Reumatologia/Doenças Auto-Imune - Testes laboratoriais em reumatologia 1
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Reumatologia/Doenças Auto-Imune

Testes laboratoriais em reumatologia 1

25/06/2003

 

 

 

 

REUMATOLOGIA E LABORATÓRIO (1ª PARTE)

 

1ª parte:

I ) Introdução

II )Provas de fase aguda (proteínas de fase aguda)

II-1 VHS

II-2 Mucoproteínas;

Alfa-1 glicoproteína

Alfa-2 macroglobulina

II-3- Proteína C Reativa;

II-4- Eletroforese de Proteínas;

II-5- Haptoglobulina;

II-6- Beta 2 microglobulina;

II-7- Proteína Sérica Mielóide A (SAA);

II-8- Interleucinas;

INTRODUÇÃO
É necessário primeiro definir que não há exames de laboratório para reumatismo. Existem exames para complementar um raciocínio clínico, mostrando a existência de um processo inflamatório, infeccioso ou imunológico, cuja avaliação é feita através de provas de atividade inflamatória, imunológica e bioquímica.

O exame de líquido sinovial serve para orientar o diagnóstico e tratamento das doenças reumáticas.

As provas de atividade inflamatória, também denominadas de "reações de fase aguda no soro", são testes inespecíficos que se alteram na presença de processos inflamatórios, infecciosos ou de lesões teciduais.

Nas diversas patologias que cursam com lesão tecidual, infecção ou inflamação, há aumento da concentração sérica de várias proteínas conhecidas como proteínas de fase aguda e que são responsáveis pelas alterações destes testes.

Estas proteínas são sintetizadas pelos hepatócitos, leucócitos (alfa- 1- glicoproteínas ácidas) e células monucleares do sistema fagocitário (alguns componentes do complemento).

II)Provas de Fase Aguda (proteínas de fase aguda )

Perfil Protéico do Plasma em Reações de Fase Aguda

Proteína

Aumentada

Diminuída

 

 

 

Proteína de Coagulação

Fibrinogênio

 

 

Protombina

 

 

Fator VII

 

 

Plasminogênio

 

 

 

 

Inibidores de Proteínas/ Proteases

Alfa 1 antitripsina

Inter alfa 1 antripsina

 

Alfa 1 antiquimiotripsina

 

 

 

 

Proteínas Transportadoras

Hemopexina

Transferrina

 

Haptoglobulina

 

 

Ceruloplasmina

 

 

 

 

Proteínas do Sistema

C1s, Inibidores de C1, C2

Properdina

Complemento

Fator B, C3, C4, C5, C6

 

 

 

 

Outras

Alfa 1 glicoproteína ácida

Albumina

 

Globulinas insolúveis no frio

Pré – albumina

 

Proteína relacionada ao

Alfa 1 lipoproteína

 

amilóide sérico A (SAA)

Beta - lipoproteína

1 ) VHS

Quando o VHS estiver aumentado significa presença de doença. E se não define um diagnóstico em primeiro momento, é obrigatório fazer um acompanhamento deste paciente. O VHS não tem especificidade clínica ou etiológica.

Depende da agregação das hemácias que é influenciada por três fatores: energia da superfície celular, carga elétrica na superfície das hemácias e constante dielétrica. Esta depende da presença de determinadas proteínas (fibrinogênio e alfa globulinas) que, presentes nos processos inflamatórios, aumentam a VHS.

Pode estar aumentada na gravidez, anemia , menstruação , hipoalbuminemia e em idosos. Pode estar diminuída na insuficiência cardíaca , hemodiluição , icterícia e poliglobulinemia.

Nas doenças reumáticas, as maiores elevações são encontradas no lupus eritematoso sistêmico, artrites sépticas , artrites reumatóides, doença de Reiter, polimialgia, doença reumática e nas fases agudas das artrites microcristalinas.

Nas colagenoses como a esclerodermia, síndrome de Sjogren, dermatomiosite e vasculites necrotizantes a VHS pouco se altera .

Nas artropatias soronegativas como a pelvespondilite anquilosante e artrite psoríase, o VHS aumenta de forma variável.

