Medicina Esportiva/Atividade Física - A ciência e o doping em busca da perfeição corporal
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Medicina Esportiva/Atividade Física

A ciência e o doping em busca da perfeição corporal

08/02/2009
 

 

 


Autores: ALVES, Michelline C. de Souza*; GUIMARÃES, Lucas Costa*; JUNIOR, Roberto Costa Faria*; MACHADO, Wanessa P. Silva*; RODRIGUES, Kássia Duarte*;           SANTOS, Mariana Ferreira*; SEVERIANO Franciane C. da Silva*.  

 

* Graduandos em Nutrição pelo Centro Universitário de Formiga

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Palavras – chave: doping, doping genético, hitertrofia, terapia gênica.                               


 

Resumo

 

 Nas últimas décadas o crescimento do interesse na área da nutrição e sua influência no esporte, tem levados inúmeros pesquisadores a estudarem vários suplementos nutricionais, em busca de se conseguir um corpo perfeito, e ótimos resultados no esporte. É esse desejo q está levando vários atletas ao uso abusivo de substâncias ilícitas, que vem se desenvolvendo a cada ano, afim de alcançar resultados cada vez melhores. A terapia gênica levando ao doping genético poderá, ser mais um recurso para um melhor desempenho esportivo. O problema do doping vem do homem para o esporte e não vai do esporte para o homem.

 

 

Introdução

 

A busca pelo corpo "perfeito" pode levar muita gente a excessos que comprometam a saúde, principalmente no que se refere ao consumo indiscriminado de suplementos alimentares e

medicamentos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – ligada ao Ministério da Saúde - chama a atenção para o uso sem orientação desses produtos, capazes até mesmo de levar à morte. (MINISTERIO DA SAUDE.2006).

Os alimentos para praticantes de atividade física funcionam como repositores de energia e nutrientes. Normalmente indicam-se esses produtos se o organismo precisa de uma quantidade maior de proteínas e vitaminas ou quando o atleta não tem tempo para se alimentar de forma correta. Segundo a Anvisa, não se deve usá-los sem a orientação de um

nutricionista.  "Sem a ajuda do profissional, esses alimentos podem não trazer o efeito esperado e até mesmo causar um resultado indesejado, como o ganho de peso", explica Rodrigo Martins, técnico da Área de Produtos Especiais da Anvisa.(MINISTERIO DA SAUDE. 2006).

O ganho de massa muscular tem sido tema extremamente discutido nas ultimas décadas. A finalidade de tantas discussões consiste em beneficiar indivíduos nas mas variadas situações, sejam eles participantes de atividade física, atletas de elite, treinadores, ou até portadores de doenças associados a síndromes de perda muscular, como  a AIDS ou o câncer. Desta forma a busca por métodos capazes de estimular o aumento de massa muscular trouxe à tona reflexões sobre a prática de atividade física regular, bem como o uso de agentes farmacológicos e suplementos nutricionais (TIRAPEGUI,j; MENDES, R.R, 2001).

A hipertrofia muscular ocorre quando as taxas de síntese protéica são maiores do que as taxas de degradação protéica corporal. Maiores taxas de síntese dependem de um treinamento adequado em volume e freqüência, de período de descanso, de perfil hormonal favorável, e em especial, de uma oferta adequada de nutrientes que estejam envolvidos na hipertrofia muscular (NETTO, R.S.M. 2005).

O sucesso nos esportes depende, principalmente, da constituição genética de características metabólicas especificas, relacionadas a aspectos vitais para desempenho no esporte. Atletas com boa carga genética também precisam receber treinamento adequado para aumentar a força física, fortalecer a força mental e apresentar vantagens mecânicas. Entretanto, os atletas vão além do treino e usam substâncias e técnicas, geralmente conhecidas como ergogênicas, numa tentativa de ganhar vantagem competitiva. (WILLIAMS,M. 2004).

