Medicina Esportiva/Atividade Física - A Diabetes x Exercicios
Esta página já teve 114.643.435 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 27.779 acessos diários
home | entre em contato
 

Medicina Esportiva/Atividade Física

A Diabetes x Exercicios

06/12/2008


DIABETES
Perturbação do metabolismo geralmente devida à falta ou uma incapacidade de ação eficiente da insulina pancreática e que leva à significativa e mantida hiperglicemia.

SINTOMAS
Muita sede, muita urina, um cansaço que nada resolve, fome intensa. Podem ainda apresentar-se visão turva, dificuldades de cicatrização, perda de peso sem motivo, infecções vaginais, dormência nas pernas, boca seca. Quando o diabético está se cuidando e se tratando, estes sintomas inexistem. Se está descontrolado, com a glicemia elevada, estes sintomas podem reaparecer.

TIPOS
Tipo 1: Sempre dependente de aplicações de insulina, porque seu pâncreas para de produzir insulina, provavelmente devido a que o sistema imunológico ataca as células beta pancreáticas, destruindo-as. Em geral, a diabetes tipo 1 incide na infância ou adolescência, em indivíduos magros, e é de apresentação súbita, podendo o diabético apresentar quadros de cetonemia.
Tipo 2: É a forma mais comum de apresentação da diabetes. Na grande maioria incide sobre indivíduos sedentários, obesos, maiores de 40 anos e tem muito forte predisposição hereditária. Pode ser tratada apenas com alimentação equilibrada e exercícios ou necessitar também de medicação (hipoglicemiantes orais e, às vezes, insulina injetável). Como seus sintomas vão-se apresentando gradualmente, pode levar anos para ser descoberta, levando muitas vezes a complicações em decorrência deste período sem controle.
Tipo 3: Surge relacionada a outras patologias ou a condições de uso de produtos hiperglicemiantes. É pouco comum.
Tipo 4: Gestacional. É quando a diabetes manifesta-se numa gestante que anteriormente não era diabética e que, devido ao estresse imposto ao organismo pela gestação e a fatores hereditários, esta condição se apresenta. Em geral desaparece ao final da gravidez, mas pode se reapresentar após algum tempo, passando a ser permanente.

INCIDÊNCIA
Cerca de 5 a 8% da população é diabética. Muitos não o sabem. O aparecimento da diabetes tipo 2 (cerca de 90-95%) é favorecido pela vida sedentária, má alimentação e obesidade. Em torno de 25% da população maior de 70 anos é diabética. Hoje em dia, com os conhecimentos e recursos para o tratamento, o diabético pode viver muito e bem, tanto quanto um não-diabético, basta poder e saber cuidar-se.

ATIVIDADES FÍSICAS
Parte importante do tratamento porque auxilia a reduzir e controlar os níveis de glicose e lipídios no sangue, além de inúmeros outros benefícios que tornam o diabético, como qualquer outro praticante, mais resistente, capaz e saudável. Preferencialmente deve ser orientada individualmente, após uma avaliação completa das condições, interesses e possibilidades do diabético.

BENEFÍCIOS
O exercício físico é parte de uma vida saudável para qualquer um. No diabético, como nos demais, leva a:
· fortalecimento do coração, músculos e vasos sangüíneos · aumento da capacidade cardio-respiratória
· ajuda a controlar a pressão arterial
· auxílio na redução das taxas de colesterol e triglicérides
· auxílio na redução de peso corporal
· aumento da resistência imunológica
· melhora das condições de sono e relaxamento
· aumenta a possibilidade de ingesta alimentar
· melhora do funcionamento digestivo
· aumento da sensação de bem-estar e favorece a auto-estima
· diminui a ansiedade e melhora a disposição geral
· favorece a socialização e a disciplina
· potencializa a ação da insulina e de alguns hipoglicemiantes,
· o que favorece a redução da glicemia (açúcar no sangue),
· auxiliando a equilibra-la (pois é um efeito que se mantém por cerca de 48 horas) - favorece a normoglicemia
· diminui necessidade de medicação · melhora a circulação sangüínea periférica, diminuindo a possibilidade do "pé diabético" e de microvasculopatias
· e tende a tornar o praticante mais consciente de seus sintomas por uma maior percepção corporal
· servindo, também, como um forte fator de adesão ao tratamento - entre outros fatores.
· Diminui ou retarda a incidência de complicações.