Nas artropatias degenerativas e extravasculares o VHS é normal e é utilizado para o diagnóstico diferencial com reumatismos verdadeiramente inflamatórios.

2) MUCOPROTEÍNAS

São glicoproteínas. Temos duas frações : alfa-1-glicoproteína e alfa-2-macroglobulina.

Alfa-1-glicoproteína - Inibidora de agregação plaquetária. É útil no "screening" de diversas enfermidades, tanto de área cardiovascular e renal, como nos quadros infecciosos ou inflamatórios de qualquer localização.
Aumentadas: Quadros inflamatórios e/ou infecciosos agudos, mieloma múltiplo, doença de Hodgkin e como preditivo de processo isquêmico do coração (trombose coronariana )..

Diminuída : Síndromes nefróticas.

b ) Alfa - 2- macroglobulina- Função inibidora de enzimas proteolíticas, além da provável função carreadora de hormônio.

Eleva-se: Síndrome nefrótica, processos inflamatórios agudos e lise celular. A dosagem de mucoproteínas está sendo substituída pela dosagem de alfa-1-glicoproteínas.

A dosagem das mucoproteínas é importante para o diagnóstico e acompanhamento de doença reumática, pois é uma das últimas provas a se normalizar.

Encontra-se aumentada na artrite reumatóide e artrite juvenil , sendo que na espondilite anquilosante altera-se mais que a VHS.

Nos reumatismos extra articulares e degenerativos , seus níveis não se modificam.

3 ) PROTEÍNA C REATIVA

A PCR é uma glicoproteína anômala do soro e sua detecção sugere injúria tissular. É um indicador altamente sensível para processos inflamatórios , é muito usada para diagnóstico, controle terapêutico e acompanhamento de diversas doenças. Como uma proteína de fase aguda, a PCR eleva sua concentração no soro até 100 X seu valor normal , em diversas inflamações agudas, carcinomas , necrose tecidual e após cirurgias. A concentração começa aumentar ao redor de 6 horas após danos celulares e vai diminuindo com o decorrer dos dias durante a cura. Esta proteína é sintetizada no fígado e parece ser estimulada por ação da interleucina-1 elaborada por macrófagos nos tecidos injuriados. Possui meia vida de 20- 30 horas , mostrando ter uma influência em diferentes processos do sistema imune com a ativação do complemento , aceleração da fagocitose , inibição da agregação dos trombócitos e estimulação dos linfócitos T. O PCR é o mais sensível , o mais confiável e o mais precoce indicador de um processo inflamatório do que qualquer outro parâmetro.

PCR correlaciona-se bem com VHS , glicoproteína e células polimorfonucleares e geralmente retorna aos níveis normais mais rapidamente que o VHS .

Em reumatologia seu principal valor é no diagnóstico de atividade de febre reumática . Seu reaparecimento após tratamento sugere reagudização da doença. No lupus eritematoso sistêmico sua presença sugere quadro infeccioso associado.

Tem sua concentração elevada em diversos processos inflamatórios como infecções bacterianas crônicas e agudas, malária aguda, artrite reumatóide aguda, infartos do miocárdio, necroses celulares, etc..

DOENÇAS REUMATOLÓGICAS QUE CURSAM COM ALTOS NÍVEIS DE PCR:

Febre reumática, artrite reumatóide, artrite reumatóide juvenil ( forma sistêmica - Doença de Still, pelvespondilite anquilosante, artropatia psoriásica, artrite associada a "by pass" intestinal, polimialgia nodosa, granulamatose de Wegener, Doença de Behcet, Doença de Crohn, artrites infecciosas.

DOENÇAS REUMATOLÓGICAS QUE CURSAM COM PEQUENO AUMENTO DE PCR :

Lupus eritematoso sistêmico, poli e dermatomiosite, esclerodermia, doença mista do tecido conjuntivo, artropatia associada à retocolite ulcerativa.

4 ) ELETROFORESE DE PROTEÍNAS

As proteínas fracionadas eletroforeticamente compreendem as proteínas plasmáticas, menos o fibrinogênio que se separa pela coagulação. Elas se dividem em duas frações principais: Albumina, que está solúvel e as globulinas, que se precipitam.