O problema do doping vem do homem para o esporte e não vai do esporte para o homem. O desejo do ser humano de se superar continuamente, tentando ser mais forte e mais potente, sem respeitar limites, pode ser evidenciado em todas as etapas da historias da humanidade. Um autor eslovaco menciona que o primeiro caso de doping ocorreu no paraíso, quando Eva oferece a Adão a maçã, dizendo que se comesse o fruto proibido seria tão forte e poderoso quanto Deus (ROSE.E.H; et al. 2004).

Casos de doping vem se tornando cada vez mais freqüente em nosso país e no mundo. Ciente desse problema a Agência Mundial vem realizando importante trabalho na conscientização e controle de atletas de elite(ROSE.E.H; et al. 2004).

As estratégias nutricionais para hipertrofia muscular devem garantir ao individuo condições ideais em todas as etapas do processo anabólico, ou seja, oferecer energia imediatamente antes e durante o treino, revertes o quadro de catabolismo para anabolismo muscular imediatamente após o treino, e por ultimo, manter o perfil anabólico nas próximas horas após o treino.(NETTO, R.S.M.2005).

O exercício e a alimentação exercem papéis iguais no desenvolvimento muscular. O exercício contra – resistência é necessário para estimular a remodelação do tecido muscular, para aumentar o conteúdo de proteínas muscular e também em outras adaptações fisiológicas que permitem tornar os músculos maiores e mais fortes. A alimentação é necessária para oferecer a energia para exercício, para potencializar a liberação de hormônios anabólicos, além de servir como substrato para síntese de proteínas e glicogênio corporais (NETTO, R.S.M.2005). 

O exercício físico tem mostrado exercer profundas influências sobre a hipertrofia muscular entre homens e mulheres, sendo considerando potente estímulo anabólico. Acredita - se que esta insatisfação seja causada principalmente pela grande variabilidade dos resultados obtidos entre os indivíduos, o que induz cada vez mais a procura por métodos complementares, como os agentes farmacológicos e suplementos nutricionais((TIRAPEGUI,j; MENDES, R.R, 2001).

A quantidade protéica necessária para o atleta de força deve ser oferecida durante todo o dia de quinze a vinte por cento do valor calórico total da dieta, distribuídos  nas refeições. As proteínas deve oferecer principalmente aminoácidos essenciais para que estes sejam utilizados para crescimento muscular. A capacidade do músculo em formar novas proteínas musculares depende não só da oferta de aminoácidos da dieta mas também da ingestão energética (NETTO, R.S.M.2005).

Uma revisão global da literatura corrobora o ponto de vista de que suplementos compostos por multivitaminas/minerais são desnecessários para atletas ou indivíduos fisicamente ativos que tenham uma dieta bem equilibrada e com um numero adequado de calorias. O uso de suplementos puros de vitaminas por atletas é legal e ético. Entretanto, alguns suplementos esportivos de vitaminas comercializados por empresas não-idoneas podem conter substâncias proibidas (WILLIAMS, M. 2004).

o suplemento alimentar tem de ser comercializado dentro das normas da Portaria 222, da Anvisa, de 24 de março de 1998. Por essa norma, os produtos devem conter em seu rótulo informações sobre os ingredientes, recomendação de uso, dados do fabricante, número de registro, valor nutricional e conteúdo líquido, entre outras referências.(MINISTERIO DA SAUDE.2006)

Nas ultimas décadas o crescimento do interesse na área da nutrição e sua influência no esporte, tem levado inúmeros pesquisadores a estudarem vários suplementos nutricionais com o intuito de retardar a fadiga, contribuir na melhoria do rendimento físico e promover a recuperação muscular (BRAGANÇA, E. 2003).

Atletas de diferentes níveis competitivos e indivíduos fisicamente ativos têm consumido, os mais diversos tipos de suplementos alimentares, na tentativa de superar marcas, recordes, ou até mesmo ultrapassar os seus próprios limites, colocando em risco a integridade física (BRAGANÇA, E. 2003).

