessoas que comem muita carne.
  • Inhame - muito rico em amido, proteínas e vitaminas. Poderoso depurativo do sangue.
  • Pepino - é considerado excelente diurético. Pode-se tentar o consórcio com o feijão-vagem, pois ambos necessitam de espaldeiramento.
  • Maxixe - justifica-se seu cultivo por ser extremamente rústico.
  • Mandioca - a raiz praticamente só contém amido, é mais seguro considerar as preferências regionais dos agricultores tradicionais.
  • Repolho - na medicina natural, chega a ser considerado uma erva medicinal, tal a sua utilidade em cataplasma na cura de abscessos, nevralgias, erisipelas, etc. É ainda alcalinizante e antianêmico pelo alto teor de sais minerais e vitaminas.
  • Taioba - muito saborosa e rústica, mas com alto conteúdo de ácido oxálico. Seu consumo requer os mesmos cuidados que para o espinafre.
 

g. Colheita - O reconhecimento do ponto de colheita é feita pela idade da planta, pelo desenvolvimento das folhas, hastes, frutos, raízes ou outras partes que serão consumidas, ou pelo secamento e amarelecimento das folhas.

De modo geral, as hortaliças folhosas e de hastes são colhidas quando estão tenras, as de flores quando os botões estão fechados, as de frutos quando as sementes não estão totalmente formadas e as raízes e bulbos quando estão completamente desenvolvidas.

Procure sempre saber o valor nutritivo dos alimentos e faça sempre uma alimentação bem balanceada. Seja vivo com a sua saúde. Condições adequadas para se preservar a saúde do ser humano devem existir em todos os lugares.
 
 

BIBLIOGRAFIA
 

MAKISHIMA, NOZOMU. Coleção Plantar, 4. Brasília: EMBRAPA-CNPH. 1993. 110p

FRANCISCO NETO, João. Manual de horticultura ecológica: Guia de auto-suficiência em pequenos espaços. São Paulo: Nobel, 1995.

    Fonte:   http://www2.ufla.br/~wrmaluf/bth054/bth054.html      


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