CUIDADOS E RISCOS
É melhor que as atividades físicas sejam orientadas por um profissional de educação física ou fisioterapeuta qualificados, pois há cuidados que devem ser observados e riscos a controlar:
· Realizar uma avaliação prévia detalhada
· Verificar as relações com: o Glicemia, Medicação, Alimentação, Outras medicações
· Verificar a presença de complicações: o Pé diabético, Retinopatia, Nefropatia, Pressão alterada, Neuropatias
· Observar se há insulina circulante
· Utilizar trajes e calçados adequados
· Manter-se bem hidratado
· Realizar atividades com acompanhantes
· Prestar atenção aos sintomas de hipoglicemia (e hiper)
· Levar consigo 'identificação' e alimento doce · Não exagerar na "dose" (nem demais, nem de menos)
· Escolher atividades agradáveis - descobri-las
· Preferencialmente diária e regularmente, de 20 a 60 min, respeitando suas condições e limitações
· Observar variações glicêmicas (especialmente ID)
· Manter a glicemia dentro de valores aceitáveis
· Manter-se atento e bem informado
· S O R R I R
Mesmo exercícios moderados são suficientes para produzir bons resultados. O objetivo deve ser o de tornar a atividade física regular um hábito consciente na vida do diabético. A prática de atividades físicas traz benefícios fisiológicos e psicológicos para o diabético. Mas. da mesma forma como a medicação não deve ser tomada sem cuidados e orientação, a atividade física é melhor ser bem orientada.

RESUMOS DAS PESQUISAS

EDUCAÇÃO EM DIABETES ATRAVÉS DE UM PROGRAMA DE ATIVIDADES FÍSICAS

DULLIUS, JANE; MATOS, TIAGO

PROAFIDI - FAC. EDUCAÇÃO FÍSICA - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - BRASIL

(www.unb.br/fef/diabetes - diabetes@unb.br)

Sendo a atividade física um dos pilares do tratamento da diabetes, necessitando de prescrição individualizada, acompanhamento, regularidade e freqüência, e sendo o professor de educação física aquele que tem ampla formação didático pedagógica na área de saúde, objetivamos avaliar se um programa orientado de atividades físicas poderia ser um bom instrumento para educação em diabetes.

METODOLOGIA: 18 diabéticos tipo 1 participantes do PROAFIDI há pelo menos 8 encontros responderam ao questionário: idades 17-54 (x@22), tempo DM 0-22 anos (x@13), escolaridade média superior incompleto, condição financeira mediana alta a maioria. Todos acompanhados por seus próprios endocrinologistas e ingressaram entre abril/2001 e abril/2002, tendo freqüentado entre 8 e 68 aulas (x@25). Freqüência média: 7/mês. Respondidas 22 questões sobre diferentes aspectos relacionados à educação em diabetes, sempre nas perspectivas 'atual' e 'antes'.