O aumento do uso de substância ou métodos proibidos, destinados a melhorar artificialmente o desempenho esportivo, tem motivado uma ação intensa das autoridades nacionais e internacionais. Objetivo desta atuação visa evitar uma vantagem desleal de um competidor sobre os demais, alem de preservar os aspectos éticos e morais do esporte, e, sobretudo, a saúde dos atletas (ROSE.E.H; et al. 2004).

Uma substancia proibida é aquela que o corpo a produz naturalmente e sua concentração se desviar de valores normalmente encontrados em humanos e que sejam consistentes com uma produção endógena normal. (ROSE.E.H; et al. 2004).

No Brasil, ocorre uso indevido de especialidades médicas vendidas livremente nas farmácias de manipulação, que utilizam sais legalmente importados, como oxandrolona, estanozolal e testosterona. É preocupante a compra dos produtos importados ilegalmente ou compra ilegal de produtos fabricados em outros países, alguns com bula em língua estrangeira ou sem bula. Alguns destes produtos são falsificados e vendidos em ampolas não esterilizadas. (LISF, M.L.Z; et al. 1999).

Dentre os suplementos que vêm recebendo grande atenção de atletas, treinadores, indivíduos fisicamente ativos e pesquisadores destaca – se a suplementação de creatina, cujo interesse se justifica pelo potencial efeito ergogênico da substância cuja aplicação suscita grande expectativa pelo fato de estar a mesma, relacionada a estoques de substrato energético dos mais importantes para fornecimento de energia para a contração muscular de curta duração e alta intensidade que nos, esportes, pode ser o grande diferencial para definir um campeão. (BRAGANÇA, E. 2003). 

Os esteróides anabolizantes são utilizados ilicitamente por indivíduos, atletas ou não, com o objetivo de aumentar a força muscular ou melhorar a aparência. Seus usuários acreditam que estas drogas proporcionam sessões de atividade física mais intensa por retardar a fadiga, aumentar a motivação e a resistência, estimular a agressividade e diminuir o tempo necessário para recuperação entre as sessões de exercício. Alem disso, os esteróides anabolizantes teriam ação direta no crescimento do tecido muscular.(ASSUNÇÂO, 2002). 

Os esteróides anabólicos – androgênicos (EAA) são um grupo de compostos naturais e sintéticos formados pela testosterona e seus derivados.   No Brasil, os EAA são considerados doping, segundo os critérios da Portaria 531 e 10 de julho de 1985 do MEC, seguindo a legislação internacional. O termo doping deriva de um dialeto africano e refere-se a uma bebida estimulante usada em cerimônias religiosas. O comitê Olímpico Internacional define como doping o uso de qualquer substancia exógena ou endógena em quantidades ou vias anormais com intenção de aumentar o desempenho do atleta em uma competição. (LISF, M.L.Z; et al. 1999).

Acredita-se que os EAA melhoram o desempenho atlético por aumentarem a massa muscular (através do aumento da síntese protéica muscular, da promoção da retenção de nitrogênio, da inibição do catabolismo protéico e da estimulação da eritropoiese), bem como por promoverem a agressividade e a motivação. Estudos recentes têm demonstrado que os androgênios podem aumentar a síntese protéica, através da estimulação intramuscular da expressão do gene para o IGF-I (insulin-like growth factor-I), demonstraram que o decanoatode nandrolona promove o aumento da expressão da proteína do choque térmico hsp72 em fibras musculares de contração rápida, o que contribuiria para o aumento da tolerância do músculo esquelético ao treinamento de alta intensidade. Essa proteína é usualmente sintetizada em resposta ao estresse, inclusive naquele causado pelo exercício físico, o uso de EAA causa hipertrofia das fibras tipo IIa, aumento mionuclear e formação de novas fibras, nos músculos trapézio e vasto lateral, além de aumento na expressão de receptores androgênicos no músculo trapézio( SILVA,P.R.P,2002).

o doping pode ser compreendido como a utilização de substância ou método que possa melhorar o desempenho esportivo e atente contra a ética esportiva em determinado tempo e lugar, com ou sem prejuízo à saúde do esportista. (RAMIREZ, A; RIBEIRO.A.2005)

