Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca - Bezafibrato e doença coronariana
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Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca

Bezafibrato e doença coronariana

25/06/2003

Determinação angiográfica dos efeitos do
bezafibrato sobre a progressão da doença
da artéria coronária em homens jovens pós-infartados

 


Origem:  O bezafibrato tem efeitos sobre o metabolismo lipídico e a função hemostática. Realizamos um ensaio duplo-cego de intervenção, controlado com placebo, o BECAIT, Bezafibrate Coronary Atherosclerosis Intervention Trial  (Ensaio de Intervenção na Aterosclerose Coronariana com o Bezafibrato), a fim de estabelecer se o bezafibrato (200 mg, três vezes ao dia) podia retardar ou prevenir a progressão das lesões ateroscleróticas em homens dislipidêmicos sobreviventes de infarto do miocárdio, os quais tinham menos de 45 anos de idade na ocasião do evento.

Métodos:  Noventa e dois pacientes completaram um período inicial de 3 meses de intervenção dietética, sendo então randomicamente alocados ao tratamento com bezafibrato ou placebo. A intervenção dietética continuou durante o ensaio. Foi realizada angiografia coronariana basal e após 2 e 5 anos. Foram incluídos na análise de eficácia 81 pacientes (42 tratados com bezafibrato e 39 tratados com placebo), submetidos a uma angiografia basal e a pelo menos uma angiografia pós-tratamento. O objetivo principal foi avaliar a alteração da média do diâmetro mínimo da luz arterial.

Achados:  A média do diâmetro mínimo da luz arterial diminuiu, do basal até a última determinação angiográfica 0.06mm (95% CI, redução de 0.15 a aumento de 0.01) no grupo bezafibrato e 0.17mm (redução de 0.33 a aumento de 0.09) no grupo placebo.

O efeito do tratamento foi, portanto, de 0.13mm (95% CI, 0.10 a 0.15; p =0.049). Embora não estatisticamente significantes, foram observados efeitos paralelos do tratamento para os objetivos angiográficos secundários (diâmetro médio do segmento 0.02mm [0.01-0.04] e porcentagem de estenose -3.41% [-4.00 a -2.98]). A taxa cumulativa de evento coronariano foi significativamente mais baixa entre os tratados com bezafibrato do que entre os tratados com placebo (três versus 11 pacientes; p = 0.02). Houve efeitos significantes do tratamento com bezafibrato nas concentrações séricas de colesterol (-9%; p < 0.001), colesterol de lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL-C) (-35%; p < 0.001), triglicérides séricos (-31%; p < 0.001), triglicérides VLDL (-37%; p < 0.001) e fibrinogênio plasmático (-12%; p < 0.001), enquanto que as concentrações de colesterol de baixa densidade (LDL-C) não se alteraram. O colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL-C) aumentou significativemente com o bezafibrato (9%; p = 0.02).

Interpretação:  Os resultados mostram que o bezafibrato melhora a dislipidemia, baixa o fibrinogênio plasmático, diminui a progressão da aterosclerose coronariana focal e reduz os eventos coronarianos em sobreviventes jovens de infarto do miocárdio.

 

Lancet 1996; 347: 849-53

 


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