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A capilaroscopia é um método através do qual podemos estudar os capilares por meio da microscopia ótica associada à epiiluminação. É uma técnica realizada "in vivo", não traumática e de fácil execução, com a qual podemos evidenciar alterações morfofuncionals precoces na microcirculação. Esta técnica, desenvolvida por necessidade de se estudar a nutrição da pele, surgiu como um método de pesquisa, no inicio do século, quando foi usada descritivamente. Na época, o desconhecimento da fisiologia da microcirculação impedia maiores avanços.
Com o desenvolver do conhecimento, o uso da capilaroscopia passou a permitir que os pesquisadores associassem as alterações morfológicas encontradas no capilar à fisiologia da nutrição da pele e ao quadro clínico das doenças, chegando a ser considerada por Gilge(1) como uma "biópsia real", onde se estudava o tecido vivo através da microscopia ótica.
A primeira descrição de visualização dos capilares da prega ungueal foi feita porJohan Christofhorus Kolhaus, em 1663. Porém, somente no século XIX surge verdadeiramente o uso da técnica, de início para a pesquisa e desenvolvimento do método e, depois, para a correlação clínica.
A luz refletida foi um avanço utilizado pela primeira vez por Heuter(2), em 1879, para estudar os capilares do bordo interno do lábio inferior. A este método de estudo ele chamou de "caleidoscópio". O uso de uma gota de óleo sobre a pele, tomando-a transparente, foi feito por Unna(3), o que permitiu melhor visualização dos capilares.
Em 1912, Lombard(4) descreve a disposição dos capilares paralelos à pele na prega ungueal, valorizando a região para a realização da capilaroscopia. Local onde o pesquisador poderia ter uma visão de toda a extensão deste vaso. O autor chama a atenção, ainda, para a regularidade da disposição das alças e a constância de sua morfologia.
Começam a surgir os primeiros trabalhos em que os autores utilizam o método para a correlação com a clínica.
Em 1916, Weiss(5) descreveu, pela primeira vez, modificações na prega ungueal. O autor chamou a atenção para as alterações morfológicas dos capilares em pacientes com alcoolismo e com diabetes mellitus. Afirmou ainda que, no diabético, elas foram essencialmente caracterizadas por uma dilatação "graciosamente"localizada sobre alça do capilar que une o ramo arterial ao ramo venoso. |
Em 1921, Weiss(6) afirmou que o método não fornecia informações sobre a estrutura histológica dos vasos capilares, já que apenas se via o seu conteúdo, que ele chamou de "corante sanguíneo". Descreveu, ainda, o capilar como uma alça formada por dois ramos paralelos, nos quais o sentido da circulação permitia, facilmente, diferenciar o ramo arterial ou aferente do ramo venoso ou eferente, e que eles tinham calibres semelhantes, sendo que o arterial era um pouco mais estreito que o venoso. Disse também que o fluxo sanguíneo, nos indivíduos normais, era contínuo, rápido. Foi, portanto, uma das mais completas descrições do capilar normal.
Freediander & Lenhart(7) (1922), observando a microcirculação, afirmaram que "é evidente que o sistema cardiovascular existe, unicamente, para regular o fluxo sanguíneo através do capilar".
Crawford(8), em 1926, utilizando uma técnica para filmar estes vasos na prega ungueal, observou oito indivíduos normais, durante quatro dias, sempre à mesma hora e à mesma temperatura. Com este trabalho, ele afirmara que a variação do tamanho do capilar em um mesmo indivíduo fora muito grande, o que tomou esta avaliação inútil. Já o calibre do vaso apresentou pequena variação, permanecendo aproximadamente o mesmo, todos os dias: os capilares de prega ungueal estiveram permanentemente abertos.
Bown & Roth(9), em 1927, mostraram que o capilar se apresentou em forma de grampo, com o seu ramo venoso mais longo que o arterial e com um certo grau de tortuosidade.
Wright & Duryee(10), em 1933, chamaram a atenção para o fato de ser o capilar a mais essencial unidade do aparelho circulatório e, assim mesmo, a parte mais desconhecida. Em seu trabalho observaram o diâmetro do ramo arterial algumas vezes apresentar-se muito estreito, dificultando a passagem de uma hemácia, ou muito largo, permitindo a passagem simultânea de muitas delas. Os autores observaram ainda que tanto o ramo arterial como o venoso tinham formado um ângulo reto com arteríola e vênula.
(*) Chefe do Serviço de Angiologia do HUCFF-UFRJ; prof. adjunta da Fac. de Medicina da UFRJ, doutora em Cir. Vascular |