Conceito : Doença inflamatória crônica que acomete as articulações sacrilíacas, em graus variáveis a coluna vertebral e, em menor extensão, as articulações periféricas.
Epidemiologia :
Pode ser encontrada de forma indistinta nos dois sexos, porém, há predileção pelos indivíduos caucasianos do sexo masculino na proporção de 2 - 4 : 1.
A grande maioria dos pacientes desenvolve os primeiros sintomas entre os 20 e os 35 anos de idade.
A enfermidade é relativamente comum, ocorrendo em cerca de 0,1 a 0,5% da população geral.
Manifestações Clínicas :
Alterações clínicas articulares
A manifestação clínica mais comum é a dor ao nível das articulações sacrilíacas e/ou da coluna lombar.
A dor lombar pode irradiar para os membros inferiores, sendo com freqüência bilateral, sem sintomas de parestesia.
Associa-se à dor uma rigidez matinal que será mais intensa quanto maior for a atividade clínica da doença.
No exame físico observa-se redução e até retificação da lordose lombar.
A progressão da doença na coluna vertebral ocorre de forma ascendente.
Na coluna cervical pode ocorrer dor, limitação de movimentos, retificação e até perda da lordose fisiológica normal.
As complicações mais comuns do envolvimento vertebral são : subluxação atlas-áxis, fraturas secundárias e osteoporose.
O acometimento articular periférico (dor, edema, calor e limitação) é mais comum nas grandes articulações (coxofemorais, joelhos, ombros, tornozelos e metatarsofalangeanas).
A artrite crônica está presente em 30% dos casos.
Alterações clínicas extra-articulares
É uma doença sistêmica apesar da preferência articular.
Os sintomas consistem de: astenia, fadiga, hiporexia, emagrecimento leve e febrícula.
Os olhos são acometidos em 20 a 30% dos casos.
As manifestações cardiorrespiratórias são: distúrbios de condução do ritmo cardíaco, insuficiência aórtica, pericardite, miocardite e fibrose pulmonar apical que evolui para a bilateralidade.
Exames Laboratoriais :
Os achados laboratoriais são inespecíficos e consistem de alterações comuns às doenças crônicas.
Podem ocorrer : anemia, leucocitose leve, aumento de hemossedimentação e de proteína C reativa e elevações de fosfatase alcalina e de IgA.
Exame Radiológico :
As alterações radiológicas mais freqüentes são no esqueleto axial.
As que acontecem nas articulações sacrilíacas são características para o diagnóstico.
Pode-se encontrar de forma progressiva:
- perda da nitidez dos contornos da articulação
- pseudo-alargamento
- esclerose óssea subcondral
- erosões nas bordas articulares
- formação de traves ósseas
- redução do espaço articular
- fusão das articulações
Na coluna vertebral, em especial na lombar, encontra-se:
- erosões nos ângulos vertebrais
- osteítes
- quadratura dos corpos vertebrais
- formações de sindesmófitos
- calcificações de discos intervertebrais
- redução de espaço
- fusão das articulações interapofisárias
A formação de sindesmófitos e o envolvimento das sacrilíacas são simétricos.
Diagnóstico :
Os critérios diagnósticos consideram espondilite anquilosante definida quando ocorre sacroileíte bilateral de graus 2 - 4 ou sacroileíte unilateral graus 3 - 4 com pelo menos um dos seguintes critérios clínicos :
1. dor lombossacra com pelo menos três meses de duração, que melhora com exercício e não alivia com o repouso
2. limitação da mobilidade lombar nos planos anterior, posterior e laterais
3. redução da expansibilidade torácica, medida no quarto espaço intercostal, com valores iguais ou inferiores a 2,5 cm
Tratamento :
Os objetivos básicos consistem no alívio da dor e da inflamação, manutenção da postura e da função articular.
Cuidados gerais :
- postura correta
- colchão firme e travesseiro baixo
- período de repouso na metade do dia
Os agentes antiinflamatórios não-hormonais deverão ser usados de forma ininterrupta (indometacina de 50 a 150 mg).
Referências bibliográficas
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AUTOR : Ismar Emanuel D’Oliveira Bastos