Endocrinologia/Glândulas - Hiperprolactinemias
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Endocrinologia/Glândulas

Hiperprolactinemias

25/06/2003

 

A prolactina é um hormônio secretado pela hipófise e normalmente presente em pequenas quantidades na corrente sangüínea tanto de homens quanto de mulheres. Tem a função principal de estimular as mamas a produzir leite, e é secretada em grande quantidade durante a gravidez e a amamentação.

O aumento anormal da prolactina, em homens e mulheres, pode ser devido ao uso de medicações ou a doenças.

Várias drogas comumente usadas na prática clínica por motivos diversos são antagonistas dos receptores de dopamina, e causam aumento da prolactina por esse mecanismo (a dopamina é um inibidor da secreção de prolactina pela hipófise e, ao ser antagonizada, há aumento de secreção de prolactina). Essas drogas incluem a metoclopramida e domperidona (medicamentos geralmente utilizados para tratamento sintomático de quadros de vômitos e náuseas); fenotiazinas, haloperidol, risperidona e butirofenonas (drogas utilizadas como antipsicóticos e sedativos). As drogas metildopa e reserpina, utilizadas no tratamento da hipertensão arterial sistêmica, também podem provocar aumento de prolactina por redução da atividade da dopamina (diminuição da produção e do armazenamento desse hormônio). O verapamil, outro medicamento utilizado como anti-hipertensivo, também pode causar hiperprolactinemia, mas o mecanismo ainda não está bem esclarecido. O estrógeno (hormônio feminino utilizado na reposição hormonal e em pílulas anticoncepcionais) também aumenta a secreção de prolactina quando utilizado em doses altas.

Entre as doenças relacionadas com a hiperprolactinemia estão os tumores de hipófise. Além dos prolactinomas, tumores de hipófise não- secretores de hormônios, por compressão local, podem impedir a chegada de dopamina (hormônio inibidor da liberação de prolactina) às células da hipófise produtoras de prolactina, também gerando hiperprolactinemia. Outras doenças associadas à hiperprolactinemia são o hipotireoidismo, a síndrome dos ovários policísticos, a insuficiência renal crônica, a cirrose hepática e doenças inflamatórias, infiltrativas ou tumorais do sistema nervoso central.

Níveis elevados de prolactina podem provocar a liberação de leite pelas mamas (galactorréia) num período fora da gestação ou amamentação. A galactorréia raramente pode ocorrer em homens. A prolactina tem a capacidade de inibir a secreção do hormônio luteinizante (LH) e do folículo-estimulante (FSH) pela hipófise, que são os hormônios que agem estimulando as gônadas (testículo e ovário). Com a diminuição do LH e do FSH, e conseqüente deficiência dos hormônios sexuais, pode ocorrer diminuição do desejo sexual (libido), impotência, infertilidade, menstruações irregulares (oligomenorréia) ou ausência de menstruação (amenorréia). Denomina-se síndrome galacto-amenorréia o conjunto de sinais e sintomas decorrentes do aumento nos níveis sangüíneos de prolactina.

O diagnóstico é feito através da dosagem de prolactina no sangue. Idealmente a coleta do sangue é em "pool", isto é, o sangue é coletado três vezes, em pequenos intervalos, e então misturado para realizar a dosagem hormonal. Este cuidado é necessário, uma vez que a prolactina é secretada em picos e uma única coleta pode não refletir a realidade. Uma vez confirmado, por repetição, o aumento da concentração sérica da prolactina, devem ser solicitados outros exames de sangue e de imagem (como tomografia ou ressonância magnética de sela túrcica) com a finalidade de estabelecer a etiologia.

O tratamento depende da definição da causa da hiperprolactinemia e varia desde considerações sobre a manutenção de medicamento implicado na elevação do hormônio, correção de doença associada, uso de medicamentos que reduzem os níveis de prolactina ou, eventualmente, até a necessidade de abordagem cirúrgica da hipófise. Os medicamentos capazes de inibir a secreção de prolactina mais utilizados são a bromocriptina e a cabergolina. O tratamento clínico da hiperprolactinemia deve ser conduzido por especialistas habituados à investigação e acompanhamento desses casos.

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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