Nos esportes, os Esteróides Anabolizantes são administrados em atletas justamente com o intuito de aumentar a massa muscular e, conseqüentemente, garantir melhora no desempenho. O uso ilícito de EA iniciou-se na década de 50, entre levantadores de peso e fisiculturistas, tendo-se alastrado para outras modalidades esportivas. Devido a razões de ordem ética e aos efeitos nocivos à saúde, essas substâncias tiveram o uso proibido pelo COI a partir de 1976, na Olimpíada de Montreal, onde foi realizado pela primeira vez o controle de anabolizantes(MARQUES,M.A.2003).

A confirmação de esteróides endógenos em dopagem de atletas é, atualmente, um dos maiores problemas do controle. Por isso, é necessário encontrar critérios para discriminar o uso exógeno da produção endógena. Para tanto, utilizam-se, freqüentemente, parâmetros de referência. Atualmente, uma nova abordagem no controle dessas substâncias vem sendo empregada. O enfoque consiste no emprego da CG-EM convencional para triagem dos supostos positivos e posterior confirmação por cromatografia gasosa/combustão acoplada à espectrometria de massas por razão isotópica (CG/C/EMRI). (MARQUES,M.A.2003).

O uso ilícito dos EAA dá-se por atletas na crença de que essas drogas aumentam a massa muscular, a forca física e a agressividade em competições, e diminuem o tempo de recuperação entre exercícios intensos. Também é descrito o uso pela expectativa de tratar ou prevenir lesões decorrentes da pratica de esportes. Os EAA têm sido abusados, também, para não atletas com fins estéticos, pelo desejo de ganhar peso e melhorar a aparência, mas sendo associados ao uso de álcool, cocaína e outras drogas ilícitas para promover agressividade (LISF, M.L.Z; et al. 1999).

Em reunião realizada dia 6 de novembro de 1997, o Conselho Federal de Entorpecentes propôs que os EAA sejam avaliados pelo Ministério da Saúde para posterior medidas por parte das autoridades quanto ao controle mais rígido da comercialização e importação dos produtos farmacêuticos que os contem. Também foi proposto que o Ministério Extraordinário dos Esportes promova campanha nacional de esclarecimento dos conseqüências do uso e abuso dos EAA e a realização de exames anti-doping nas competições nacionais.

         Os indivíduos com dismorfia muscular desenvolveram o quadro após o uso de esteróides anabolizantes, sugerindo que estes possam causar alterações na percepção da imagem corporal ((ASSUNÇÂO, 2002).

Em relação à etiologia, aspectos socioculturais parecem desempenhar um papel fundamental na gênese da dismorfia muscular. A importância que a sociedade demonstra em relação à aparência física é notória na atualidade. Isso pode ser demonstrado, em parte, pela grande presença de matérias relacionadas à saúde, alimentação e exercício físico em qualquer veículo de comunicação. É sabido que fatores ambientais têm influência na gênese dos transtornos alimentares. O mesmo ocorre com a dismorfia muscular. A dismorfia muscular está associada a sofrimento e prejuízo em varias áreas de funcionamento do individuo . além disto, sua presença pode aumentar o risco de uso de esteróides anabolizantes, drogas com conseqüências potencialmente perigosa( ASSUNÇÂO, 2002).

A responsabilidade administrativa e financeira do controle de dopagem cabe às Entidades Nacionais e Regionais de Administração do Desporto, ao comitê olímpico, ao Ministério e Secretarias de Esporte e aos organizadores de eventos desportivos (RESOLUCÂO, n.º 2. 2004).

É função, portanto do Estado democrático velar pelo controle de dopagem e de praticas antiéticas no esporte. Não cabe apelar para o “livre arbítrio” para justificar a pratica de doping. A pressão familiar, social e econômica sobre o atleta, o transforma em um instrumento da vontade alheia, retirando sua capacidade de discernir onde se situam os limites éticos, morais e de segurança de seu comportamento. (NETO, F.R. 2001).

