03 de Junho de 2003.
Poucos dados populacionais apóiam a hipótese de que a retinopatia hipertensiva é mais comum em pessoas de raça negra do que em pessoas de raça branca.
Num estudo feito por um grupo americano, publicado recentemente no Hypertension, os autores objetivaram examinar as diferenças raciais na prevalência da retinopatia hipertensiva bem como os fatores de risco numa amostra populacional de 1860 americanos africanos e 7874 pessoas da cor branca, com idade entre 49 e 73 anos, sem diabetes.
Foram tiradas fotografias da retina de um olho randomicamente selecionado e avaliou-se a presença de retinopatia ( hemorragia vítrea e maculopatias, microaneurismas e exsudatos moles) de acordo com protocolos padronizados em graus mascarados para as características dos participantes. A prevalência da retinopatia foi 2 vezes maior nos americanos africanos do que nos indivíduos de cor branca (7.7% versus 4.1%, com odds ration ajustados para idade e sexo [OR] 2.03, 95% de intervalos de confiança [IC] 1.65, 2.49).
Após um controle da pressão sanguínea arterial por um tempo médio de 6 anos, o uso de anti-hipertensivos e a aplicação dos critérios do ECG para hipertrofia ventricular esquerda, o excesso na prevalência de retinopatia nos americanos africanos reduziu em 40% (OR ajustado 1.61, 95% IC 1.26, 2.06). Novos ajustamentos para outros fatores de risco, expessura média da camada íntima-média da artéria carótida e níveis séricos de creatinina reduziram o excesso na prevalência em americanos africanos para outros 13% (OR ajustado 1.48, 95% IC1.08, 2.03).
Os autores concluíram que a retinopatia hipertensiva é duas vezes mais frequente em americanos africanos comparados com pessoas de cor branca sem diabetes e que o excesso na prevalência de retinopatia em americanos africanos está associao à pressão arterial e gravidade da hipertensão.
Racial Differences in the Prevalence of Hypertensive Retinopathy - Hypertension