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A auto preservação do sêmen deve ser considerada quando um homem pode se tornar infértil, tanto voluntaria (após vasectomia, por exemplo) como involuntariamente (necessidade de cirurgia testicular, quimioterapia ou radioterapia). Em qualquer das situações anteriormente citadas, a simples orientação para colheita e criopreservação de três amostras de sêmen pode assegurar o potencial de fertilidade do paciente.
A criopreservação de sêmen é uma técnica utilizada há mais de 30 anos, quando se estabeleceram os bancos de sêmen. Simples e de baixo custo, o processo permite conservar os espermatozóides viáveis praticamente durante toda a existência do indivíduo.
Até 5 anos atrás, as indicações para o congelamento do sêmen eram relativamente restritas, uma vez que a perda de células no descongelamento, associada aos métodos de reprodução até então utilizados, não ofereciam resultados promissores. Entretanto, com o desenvolvimento da técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), atualmente é possível congelar sêmen com qualidade e quantidade até então inimagináveis. As principais indicações da autopreservação podem ser assim resumidas:
A - Não Tumorais
- Pré-vasectomia: entre 1 a 20% dos vasectomizados desejam novamente a paternidade e podem se beneficiar do sêmen estocado sem a necessidade de uma reversão de vasectomia
- Paraplégicos em fase inicial: grande parte dos paraplégicos, numa fase inicial, pode colher o sêmen por masturbação ou com o auxílio de vibradores. Com o tempo, os surtos de infecção urinária, vesiculites, deferentites, epididimites e mesmo orquites tornam-se freqüentes e eles podem se tornar azoospérmicos, com o que a obtenção de espermatozóides vai se tornando cada vez mais difícil.
- MESA/TESE: tanto no programa de microaspiração de espermatozóides do epidídimo (MESA) quanto no de extração de espermatozóides diretamente dos testículos (TESE), associados ao ICSI, os espermatozóides excedentes podem ser congelados e, se a gravidez não ocorrer naquele ciclo, poderão ser utilizados em ciclos subseqüentes sem a necessidade de uma nova intervenção no escroto.
- Stress: a ansiedade de alguns pacientes, quando no dia da colheita do sêmen para um determinado programa de reprodução assistida (IIU, GIFT, IVF, ICSI), pode fazer com que não consigam colher material ou tenham uma emissão extremamente aquém do que são capazes de produzir. A simples colheita e a criopreservação fora deste dia pode viabilizar o programa.
B - Tumorais
- Tumor de testículo: nos países do ocidente, o câncer de testículo é, dentre os malignos, o mais freqüente na faixa etária entre 25 e 40 anos. Com o progresso continuado da cirurgia, radioterapia e quimioterapia, a sobrevida em pacientes com tumor de testículo mudou dramaticamente (> 90%), o que fez com que as atenções se voltassem para a qualidade de vida destes pacientes. Dentro desta realidade, torna-se desejável a preservação do potencial de fertilidade desses jovens adultos portadores de câncer de testículos.
Os pacientes com tumores de testículo apresentam sêmen de baixa qualidade por ocasião do diagnóstico, antes mesmo da orquiectomia ou qualquer outra terapia coadjuvante (50-80%). Por que isto ocorre?
Algumas razões podem ser apontadas: fatores que atuaram durante a vida fetal que provocaram transformações do gonócito em espermatócito podem causar uma disfunção gonadal na vida adulta; alterações na função das células de Leydig ocorrem bilateralmente nesses testículos; tumores que produzem hCG podem aumentar a síntese de estradiol; alterações no nível da testosterona podem prejudicar a função das glândulas sexuais acessórias diminuindo o potencial de fertilidade. Sendo assim, e com o intuito de propiciar a maior chance de preservação da fertilidade, sugere-se:
- na ocasião do diagnóstico, abordar a questão do potencial de fertilidade futuro e recomendar a colheita de 3 amostras de sêmen para criopreservação. Isto é particularmente importante em pacientes onde o testículo contralateral ao tumor for hipotrófico ou atrófico.
- quando perdemos esta chance, colher as amostras após a orquiectomia mas, preferentemente antes de qualquer terapia coadjuvante.
- Linfomas: os linfomas representam um grupo de doenças malignas de origem linforreticular. Nos linfomas classificados como doença de Hodgkin, os linfonodos são os mais freqüentemente comprometidos (>90%). Os linfomas do tipo não-Hodgkin compreendem uma grande variedade, desde nodulares até difusos. A maioria deles parece derivar de uma proliferação monoclonal de células B, não apresentando marcadores de superfície celular distintos.
Atualmente, a sobrevida dos pacientes com estes linfomas (Hodgkin ou não-Hodgkin) tem aumentado consideravelmente e a cura é uma possibilidade real. Este progresso tem sido atingido graças, principalmente, às formas mais efetivas de diagnóstico precoce, cirurgia, esquemas de quimioterapia, radioterapia ou uma combinação de vários deles. Todavia, a qualidade do sêmen destes pacientes é inapropriada, antes mesmo que qualquer forma de tratamento seja utilizada. A explicação deste fato ainda não aconteceu e algumas sugestões tem sido apresentadas: febre intermitente, o stress pela própria doença e condições nutricionais.
O aumento na sobrevida destes jovens pacientes com linfoma tem levado à preocupação com a qualidade de vida após o controle da doença e, neste sentido, a preservação da fertilidade através da criopreservação do sêmen, conduta simples, deve ser tomada assim que o diagnóstico é estabelecido.
IMPORTANTE
- Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios.
- As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
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