O doping genético é definido como o uso não terapêutico de genes, elementos genéticos e ou células que tenha a capacidade de aumentar o desempenho do atleta (ROSE.E.H; et al. 2004).

Ainda que a terapia genética encontre numerosos obstáculos em seu desenvolvimento, a American Society of Gene Therapy, quando de seu recente congresso, sublinhou, não obstante, que o ambiente é o otimismo - sentimento reforçado pela presença encorajadora e promissora de numerosos estudantes e de jovens pesquisadores. à terapia genética que permitirá especialmente aumentar a capacidade do sangue de transportar oxigênio, além de aumentar o crescimento muscular e o metabolismo dos lipídios.( GLOBE.B.2002).

A terapia gênica consiste em introdução: a) de genes responsáveis por produtos terapêuticos, isto é genes normais, ou b) de células geneticamente modificadas com a finalidade de bloquear a atividade de genes prejudiciais, ativar mecanismos de defesa imunológica, ou ainda produzir moléculas de interesse terapêutico. Isto pode significar que a terapia gênica e o doping genético, caso exista ou vier a existir, ocorreriam por procedimentos idênticos, porém com finalidades diferentes. (RAMIREZ, A; RIBEIRO.A.2005)

Especificamente para o esporte a terapia gênica tem o potencial de recuperar tecidos de baixa capacidade regenerativa tais como tendões, cartilagens e músculos estriados esqueléticos facilitando a recuperação de rompimentos de ligamentos cruzados (anterior e posterior), meniscos, lesões em cartilagens, e calcificação óssea tardia através da inserção de fatores de crescimento (IGF-1, bFGF, NGF, PDGF , EGF , TGF-alpha, TGF-beta, BMP-2) para estimular a cicatrização(RAMIREZ, A; RIBEIRO.A.2005).

A profissionalização do esporte ocorreu a partir de 400 a.C. com prêmios elevados para os vencedores, resultando numa “casta” de desportistas muito bem pagos e prestigiados. Na virada do século XX o esporte já assume relevância similar à da época greco-romana. O esforço de guerra favorece a disseminação do abuso de drogas em diversos paises. O controle oficial pelo Comitê Olímpico Internacional  começou nos Jogos Olímpicos de Inverno de Grenoble, França, em 1968, mas apenas alguns estimulantes e narcóticos podiam ser testados devido às limitações na metodologia analítica (NETO, F.R. 2001).

o Comitê Olímpico Brasileiro produz anualmente, desde 2001, um manual sobre "Uso de medicamentos no esporte" em que constam, além de um histórico de doping e dos direitos e deveres dos atletas, o nome das substâncias e métodos proibidos pela AMA no esporte, e também uma listagem atualizada com o nome comercial dos medicamentos que podem ser utilizados em diferentes situações clínicas(ROSE,  E.H.2004).       

A maior parte dos exames antidoping nacional realizados em competição são solicitados pelo futebol profissional. Já os exames fora de competição são realizados em sua grande maioria pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Os controles em competição mostram um percentual de positividade baixo, enquanto que os controles fora de competição evidenciam um percentual médio discretamente elevado, mas ainda condizentes com dados da literatura internacional ( ROSE,      E.H.2004).

Na virada do século XXI, o controle de dopagem no esporte assume sofisticação ímpar e engloba, também, drogas sociais. São banidos em varias modalidades desportivas a cocaína e alucinógenos derivados de anfetaminas e de modo inovador, o metabólito característico do consumo de maconha (NETO, F.R. 2001).   