Do ponto de vista inflamatório, é de grande valor aumentado da alfa- 2- globulina, que aumenta na doença reumática e é última a se normalizar, sofrendo pouca influência dos medicamentos.

As gamaglobulinas aumentam discretamente

Nos processes inflamatórios crônicos, ao lado da diminuição constante de albumina, encontramos aumento preferencial das gamaglobulinas.

Também é importante os picos monoclonais de gamaglobinas que, por si só, fazem o diagnósticos de múltiplo e doença de Waldenstrom (macroglobulinemias).

II - 5) HAPTOGLOBINA

É uma glicoproteína (alfa -2- globulina) produzida principalmente pelos hepatócitos, cuja função principal é fixar a hemoglobina livre e deste modo sua remoção da circulação pelo sistema retículotelial.

Existem 3 variantes genéticas das haptoglobinas que reagem identicamente com anticorpos para qualquer uma delas. A sua síntese é transitoriamente provocada por estímulos inflamatórios, e associada também à necrose dos tecidos. Sua concentração está elevada nas inflamações agudas, colagenoses, desordens coronarianas, doença de Hodgkin, tuberculose e síndromes nefróticas. Sua concentração está diminuída nas anemias hemolíticas, deficiências congênitas, malária aguda e doenças hepáticas.

II - 6 ) PROTEÌNA AMILÓIDE A SÉRICA (SAA )

È uma das proteínas de fase aguda e se relaciona intimamente à PCR. É encontrada associada ao HDL no plasma, permitindo "clearence" rápido das gorduras. A sua função pode ser a de facilitar o "clearence" do plasma de substâncias gordurosas tóxicas ou de produtos de sua degradação. Em artrite reumatóide está aumentada e correlacionando-se com o VHS e atividade clínica.

II - 7) B2 MIGROBULINAS

É sintetizada em todas as células nucleadas do organismo e encontra-se em sua membrana nuclear. É encontrada também em líquidos biológicos, principalmente a urina, soro, líquido cefalorraquidiano , saliva e líquido amniótico.

As concentrações plasmáticas aumentam na insuficiência renal e eleva-se na excreção urinária, se existir um defeito na reabsorção tubular. Nas doenças inflamatórias crônicas e em grande número de doença neoplásica, ocorre aumento da B2 microglobulina.

Em reumatologia, os níveis estão aumentados no lupus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide e síndrome de Sjogren.

8 ) INTERLEUCINA
Designação aos mediadores que funcionam como sinais de comunicação entre leucócitos (linfocinas).

Interleucina 1 - Sua principal fonte de produção são as células de linhagem monócito- macrófago nas suas variadas formas, sendo resultado também para grande maioria das células nucleadas. Está envolvida na ativação, praticamente, de todas as células linfóides ou não.

Atua no SNC provocando febre, sonolência e anorexia.

Interleucina 2 - Consiste de uma única cadeia polipeptídica. Os sítios de ligação da IL-2 à membrana possui alta afinidade específica e saturável.

Interleucina 3 - Promove a diferenciação e maturação de varias linhagens celulares. Possui propriedade de estimular a produção de basófilos e mastócitos, bem como de aumentar a liberação de histamina.

Os requisitos para uma citocina receber a denominação de interleucinas:

  • Ser produzida por leucócitos (ainda que não exclusivamente)
  • Ter efeito sobre resposta inflamatória
  • Sequenciação dos aminoácidos da estrutura primária
  • Aguardar que o homólogo humano seja demonstrado
  • Solicitar o comitê a designação da numeração.
  • Na reumatologia as interleucinas participam na estimulação de respostas celulares, que levam à destruição do tecido conectivo, incluindo a liberação de colagenose, ativadores de plasminogênio, proteoglicans, glicosaminoglicans, prostaglandinas e cálcio.

GEAC/CRFMG
(Grupo de Estudos em Análises Clínicas do Conselho Regional de Farmácia)

 

Bibliografia:

  • Guerra, Celso – Clínica e Laboratório (4ª edição)
  • Apostila Reumatologia e Laboratório
  • Antônio Carlos Althoss
  • Carlos Henrique Ubatula Leinert

 


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