RESULTADOS: Pequeno aumento da freqüência de visitas à equipe de saúde, seja ao endocrinologista, a outros médicos, nutricionista, ou de exames (@2,77 ® 2,99). No entanto, todos (100%) relataram que as consultas são agora muito mais esclarecedoras e proveitosas do que antes (3 pouco ou nada esclarecedoras) (3,22 ® 4,70). Houve significativa melhora quanto à compreensão dos exames e sua importância (@3,09 ® 3,86). Quanto ao conhecimento sobre a ação e tipos de insulina, 9 diziam nada ou pouco conhecer e, após o programa, 10 dizem bem conhece-las (2,61 ® 3,78). Resultados mais significativos foram quanto à freqüência de automonitorização, passou de x@6 para x@17/semana, aumento de quase @200%; e com relação ao tratamento e ao acompanhamento deste, 12 agora se sentem confiantes, enquanto que antes 11 se consideraram pouco confiantes (2,94 ® 4,17). Antes, 14 raramente ou não transportavam consigo o glicosímetro, enquanto que, agora, 10 o portam (2 ® 3,44). Quando em situações de hipo ou hiper, todos agora relatam saber pelo menos mais ou menos o que fazer, enquanto antes 13 não sentiam segurança suficiente (2,94 ® 4,11). Houve um aumento na atenção aos sintomas e às condições de saúde, na compreensão principalmente dos efeitos da alimentação e do exercício. Aumento mediano na prática de auto-ajuste das doses de insulina (2,72 ® 3,33), mas um significativo aumento (12 agora sim contra 8 antes não) na segurança em faze-lo (2,5 ® 4,22). Estão muito mais seguros em relação ao acompanhamento de sua diabetes para a prática de diferentes tipos de exercícios (3,22 ® 3,94), e mais comprometidos com autocuidados (3,67 ® 4,11). Avaliaram que seu nível de conhecimento sobre diabetes cresceu muito (2,17 ® 3,89), bem como seu bem-estar em viver (3,56 ® 4,56).

CONCLUSÃO: Um programa orientado de atividades físicas, coordenado por profissionais qualificados, é um excelente meio de promover a educação em saúde para diabéticos.

PERFIL DAS PRÁTICAS FÍSICAS, ORIENTAÇÕES E INTERESSES DOS DIABÉTICOS INGRESSANTES NO PROGRAMA DE ATIVIDADES FÍSICAS PARA DIABÉTICOS TIPO 1 (PROAFIDI 1) DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

DULLIUS, JANE; ALCÂNTARA, MATEUS; ANDRADE, DANIEL; PONTES, GUILHERME; MATOS, TIAGO; ULHOA, LORENA; BORGES, ELISA

(PROAFIDI, Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília)

INTRODUÇÃO: Atividade física (AF) personalizada é parte importante no tratamento da diabetes mellitus (DM) e deveria ser orientada por profissional de educação física especialmente qualificado, em vista das inúmeras interferências e especificidades que este trabalho denota sobre o equilíbrio da saúde dos indivíduos diabéticos. A DM atinge cerca de 2 a 5% da população total, sendo a incidência do tipo 1 mais freqüente em indivíduos jovens, atingindo cerca de 0,1 a 0,4% da população. É uma síndrome crônica que interfere no metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, sendo a AF fator essencial para a melhoria da qualidade de vida, interferindo sobre os índices glicêmicos e colaborando para reduzir a possibilidade do aparecimento de complicações. No entanto, pouca atenção tem sido dada às pesquisas, publicações e prescrições individualizadas, levando-se em consideração as características particulares de cada um dos diabéticos tipo 1, como sua idade, interesses, nível de condicionamento, condições clínicas etc.

OBJETIVOS: Levantar qual é o perfil dos diabéticos tipo 1 que procuraram o PROAFIDI para participar de suas atividades físicas, no que diz respeito aos seus interesses, práticas que já vinha realizando, nível de conhecimento e orientações recebidas, capacidade de autoajuste de doses de insulina e alimentação para as práticas e acompanhamento por profissional de educação física qualificado.

METODOLOGIA: Foram coletados dados através de entrevista estruturada, aplicada aos ingressantes de abril/2001 a abril/2002. Foram 23 diabéticos, idades 17 a 54 anos (média 23), tempo de DM 0,4 a 38 anos (média 14), todos em acompanhamento médico e participando por livre vontade. Um 'n' significativo pela especificidade do quadro.

