Reumatologia/Doenças Auto-Imune - Osteoporose 1
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Reumatologia/Doenças Auto-Imune

Osteoporose 1

25/06/2003

 

 

Conceito :          Doença caracterizada por massa óssea diminuída e deterioração do tecido ósseo, conduzindo a uma fragilidade óssea e conseqüente aumento do risco de fratura.

Epidemiologia :

Estima-se que no Brasil 20 milhões de pessoas estejam sob o risco de desenvolver essa doença.

Mulheres brancas que têm mais baixos índices do pico de massa óssea na idade adulta apresentam maior prevalência de osteoporose (30% de todas as mulheres brancas pós-menopausadas terão pelo menos uma fratura osteoporótica durante a vida, incidência que aumenta com a idade avançada).

As fraturas femorais são mais graves e letais em 12 a 20% dos casos.

Noções Clínicas :

Pode se apresentar de forma primária ou secundária.

A forma primária compreende :              

- o tipo idiopático juvenil

- o tipo idiopático adulto (pouco freqüente)

- o tipo involutivo (o mais comum), afeta mulheres de meia idade e idosos de ambos os sexos

O tipo involutivo subdivide-se em tipo I (15 - 20 anos após a menopausa) e tipo II (relacionada ao envelhecimento).

No tipo I a perda de massa óssea trabecular leva ao aparecimento de fraturas principalmente nos corpos vertebrais e rádio distal.

No tipo II as fraturas mais comuns são as femorais e vertebrais podendo também atingir a pélvis e as partes proximais da tíbia e do úmero.

A forma secundária apresenta uma ou mais condições que interagem no metabolismo ósseo, ocorrendo em 20% das mulheres e 40% dos homens, manifestando-se com fratura vertebral.

As principais causas são as doenças endócrinas, gastrintestinais, da medula óssea, do tecido conjuntivo e o uso prolongado de drogas.

A perda de massa óssea induzida por corticoesteróides é a principal causa de osteoporose secundária.

Fatores de risco :          

Sexo feminino

- mulheres pré-menopausa com alto risco, incluindo : menopausa cirúrgica, amenorréia e anorexia nervosa

- mulheres pós-menopausa com dois ou mais fatores tais como : história familiar positiva, estatura menor que 1,60 e peso menor que 50 kg, perda de mais de 3 cm de altura, hipercalciúria (maior que 4 mg/kg/d), fratura prévia (quando adulto, com trauma mínimo), evidência de osteopenia ao Rx, idade maior que 65 anos

Sexo masculino

- hipogonadismo

- abuso de álcool

- osteoporose ao Rx

- fratura com trauma mínimo


- imobilização prolongada

- deficiência de cálcio por mais de 10 anos (hipercalciúria, cálculo renal, doenças gastrintestinais)

- artrite reumatóide por mais de 5 anos

- anticonvulsivantes por mais de 5 anos

- doença renal ou desordens tubulares renais

- osteomalácia (cálcio baixo, fósforo baixo ou fosfatase alcalina alta no sangue)

- hiperparatireoidismo

- uso de hormônio tireoideano por mais de 10 anos

- uso de corticóide

Alterações ósseas X idade

As mudanças de densidade óssea relacionadas à idade diferem de uma região para outra. O osso mineral do rádio permanece estável até a menopausa, mas a perda na coluna e no fêmur (colo) ocorre cinco a dez anos mais cedo, respectivamente.

A perda óssea na coluna aumenta dramaticamente na menopausa. Perde-se mais osso da coluna durante os primeiros cinco anos pós-menopausa do que durante os 15 anos subseqüentes, sendo este declínio de densidade óssea devido à queda da produção estrogênica ovariana.

A perda da massa óssea do fêmur relacionada à idade parece ser mais importante do que a que se relaciona com a menopausa.

Mulheres osteoporóticas mostram uma perda acelerada de 2 a 4%, após os 65 anos, em contraste com mulheres normais, cuja perda óssea é menor que 1% ao ano.

Diagnóstico :

Os passos principais são :

- história cuidadosa (localização, tipo, severidade e cronologia da dor nas costas), tratamento prévio, idade de início e tipo de menopausa, história familiar de osteoporose, quantidades de fumo e álcool habituais, nível de atividade física, ingestão de cálcio habitual e presença de condições médicas ou drogas associadas à osteoporose;

- exame físico incluindo a medida da altura, uma acentuação da cifose torácica e sinais indicativos de qualquer doença sistêmica associada.

A característica mais importante da osteoporose é a diminuição da densidade óssea. Quando a osteoporose é diagnosticada no raio X, o paciente já perdeu entre 30 a 40% da sua massa óssea.

Os achados mais evidentes incluem :

- proeminência de trabeculado vertical das vértebras devido ao desaparecimento das trabéculas horizontais

- diminuição do contraste radiológico entre o interior do corpo vertebral e os tecidos moles adjacentes

- acentuação dos contornos vertebrais

As deformidades vertebrais consistem em :

- redução da altura posterior e anterior

- redução da altura anterior, geralmente na coluna torácica

- compressão bicôncava, geralmente na coluna lombar


Para melhorar o diagnóstico radiológico da osteoporose foram propostos quatro índices de análise dos raios X :

- índice vertebral (índice de Meunier)

- índice de Singh

- índice do calcâneo

- índice metacarpiano

Nos últimos 20 anos foram desenvolvidos procedimentos não invasivos para se quantificar, de maneira mais sensível, a massa óssea, tais como :

- densitometria óssea monofóton (SPA)

- densitometria duofóton (DPA)

- tomografia computadorizada quantitativa (QCT)

- medida do cálcio corpóreo total pela análise da ativação de neutrons (TBC-NAA).

Os principais usos clínicos desses métodos são :

- fazer o diagnóstico de osteoporose

- estadiamento da extensão da perda óssea num paciente com osteoporose estabelecida

- quantificar a densidade óssea no paciente com alto fator de risco para osteoporose

- monitorar o tratamento

Prevenção e Tratamento :

As drogas utilizadas na terapêutica da osteoporose estão divididas em dois grupos : as que diminuem a reabsorção óssea e aquelas que aumentam a formação óssea.

A terapêutica anti-reabsorção estabiliza a estrutura óssea diminuindo o risco de fratura, sendo mais indicada na prevenção que no tratamento.

As drogas que aumentam a formação óssea são estimulantes dos osteoblastos, mas podem também aumentar a velocidade de ativação de novas unidades de remodelação óssea.

Drogas anti-reabsorção :

- estrógeno

- cálcio

- calcitonina

- bifosfonatos

- vitamina D

Drogas pró-formação :

- flúor

A osteoporose pode ser evitada pelo aumento do pico da massa óssea ou pela diminuição subseqüente da perda óssea.

Os exercícios são benéficos para os ossos.

O fumo e a ingestão de álcool devem ser evitados.

A ingestão de cálcio pode aumentar o pico de massa óssea e diminuir a perda.

O aspecto principal na prevenção da osteoporose em mulheres é a reposição estrogênica no período imediato à menopausa.

Todos os pacientes devem receber suplementação de cálcio em torno de 1.500 mg por dia, e estrógenos conjugados podem ser utilizados na dose diária de 0,625 mg.

Calcitonina, na dose de 50 a 100 UI/dia, em quinzenas alternadas, é um tratamento efetivo nas pacientes com contra-indicação para estrógenos.

Quando há evidência de má absorção de cálcio, a suplementação com vitamina D pode ser altamente benéfica.

 

Ismar Emanuel D’Oliveira Bastos

 

 


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