área de doping no esporte algumas técnicas genéticas poderão ser usadas em um futuro bem próximo com mudanças da constituição genética que poderão significar ganho de força explosiva e resistência de força. Uma delas é o estímulo à produção de hormônios por meio de alteração dos genes injetando no corpo do atleta vírus ou proteínas modificadas geneticamente para induzir o mesmo a acelerar a produção interna de hormônios e com isso melhorar sua performance. A outra maneira que os atletas podem beneficiar-se geneticamente consiste em alterações na parte genética de modo a adequar a estrutura do corpo do desportista às necessidades de seu esporte. (COSTA. A.J.S.2004)  

Foi partindo da premissa e das perspectivas da terapia gênica que surgiu o termo - e o temor - Doping Genético na WADA em 2003. O termo refere-se à utilização não terapêutica de genes, elementos genéticos e/ou células que têm a capacidade de melhorar o desempenho esportivo. (RAMIREZ, A; RIBEIRO.A.2005).

         Os genes candidatos ao doping genético mais estudados são: A Eritropoietina é uma citocina de 34kDa de massa molecularÉ o principal regulador da produção de células vermelhas, com função de promover a diferenciação eritrocitária e o início da síntese de hemoglobina; Fator de crescimento 1 semelhante à insulina (IGF-1) -IGF-1, além de ter estrutura tridimensional semelhante à da insulina, permite a ação do hormônio de crescimento por ser mediador de muitos, se não de todos, os efeitos deste hormônio. Apesar do IGF-1 sérico ser sintetizado em maior quantidade pelo fígado, outros tecidos também o sintetizam e são sensíveis ao seu efeito. Os genes finais na cascata de síntese do GH incluem o IGF-1 e seu receptor IGF-1R, cujos produtos estimulam o crescimento em vários tecidos, incluindo ossos e músculos. Na circulação, os IGFs são predominantemente unidos às proteínas de ligação (IGFBPs), que prolongam a meia vida dos IGFs e têm função de enviá-los aos tecidos alvo. O processo de envelhecimento humano leva a um declínio da massa e do desempenho muscular esquelético, comprometendo a integridade muscular com invasão fibrótica em substituição ao tecido contrátil; Miostatina (GDF-8) A expressão de miostatina parece não modificar conforme a idade. No músculo esquelético a miostatina é transcrita como um RNA mensageiro de 3.1kb que codifica uma proteína precursora contendo 335 aminoácidos. Esta proteína é expressa, sofre clivagem, é secretada no plasma e pode ser detectada nas fibras musculares esqueléticas do tipo I e II. (RAMIREZ, A; RIBEIRO.A.2005).

         As discussões acerca da existência do doping genético aparecem mais em veículos de divulgação do que em periódicos científicos. Por ocasião dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, os jornais e a internet lançaram muitas matérias, algumas das quais, juntamente com artigos científicos, foram redirecionadas e discutidas pelos participantes das listas de discussão sobre doping  e genética. (RAMIREZ, A; RIBEIRO.A.2005).

 Doping genético é a expressão utilizada para sintetizar a “utilização para fins não terapêuticos de células, genes, elementos genéticos, ou de modulação da expressão genética, que tenham a capacidade de melhorar o desempenho esportivo”. a ciência tem com efeito dado uma nova dimensão aos Jogos Olímpicos, aportando às ciências médicas uma pesquisa muito mais vasta sobre o melhoramento da espécie humana”. É precisamente isto que justifica a assertiva segundo a qual “não seria razoável proibir atletas geneticamente modificados de participar de competições esportivas”, sobremaneira quando não se negligencia que em todo o mundo estão atualmente sendo investidos recursos vultosos no desenvolvimento das tecnologias biomoleculares. (RAMIREZ, A; RIBEIRO.A.2005).

 

Conclusão

 

         São inúmeros os recursos desenvolvidos pela ciência para a conquista de um corpo perfeito. Os suplementos são cada vez mais utilizados para favorecer o desempenho físico.

         As estatísticas indicam que os casos de doping cresce a cada ano de forma medonha em todo mundo.

         Contudo a evolução da ciência, fez com que a terapia gênica, que tem por objetivo recuperar tecidos de baixa capacidade regenerativa, se torna um recurso para a modulação da expressão genética para um melhor desempenho esportivo, tornando o doping genético um paradigma para as confederações esportivas.

 

REFERÊNCIA:

 

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