RESULTADOS E CONCLUSÕES: Observou-se que a grande maioria (83%) não recebe orientações suficientes por parte da equipe médica quanto aos cuidados necessários com sua saúde para a prática de atividades físicas e que nenhum era ou fora acompanhado ou orientado adequadamente por profissional de educação física qualificado, sendo 3 autodidatas. Concluiu-se ser necessária maior formação de profissionais de educação física adequadamente qualificados para atender a esta área e de pesquisas e publicações que possam subsidiar e orientar àqueles que visam atender a esta demanda, bem como a necessidade de maior divulgação sobre o grande valor deste trabalho. O nível de conhecimento sobre o assunto pelos diabéticos demonstrou-se entre pouco e razoável, a quase totalidade já praticava ou havia praticado atividades regulares e/ou intensas. As mais solicitadas modalidades para o programa foram recreação e jogos, escalada, alongamento, caminhada, aeróbica, hidroginástica, tênis, pólo aquático. Independente do tempo de DM, nenhum diabético sabia ajustar precisamente a insulina, alimentação e a glicemia às atividades físicas.

DOCE CAMINHADA NO PARQUE DA CIDADE

DULLIUS, JANE; MATOS, TIAGO; ALVES, ANA PAULA; LOPES, GUILHERME; MOREN, GUILHERME; FRANÇA, RODRIGO; SILVA, ESTHER; ABRITTA, FABIANA; BORGES, ELISA; MELLO, RENATA

PROAFIDI - FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - BRASIL

OBJETIVOS E MÉTODOS: Em comemoração ao Dia Mundial do Diabético, o PROAFIDI, com o apoio da Associação de Diabéticos de Brasília e de diversas outras entidades e empresas, realizou uma caminhada monitorada com diabéticos da comunidade do Distrito Federal 11/11/2001. O evento contou com a participação de 21 monitores do PROAFIDI, 10 colaboradores da ADB e FHDF e de uma ambulância do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar do DF, além de outros colaboradores. Compareceram às atividades, além de curiosos, acompanhantes e profissionais interessados, 39 diabéticos, sendo 6 crianças, 22 insulino-dependentes e 11 não-insulino-dependentes. Foram realizadas mais de 70 glicemias (apenas em diabéticos), sendo uma aferição antes da prática física, outra após. Todos os participantes foram orientados quanto à importância dos cuidados para com a saúde e para a manutenção da qualidade de vida. Também sobre os benefícios e cuidados da manutenção de atividades físicas variadas e, preferencialmente, orientadas, especialmente no que diz respeito aos diabéticos. Houve atividades especiais dirigidas às crianças presentes e aferições glicêmicas, orientações individualizadas, alongamento, caminhada, troca de experiências, informes sobre diabetes, cuidados, prevenção e direitos dos diabéticos e uma sessão de tai-chi-chuan.

Em média, foram encontrados os seguintes RESULTADOS:


Glicemia à chegada

(em mg/dl)
Variação média antes - média após média após

(alguns não realizaram as 2 aferições)

DMNID 171 (116 - 336) 172 - 125
T2 - DMID 229 (112 - 301) 235 - 174
T1 - Adulto 170 (068 - 175) 213 - 155
Crianças 185 (116 - 148) 185 - 082
Média 188 201 - 134

CONCLUSÃO: Eventos dessa espécie são muito úteis para congregar diabéticos e orienta-los de forma geral e, especificamente, quanto aos cuidados com sua saúde, especialmente no que diz respeito à prática de atividades físicas. Houve uma significativa redução da glicemia entre os presentes e foram motivados a virem participar do programa de educação e atividades físicas desenvolvido na Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília.

AQUISIÇÃO DE HÁBITOS SAUDÁVEIS POR DIABÉTICOS TIPO 1 DURANTE UM PROGRAMA DE ATIVIDADE FÍSICA

MARGARETE DE OLIVEIRA SILVA; JANE DULLIUS; KALINA BEZERRA; MÁRCIA GOBATO; LÍRIA MATSUMOTO

PROAFIDI - FAC. EDUCAÇÃO FÍSICA - UNB - BRASÍLIA - BRASIL

Este estudo originou-se devido ao fato, já comprovado cientificamente, de que a atividade física, bem orientada, deve fazer parte do tratamento do diabetes, por esta trazer grandes benefícios à saúde.

OBJETIVO: Avaliar se houve aquisição de novos hábitos e quais são, por um grupo de diabéticos tipo 1 participante de um programa de atividade física orientado. Sendo o fator autocuidados considerado muito importante no tratamento do diabético, buscou-se verificar se houve aquisição de novos hábitos de vida diária, especialmente relativos ao autocontrole glicêmico.

