Reumatologia/Doenças Auto-Imune - Espondilite anquilosante
Esta página já teve 89.016.998 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 26.991 acessos diários
home | entre em contato
 

Reumatologia/Doenças Auto-Imune

Espondilite anquilosante

25/06/2003

 

 

Conceito :          Doença inflamatória crônica que acomete as articulações sacrilíacas, em graus variáveis a coluna vertebral e, em menor extensão, as articulações periféricas.

Epidemiologia :

Pode ser encontrada de forma indistinta nos dois sexos, porém, há predileção pelos indivíduos caucasianos do sexo masculino na proporção de 2 - 4 : 1.

A grande maioria dos pacientes desenvolve os primeiros sintomas entre os 20 e os 35 anos de idade.

A enfermidade é relativamente comum, ocorrendo em cerca de 0,1 a 0,5% da população geral.

Manifestações Clínicas :

Alterações clínicas articulares

A manifestação clínica mais comum é a dor ao nível das articulações sacrilíacas e/ou da coluna lombar.

A dor lombar pode irradiar para os membros inferiores, sendo com freqüência bilateral, sem sintomas de parestesia.

Associa-se à dor uma rigidez matinal que será mais intensa quanto maior for a atividade clínica da doença.

No exame físico observa-se redução e até retificação da lordose lombar.

A progressão da doença na coluna vertebral ocorre de forma ascendente.

Na coluna cervical pode ocorrer dor, limitação de movimentos, retificação e até perda da lordose fisiológica normal.

As complicações mais comuns do envolvimento vertebral são : subluxação atlas-áxis, fraturas secundárias e osteoporose.

O acometimento articular periférico (dor, edema, calor e limitação) é mais comum nas grandes articulações (coxofemorais, joelhos, ombros, tornozelos e metatarsofalangeanas).

A artrite crônica está presente em 30% dos casos.

Alterações clínicas extra-articulares

É uma doença sistêmica apesar da preferência articular.

Os sintomas consistem de: astenia, fadiga, hiporexia, emagrecimento leve e febrícula.

Os olhos são acometidos em 20 a 30% dos casos.

As manifestações cardiorrespiratórias são: distúrbios de condução do ritmo cardíaco, insuficiência aórtica, pericardite, miocardite e fibrose pulmonar apical que evolui para a bilateralidade.


Exames Laboratoriais :

Os achados laboratoriais são inespecíficos e consistem de alterações comuns às doenças crônicas.

Podem ocorrer : anemia, leucocitose leve, aumento de hemossedimentação e de proteína C reativa e elevações de fosfatase alcalina e de IgA.

Exame Radiológico :

As alterações radiológicas mais freqüentes são no esqueleto axial.

As que acontecem nas articulações sacrilíacas são características para o diagnóstico.

Pode-se encontrar de forma progressiva:

- perda da nitidez dos contornos da articulação

- pseudo-alargamento

- esclerose óssea subcondral

- erosões nas bordas articulares

- formação de traves ósseas

- redução do espaço articular

- fusão das articulações

Na coluna vertebral, em especial na lombar, encontra-se:

- erosões nos ângulos vertebrais

- osteítes

- quadratura dos corpos vertebrais

- formações de sindesmófitos

- calcificações de discos intervertebrais

- redução de espaço

- fusão das articulações interapofisárias

A formação de sindesmófitos e o envolvimento das sacrilíacas são simétricos.

Diagnóstico :

Os critérios diagnósticos consideram espondilite anquilosante definida quando ocorre sacroileíte bilateral de graus 2 - 4 ou sacroileíte unilateral graus 3 - 4 com pelo menos um dos seguintes critérios clínicos :

1. dor lombossacra com pelo menos três meses de duração, que melhora com exercício e não alivia com o repouso

2. limitação da mobilidade lombar nos planos anterior, posterior e laterais

3. redução da expansibilidade torácica, medida no quarto espaço intercostal, com valores iguais ou inferiores a 2,5 cm

Tratamento :

Os objetivos básicos consistem no alívio da dor e da inflamação, manutenção da postura e da função articular.

Cuidados gerais :

- postura correta

- colchão firme e travesseiro baixo

- período de repouso na metade do dia

Os agentes antiinflamatórios não-hormonais deverão ser usados de forma ininterrupta (indometacina de 50 a 150 mg).

 

Referências bibliográficas

Filho, A. C. (1980). Clínica reumatológica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan

Seda, H. (1979). Reumatologia. Vol. I e II. Rio de Janeiro: Cultura Médica Ltda

Moreira, C. & Carvalho, M. A. (1998). Noções práticas de reumatologia. Vol. I e II. Belo Horizonte: Livraria e Editora Saúde Ltda (Health)

Corrigan, B. & Maitland, G. D. (2000). Prática clínica. Ortopedia e reumatologia. Diagnóstico e tratamento. São Paulo: Editorial Premier

Downie, P. (1987). Cash. Fisioterapia em ortopedia e reumatologia. São Paulo: Panamericana

Snider, R. K. (2000). Tratamento das doenças do sistema musculoesquelético. São Paulo: Manole

Salter, R. (1985). Distúrbios e lesões do sistema musculoesquelético. Rio de Janeiro: Medsi

Filho, T. E. P. de B. & Costallat, L. T. L. (1999). Manual de ortopedia e reumatologia para a prática médica. São Paulo: Lemos Editorial & Gráficos Ltda

 

AUTOR : Ismar Emanuel D’Oliveira Bastos

 

 


 


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos