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Uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo pelo médico Luiz Eduardo Café, criou uma forma simples e não-invasiva de identificar o câncer na bexiga. A técnica usa o ácido hialurônico, uma substância produzida pelo tumor e carreada pela urina, para apontar a existência do câncer e a provável gravidade da doença. Além de substituir com grau similar de precisão o incômodo de endoscopia e biópsia, no qual um aparelho precisa ser inserido no canal urinário do paciente e se retira uma amostra de tecido, a técnica também é bastante segura: quando o resultado do teste é negativo, há uma probabilidade de 96% de que não haja a doença.
O ácido hialurônico está presente normalmente no organismo, integrando a matriz extracelular (o espaço que existe entre as células). O problema é quando a substância se manifesta em excesso: isso indica a multiplicação descontrolada e desordenada das células que é a marca registrada do câncer. O tecido que eventualmente pode conter o tumor é lavado pela urina. Passando pelas células tumorais, o líquido arrasta consigo o ácido hialurônico em excesso, que é comodamente recolhido numa simples ida ao banheiro do paciente. Segundo dados do pesquisador se o ácido hialurônico aparecia em quantidade inferior a cinco nanogramas (cada nanograma equivale a um bilionésimo de grama) por mililitro de urina, era quase certo que não havia câncer.
Cerca de 70% das amostras em que o valor era superior a esse indicavam a presença do tumor. Com valores muito alterados (mais de 30 nanogramas), o tumor não só estava presente como era muito grave, tendo atingido o músculo da bexiga. Estes resultados devem ser confirmados e ampliados num grupo de 300 pacientes. |