METODOLOGIA: A presente pesquisa foi realizada durante o andamento da I fase (Piloto) do Projeto "Diabetes, Atividades Físicas, Qualidade de Vida", no período de abril a junho de 2001 na FEF-UnB. A amostra foi formada por 7 diabéticos, idades entre 19 e 54 anos. Dois já faziam atividades físicas intensas e regulares, 3 faziam atividades moderadas e não regulares e 2 eram sedentários. Não realizavam monitorização glicêmica durante as atividades. Utilizou-se questionário para entrevista do tipo não estruturado, mini gravador e mini fitas cassetes. Cada diabético foi contatado pessoalmente para a entrevista individual, o objetivo do estudo exposto e, após consentimento dado por eles, realizada a entrevista.

RESULTADOS: A totalidade dos alunos do grupo da amostra respondeu ter adquirido novos hábitos. A auto monitorização foi o principal fator mencionado por todos, pois antes o autocontrole glicêmico era esporádico ou não realizado. A grande maioria tem estado mais interessada em relação à alimentação, para poder compreender melhor o efeito na glicemia e suas variáveis. A maior parte dos entrevistados se mostra mais confiante em aceitar ou até mesmo sugerir ao médico ajustes na insulina aplicada. Todos referiram entusiasmo e orgulho por estarem fazendo algo de bom para suas vidas. Quase todos estão mais atentos aos cuidados com os pés. Todos afirmaram ter adquirido mais conhecimentos em temas como índice glicêmico, efeito rebote, pico de insulina; benefícios da atividade física (potencialização da insulina e redução de fatores de risco); noção de suplementação glicêmica durante a atividade física; autocuidado com os pés, hidratação e riscos da atividade física mal orientada. CONCLUSÃO: A presente pesquisa veio comprovar que um programa orientado de atividade física oferece benefícios incontestáveis, sustentando pilares do tratamento do diabetes, podendo integrar grupos, trazendo mais confiança e autocontrole e, assim, melhorar sua qualidade de vida.

AVALIAÇÃO DA VARIAÇÃO GLICÊMICA EM DIABÉTICOS TIPO 1 EM UMA AULA DE ESCALADA NO PROGRAMA ORIENTADO DE ATIVIDADES FÍSICAS PARA DIABÉTICOS (PROAFIDI).

TULIO LINS, MATEUS ALCÂNTARA, JANE DULLIUS.

PROAFIDI, FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA-FEF, UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA-UnB, BRASÍLIA, DF.

INTRODUÇÃO - A atividade física é um dos pilares do tratamento para o diabético, pois ajuda a controlar os níveis glicêmicos, geralmente fazendo-os abaixar. Por isso a ingestão de carboidratos antes da atividade é recomendada para evitar hipoglicemias. No entanto, a atividade predominantemente anaeróbica e intensa estimula a produção de hormônios hiperglicemiantes, podendo causar, no indivíduo diabético, hiperglicemia durante ou após a atividade. A escalada esportiva é considerada um esporte de alta intensidade e de característica anaeróbica e isométrica, podendo ser praticada "in door", em muros de ginásio, como também em rochas.

OBJETIVOS - Avaliar a variação glicêmica de diabéticos tipo 1 durante uma aula de escalada. METODOLOGIA - Quatro diabéticos, média de idade de 23 anos (17-33), tempo de Diabetes Mellitus médio de 7,5 anos (3-16); participaram de uma aula de escalada esportiva realizada no ginásio do Centro Olímpico, na FEF - UnB, pelo PROAFIDI. A aula durou cerca de 40 minutos (16:40-17:20) e cada indivíduo escalou o muro cerca de três vezes, com intervalos de repouso, ou atividade leve com bola entre as subidas. As glicemias foram aferidas no início (GI) e no final (GF) da atividade, bem como os dados de ingestão de carboidratos (CHO) e insulina atuante (IA) dos diabéticos.

