Autora: Laurie Barclay
Publicado em 15/08/2008
De acordo com os resultados de um estudo publicado on line no número de 12 de agosto do Diabetes Care, a suplementação com vitamina K por 36 meses em doses alcançáveis através da ingestão alimentar pode reduzir a progressão da resistência à insulina entre idosos do sexo masculino.
De acordo com Makiko Yoshida e seus colaboradores, do Jean Mayer US Department of Agriculture Human Nutrition Research Center, Tufts University, Boston, Massachusetts, “a vitamina K tem um papel potencialmente benéfico sobre a resistência à insulina, mas as evidências são limitadas em humanos. Testamos a hipótese de que a suplementação por 36 meses dessa vitamina melhora a resistência insulínica entre homens e mulheres idosos”.
Esse foi um estudo auxiliar de um ensaio clínico controlado, duplo-cego, randomizado e com 36 meses de duração cujo objetivo principal era avaliar o efeito da suplementação diária de 500 mg de fitoquinona (vitamina K) sobre a perda óssea. A amostra do estudo era constituída por 355 adultos não-diabéticos, com idades entre 60 e 80 anos, sendo 60% do sexo feminino. O principal desfecho era a resistência à insulina após 36 meses, que foi aferida através do modelo da homeostase (Homa-IR); o desfecho secundário foi avaliado através da dosagem plasmática de glicose e insulina em jejum.
A influência da suplementação de 36 meses de vitamina K verificada no Homa-IR era diferente entre homens e mulheres (interação entre gênero e tratamento: P = 0,02). Em comparação com o grupo controle, os homens que receberam suplementação da vitamina apresentavam resultados no Homa-IR, aos 36 meses, significativamente menores (P = 0,01), após o ajuste de variáveis como Homa-IR do início do estudo, índice de massa corporal (IMC) e mudança do peso corporal. Já entre as mulheres, não houve diferença significativa entre os dois grupos de intervenção estudados, nem no Homa-IR nem em nenhuma outra variável estudada.
De acordo com os autores, “a suplementação de vitamina K por 36 meses em doses alcançáveis pela suplementação alimentar pode reduzir a progressão da resistência insulínica entre homens idosos. Foi detectada uma relação inversa entre a concentração de fitoquinona e o IMC nas mulheres, sugerindo uma redução da capacidade de resposta à suplementação da vitamina”.
Dentre as limitações desse estudo, destaca-se o fato de tratar-se originalmente de um trabalho desenhado para verificar o efeito da suplementação da vitamina sobre a densidade mineral do osso e sua calcificação vascular em idosos de ambos os sexos; a possível incapacidade de generalizar os resultados para toda a população; as aferições realizadas não terem sido necessariamente obtidas por técnicas ideais; o poder estatístico limitado em detectar as diferenças nas respostas da suplementação da vitamina K através do Homa-IR; a amostra com uma população predominantemente caucasiana.
Os pesquisadores concluíram que, “em resumo, a suplementação de vitamina K por 36 meses tem efeito benéfico sobre a resistência à insulina entre idosos do sexo masculino, mas não do feminino. Como o estudo original não havia sido desenhado para verificar essa hipótese, esses achados precisam ser replicados por outros trabalhos com metodologia especialmente desenhada para verificar se a suplementação dessa vitamina apresenta realmente um efeito protetor sobre a resistência insulínica em idosos”.
Hermes Arzenemittel GMBH de Munique, Alemanha, doou os suplementos utilizados neste trabalho. O US Department of Agriculture e a American Heart Association patrocinaram o estudo. O Ministério da Educação, Cultura, Esportes e Tecnologia do Japão patrocinou um autor e a American Diabetes Association financiou outro.
Fonte:
Diabetes Care. Publicado on line em 12 de agosto de 2008.