Geriatria/Gerontologia/Idoso - Incontinência Urinária
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Geriatria/Gerontologia/Idoso

Incontinência Urinária

04/03/2003

Autores:
Incontinência Urinária
 
Marco Antonio Arap1

 
 

 
Cristiano Mendes Gomes1


1 Médico Assistente da Clínica Urológica do HCFMUSP

Quadro clínico e Epidemiologia

Incontinência urinária é a perda involuntária de urina pelo meato uretral, caracterizando um sintoma (a queixa de perda urinária), um sinal (a demonstração objetiva da perda de urina) e indicando uma doença de base que deve ser investigada. Cerca de dez a 30% dos adultos apresentam perda de urina em alguma fase de sua vida. Em instituições asilares, atinge metade dos indivíduos. Devido ao estigma social e ao fato de muitos acreditarem ser esta condição um processo natural do envelhecimento, alguns deles não relatam o fato ao médico, estimando-se que menos da metade dos indivíduos com incontinência urinária procura serviço médico pela queixa. Evidências recentes indicam que o tratamento adequado diminui a morbidade e seus custos, particularmente em pacientes institucionalizados.

As causas mais freqüentes da incontinência urinária são multiparidade (gestação/parto vaginal/episiotomia), obesidade mórbida, diabetes, imobilidade, alterações da cognição, medicamentos (diuréticos, drogas de ação central), obstipação, baixa ingestão hídrica, deficiência estrogênica, acidentes vasculares cerebrais, esclerose múltipla, doença de Parkinson) e atividades físicas de alto impacto.

Diversas condições podem causar ou contribuir para a incontinência urinária, algumas das quais reversíveis. O tratamento dessas condições pode reduzir ou até mesmo resolver a queixa urinária. São chamadas causas reversíveis de incontinência (tabela 1). A classificação de incontinência urinária aqui apresentada é baseada em sintomas como a urge-incontinência, a de esforço, e a paradoxal.

Na urge-incontinência, o principal sintoma é a perda involuntária de urina associada ao forte desejo miccional (urgência). A incontinência urinária de esforço associa-se a condições que elevam a pressão abdominal, como durante a tosse ou espirro. A incontinência paradoxal é a perda urinária involuntária com estados onde existe hiperdistensão vesical. Pode apresentar-se com gotejamento constante.

Tabela 1. Principais causas e tratamentos de incontinência urinária

trato urinário inferior

 


 

 
causa

 
tratamento

 

 
infecção urinária

vaginite atrófica

gestação/parto vaginal/episiotomia


pós prostatectomia


obstipação

 

 
antibióticos

estrogenoterapia (quando não contraindicado)

reabilitação do assoalho pélvico e treinamento vesical (especificar como feitas a reabilitação e o treinamento)

reabilitação do assoalho pélvico e treinamento vesical

desimpactação de fezes, dieta com fibras, hidratação, laxativos, etc


efeitos colaterais de drogas
 


 

 
causa

 
tratamento

 

 
diuréticos: causam poliúria e urgência
cafeína: irritante vesical
anticolinérgicos: retenção urinária, incontinência paradoxal, obstipação
psicotrópicos:
- antidepressivos: ação anticolinérgica (retenção urinária) e sedação
- antipsicóticos: ação anticolinérgica, sedação, rigidez e imobilidade
- sedativos, hipnóticos: sedação, delírio, imobilidade e relaxamento muscular
analgésicos narcóticos: retenção urinária, sedação, impactação fecal e delírio
bloqueadores alfa adrenérgicos: relaxamento uretral
agonistas alfa adrenérgicos: retenção urinária (presentes em muitas drogas para resfriados)
agonista beta adrenérgicos e bloqueadores de canal de cálcio: retenção urinária
álcool: poliúria, frequência, urgência, sedação, delírio e imobilidade

 
com todas as medicações, interromper ou mudar tratamento se clinicamente possível e alteração de dosagem caso uso seja imprescindível

aumento da produção de urina
 


 

 
causa

 
tratamento

 

 
metabólico pela hiperglicemia no diabetes ou para a hipercalcemia


aumento da ingesta hídrica hipervolemia:

- insuficiência venosa com edema

- insuficiência cardíaca

 
melhor controle do diabetes; tratamento para hipercalcemia dependendo da causa de base

reduzir ingesta hídrica e líquidos diuréticos (cafeína)

elevação de membros inferiores; restrição de sódio, meias elásticas

tratamento clínico


diminuição da capacidade da necessidade de urinar
 


 

 
causa

 
tratamento

 

 
delírio


doenças crônicas e ortopédicas que restringem a mobilidade

psicológicas e psiquiátricas

 
diagnóstico e tratamento da causa do estado confusional agudo

micção de horário; uso de recipientes de coleta urinária

tratamento farmacológico ou não farmacológico das causas


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