RESULTADOS - Dos quatro indivíduos em três foi observado elevação da glicemia após a atividade, e em um, diminuição da glicemia, conforme a tabela abaixo.

Indivíduo GI (mg/dl) GF (mg/dl) CHO (g) IA (Unidades) (Hora da aplicação)
H 87 52 +/- 30 NPH 32 8:00
T 113 196 +/- 50 Mista 70/30 40/15* 9:00 / 13:30*
V 189 220 - NPH 36 7:00
W 159 189 - NPH 17 7:00

* Duas aplicações de insulina

CONCLUSÕES - Os casos estudados apresentaram diferentes perfis de acordo com a insulina atuante e consumo de carboidratos em cada indivíduo. Em dois casos, V e W, os resultados foram semelhantes, subiu a glicemia sem consumo de carboidratos. Nos indivíduos que ingeriram carboidratos antes da atividade observa-se situações contrastantes. No indivíduo T, a glicemia subiu significativamente, mesmo com insulina atuante e atividade intensa, enquanto no individuo H a glicemia abaixou, sendo estes dois bem condicionados fisicamente. Portanto sugere-se nesse tipo de atividade que a monitorização seja constante, já que não é possível prever a resposta glicêmica. Destaca-se também que a ingestão prévia de carboidratos nem sempre deve ser indicada, ou até mesmo contra-indicada, sendo necessário o acompanhamento por um profissional de educação física qualificado e o diabético bem instruído.

ANÁLISE DA PRESENÇA DO ESQUEMA BÁSICO INICIAL DE INSULINIZAÇÃO ENTRE DIABÉTICOS PARTICIPANTES DO "PROAFIDI" (PROGRAMA ORIENTADO DE ATIVIDADES FÍSICAS PARA DIABÉTICOS)

VASCONCELLOS, ROBERTA; DULLIUS, JANE

PROAFIDI - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - BRASÍLIA - DF - BRASIL

OBJETIVO: Observar quantos e quais diabéticos participantes do programa se utilizam do tradicional esquema inicial de insulinização proposto como 2/3 da dose antes do desjejum e 1/3 aplicada antes do jantar, sempre de insulinas de ação intermediária, visando levantar dados para posterior amplificação da análise.

JUSTIFICATIVA: O controle glicêmico é um importante fator na preservação e manutenção da saúde, e conseqüente melhor qualidade de vida, de um diabético mellitus tipo 1 e depende, essencialmente, da insulina a ele administrada. Esta insulina pode atuar em diferentes intervalos de tempo, dependendo de seu mecanismo de ação, da dose administrada e do local de aplicação. Assim, esta coleta inclui dados relativos à quantidade de aplicações ao longo do dia, número de unidades administradas em cada aplicação e o tipo de insulina ou análogo utilizado. Este trabalho será útil tanto para pacientes, aumentando a compreensão de diferentes esquemas insulínicos, quanto para profissionais de saúde, proporcionando um melhor esclarecimento quanto a esquemas de diferentes tipos de insulina e número de aplicações da mesma.

METODOLOGIA: Pesquisa bibliográfica, coleta de dados através de entrevista estruturada e questionário, além da elaboração de quadros comparativos entre os vários esquemas encontrados e os resultados a eles relacionados. A amostra constou de 23 sujeitos na faixa etária de 17 a 55 anos, diabéticos a 0,5 até 38 anos.

RESULTADOS: Dos 23 sujeitos avaliados, 6 deles (26,08%) utilizam o esquema mais tradicionalmente recomendado como inicial ao tratamento do DMID, sendo este a aplicação de 2/3 da dosagem diária de insulina de ação intermediária pela manhã e 1/3 da mesma insulina à noite. Dentre os 6 sujeitos que seguem este esquema, 3 deles (50%) são orientados por profissionais do serviço de saúde pública e possuem entre 0,5 e 15 anos de diabetes, com variados graus de controle glicêmico.

