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Psiquiatria e Psicologia

Gravidez na adolescência: prevalência, ansiedade e ideação suicida

09/04/2009

Revista da Associação Médica Brasileira

 

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.48 no.3 São Paulo July/Sept. 2002

doi: 10.1590/S0104-42302002000300028 

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"GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: PREVALÊNCIA, ANSIEDADE E IDEAÇÃO SUICIDA"

A adolescência é caracterizada por um período de intensas mudanças físicas, sexuais, psicológicas e sociais. É um momento em que o jovem busca formar a sua própria identidade, testando os valores e os costumes aprendidos. Em geral, a crise de identidade se instaura no adolescente no momento em que ele busca encontrar suas próprias respostas e motivações para a vida, procurando compreender quem é e o que quer. Quando esse caminho se torna muito difícil e quando as respostas parecem não existir, desencadeiam-se processos depressivos e ideações suicidas. Diversos autores apontam para o alto número de adolescentes com idéias suicidas. O Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde, ligado à Fundação Oswaldo Cruz, revelou um aumento de 26% na taxa de suicídio de jovens entre 15 e 24 anos em nove capitais brasileiras. É de se esperar que, a gestação, também considerada como um momento de crise, dadas às mudanças físicas, sociais, econômicas e emocionais quando associada à adolescência, intensifique os conflitos existentes nesse período. O artigo "Gravidez na Adolescência: prevalência de depressão, ansiedade e ideação suicida" demonstra o elevado risco de suicídio na associação entre adolescência e gestação. Os dados apresentados diferem da experiência com gestantes adolescentes na Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da FMUSP. É provável que essa diferença se dê, pois a grande maioria das adolescentes neste Serviço desejaram a gravidez. Afirmam que, grávidas nunca mais estarão sozinhas, agora são importantes, pois a vida passou a ter um significado, um sentido. Observa-se que a gestação passa a ser uma alternativa à crise da adolescência, à busca de identidade, ao vazio das transformações. Agora, grávida, a adolescente adquire um importante status social no papel de mãe e encontra sentido em viver, pois terá importância na vida de alguém. No entanto, nota-se que a gestação é muito idealizada, dificultando o contato real com as obrigações e as dificuldades de ser mãe. Com o intuito de minimizar os riscos de depressão pós-parto e auxiliar as adolescentes no processo da maternidade, desenvolve-se, durante todo o pré-natal, um trabalho em equipe, ensinando, discutindo, orientando. Consegue-se, assim, um baixo índice de depressão pós-parto (2%), e, por conseqüência, de ideações suicidas. Nossa preocupação se dá na questão do elevado índice de gestação desejada, que tenderá a aumentar enquanto nossos adolescentes não tiverem apoio social suficiente para encontrarem outras saídas para a crise instaurada nesse período do desenvolvimento.

GLÁUCIA GUERRA BENUTE
MARCO AURÉLIO GALLETTA

Referências

1. Cassorla RMS. O que é suicídio. São Paulo: Brasiliense; 1984.

2. Versiani M, Reis R, Figueira I. Diagnóstico do transtorno depressivo na infância e adolescência. J Bras Psiquiatr 2000; 49:367-82.

3. Serfaty E. Suicidio en la adolescencia. Adolesc Latinoam 1998; 1:105-10.

 

 

 

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