CONCLUSÃO: Diante dos resultados estudados, mostra-se que a utilização que esquemas pré-determinados de insulinização seria apenas para cumprir a necessidade insulínica em um primeiro momento, uma vez que um controle mais preciso da glicemia depende das atividades diárias de cada indivíduo (como alimentação, atividade física), não podendo ser pré-estabelecida sem o conhecimento de tais atividades.

INVESTIGAÇÃO DOS CONHECIMENTOS SOBRE O TRATAMENTO MEDICAMENTOSO EM DIABÉTICOS NÃO INSULINO DEPENDENTES

KALINA VERUSKA DA SILVA BEZERRA ; HUGO BITTENCOURT DE OLIVEIRA ROZENDO ; FILIPE SOBRAL DE FALCO MARINELLI ; FREDERICO SANTOS DE SANTANA ; VALDINAR DE ARAÚJO ROCHA JÚNIOR; JANE DULLIUS

PROAFIDI 2 - FAC. EDUCAÇÃO FÍSICA - UNB - BRASÍLIA - BRASIL

O estudo foi realizado nos meses de março e abril do ano 2002, num grupo de diabéticos não-insulino dependentes integrantes do PROAFIDI 2 (Programa de Atividades Físicas para Diabéticos tipo 2) inserido no Projeto de Pesquisa e Extensão da Faculdade de Educação Física para Pessoas com Diagnóstico de Doença Crônico-degenerativa na Universidade de Brasília (UnB).

OBJETIVO : Detectar no diabético não insulino-dependente conhecimentos sobre a medicação prescrita quanto ao tipo, dosagem, efeito, ação em horas.

METODOLOGIA: Foram avaliados 9 sujeitos sendo 4 mulheres e 5 homens com faixa etária entre 44 e 70 anos e tempo de diagnóstico da doença variando entre 4 meses à 20 anos. Todos os sujeitos são sedentários e a maioria se encontra acima do peso desejado para critérios de saúde. Um questionário aberto foi aplicado aos participantes da amostra, compondo perguntas referentes ao tipo de medicação utilizada, os critérios de prescrição relacionados ao tipo e dosagem, efeito e ação em horas.

RESULTADOS: Nenhum dos participantes da amostra apresentou conhecimento específico sobre o mecanismo de ação de seu medicamento, assim como não expressou informações básicas para desenvolver questionamento sobre a escolha de sua medicação. A totalidade dos sujeitos da pesquisa demonstrou extremo interesse em entender o processo do tratamento do diabetes e adquirir conhecimentos mais aprofundados a respeito dos componentes do tratamento, incluindo a medicação, sua ação e seus critérios de escolha.

CONCLUSÃO: Há evidência de uma grande lacuna no processo de educação dos diabéticos não insulino-dependentes em decorrência da desinformação sobre à patologia, provavelmente interferindo na compreensão da importância do tratamento e consequentemente em sua adesão.

BUSCA DE PADRÕES REFERENCIAIS DAS RELAÇÕES ENTRE A FREQÜÊNCIA CARDÍACA E A VARIAÇÃO GLICÊMICA DURANTE A PRÁTICA DE ATIVIDADES FÍSICAS POR DIABÉTICOS TIPO 1

DANIEL AUGUSTO ALVES DE ANDRADE; JANE DULLIUS; TIAGO MATOS; LORENA ULHOA; ANA PAULA FERREIRA ALVES; GUILHERME MOREN

PROAFIDI - FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - BRASIL

INTRODUÇÃO: Pelo fato de a atividade física ser parte do tratamento na diabetes e havendo poucas referências bibliográficas sobre a prescrição, especialmente para o caso de indivíduos tipo 1, jovens e não sedentários (fisicamente ativos), faz-se importante gerar estudos que orientem tais práticas. Objetiva-se tentar estabelecer padrões para o comportamento da variação glicêmica (VG) durante aulas de práticas físicas, relacionando tais padrões à intensidade verificada pela freqüência cardíaca (FC). Cabe ressaltar que tal propósito só pode ser realizado quando as variáveis insulinização e alimentação, entre outras, são mantidas razoavelmente estáveis, o que leva a estudos individualizados.

METODOLOGIA: Dentro do PROAFIDI 1 (Programa de atividades físicas para diabéticos) foram selecionados aqueles diabéticos freqüentes que por pelo menos 10 aulas mantiveram padrões regulares de insulinização e alimentação, variáveis altamente interferentes e particularmente diferenciáveis a cada indivíduo. Foram aferidos FC através de freqüencímetros (a cada aula 4 aferições) e VG capilar por glicosímetros. Buscou-se estabelecer as relações entre a VG de antes e após a aula com a média das FC aferidas. Para a determinação das intensidades foi utilizado o referencial da ACSM. Coleta de dados referente a um período quadrimestral.

RESULTADOS: As médias e desvio padrão (± sd) dos valores quadrimestrais médios individuais da VG, foram respectivamente para cada nível de intensidade (leve, moderada, intensa) ocorrente: PAM - na leve (3,25 ± 19,13 mg/dl), na moderada (3 ± 39,59mg/dl); ROV - na leve (31,25 ± 3,79mg/dl), na moderada (37 ± 20,78mg/dl); THF (com ingestão de CHO pré-atividade) - na leve (4 ± 11,54mg/dl), na moderada (3 ± 3mg/dl), na intensa (39mg/dl).

CONCLUSÃO: Observamos que o padrão referencial de VG em cada nível de intensidade torna-se mais fidedigno com um menor ±sd. Portanto, necessita-se de mais estudos e menor interferência das variáveis para que ocorra maior número de situações favoráveis que proporcionem médias e ±sd para o estabelecimento de uma padronização referencial, que só pode ser individual, à prescrição de exercícios, proporcionando mais segurança ao diabético e a seu orientador de atividades físicas.

PROGRAMA DE ATIVIDADE FÍSICA ORIENTADA: INFLUÊNCIA NA FREQÜÊNCIA DA AUTOMONITORIZAÇÃO

DULLIUS, JANE; LOPES, GUILHERME HENRIQUE RAMOS; MOREN, GUILHERME

PROAFIDI (PROGRAMA DE ATIVIDADES FÍSICAS PARA DIABÉTICOS) / FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA / UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - BRASIL

INTRODUÇÃO: A verificação da taxa glicêmica realizada pelo diabético (automonitorização) é fundamental no acompanhamento do tratamento do diabetes tipo 1, constituindo, ao lado de atividade física, alimentação adequada e medicação, os pilares de uma vida saudável para o diabético. OBJETIVO. Nossa pesquisa tem por objetivo detectar se um programa regular de atividade física orientada aumenta e melhora a automonitorização.

METODOLOGIA: Selecionamos 10 diabéticos que ingressaram no PROAFIDI 1 (Programa de Atividades Físicas para Diabéticos Tipo 1) e que cumpriram um mínimo de 10 aulas. Foi aplicado um questionário logo que entraram no projeto e depois de cumpridas 10 ou mais aulas foi feito novamente um questionário buscando os mesmos dados relativos à freqüência de automonitorização.

RESULTADOS: Ao ingresso (participantes / nº de automonitorizações glicêmicas):

02 / 4 ou mais x/dia, todos os dias;

03 / 2 a 3 x/dia, todos os dias;

02 / 2 ou 3 x/mês;

02 / eventualmente; e

01 / não faz.

Após 10 ou mais aulas:

06 / 4 ou mais x/dia, todos os dias;

01 / 2 a 3 x/dia, todos os dias;

01 / 2 a 3 x/dia, quase todos os dias; e

02 / 3 ou mais x/dia, 2 ou mais x/semana.

Em média, antes do programa, em torno de 10 e 13 aferições por semana; após, em torno de 22 a 25 automonitorizações semanais.

CONCLUSÃO: Dos resultados apresentados afere-se que um programa de atividades físicas orientadas se constitui num bom meio para aumentar a freqüência de automonitorização dos diabéticos, conferindo a esses mais segurança na prática da atividade física e um tratamento mais adequado ao diabetes, com maior controle.

Fonte:

http://www.unb.br/fef/diabetes/

 

 


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos