Cirurgia/Anestesia - Diagnóstico e tratamento da tuberculose anoperianal
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Cirurgia/Anestesia

Diagnóstico e tratamento da tuberculose anoperianal

14/05/2009

Revista da Associação Médica Brasileira

 

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.48 no.2 São Paulo Apr./June 2002

doi: 10.1590/S0104-42302002000200003 

Panorama Internacional

Clínica Cirúrgica

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA TUBERCULOSE ANOPERIANAL

Os autores analisam os aspectos diagnósticos e de tratamento da tuberculose anoretal. Citam sua experiência com a apresentação de sete casos que coletaram na sua vivência profissional, salientando a incidência da doença, suas complicações e tratamentos.

A infecção pelo bacilo de Koch continua sendo problema mundial de saúde pública. A epidemia provocada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), o aparecimento de bacilos multiresistentes, a grande população de imigrantes e a pobreza são responsáveis pelo aumento de incidência da doen ça. A tuberculose pode acometer qualquer tecido e a região perianal não é poupada. Todavia, sua raridade faz com que as lesões não sejam reconhecidas, retardando o tratamento específico.

A tuberculose perianal é mais comum em homens e ocorre secundariamente à doença pulmonar. A contaminação ocorre a partir da deglutição de secreções respiratórias repletas de bacilos. A preexistência de lesões anais é relatada. A fístula é o sintoma mais freqüente da tuberculose anorretal (80% a 91% dos casos) e é indistinguível da afecção de origem criptoglandular, embora a incidência de lesões complexas seja maior (62% a 100%). O período longo de instalação e a recidiva, apesar do tratamento cirúrgico bem conduzido, sugerem o diagnóstico, bem como a história de doença pulmonar prévia. Os sintomas incluem emagrecimento, inapetência, febre, sudorese noturna e tosse seca. As radiografias de tórax e o teste cutâneo da tuberculina são mandatórios.

O quadro histológico típico mostra granuloma de células gigantes rodeando área de necrose caseosa. Entretanto, a presença de caseum não é freqüente, dificultando a diferenciação com doença de Crohn. A bacterioscopia com a coloração de Ziehl-Nielsen, a cultura e a detecção do DNA bacteriano pela técnica da reação em cadeia da polimerase (PCR) também fazem o diagnóstico. Este, muitas vezes, só é feito pela combinação de achados de exames. O tratamento inclui a operação convencional da sepse e a terapia antituberculose. Embora o tratamento específico seja efetivo e eventualmente cicatrize as fístulas, o tratamento cirúrgico é recomendado. O tempo de cicatrização depende do tamanho da lesão inicial. A evolução costuma ser favorável.

Comentário

A importância desse artigo é lembrar a associação de fístulas e tuberculose, o que ocorre em 10% dos casos. A pesquisa de tuberculose deve ser realizada previamente à operação. O retardo no diagnóstico causa complicações na ferida operatória e recidiva de fístula. Sabe-se, também, que portadores dessa doença apresentam maior freqüência de fístulas anais que a população sadia. O esquema tríplice antituberculose elimina as micobactérias do escarro em até 40 dias, período após o qual os doentes poderão ser operados sem risco para a cicatrização.

SIDNEY ROBERTO NADAL
CARMEN RUTH MANZIONE

Referência

Sultan S, Azria F, Bauer P, Abdelnour M, Atienza P. Anoperineal tuberculosis. Diagnostic and management considerations in seven cases. Dis Colon Rectum 2002; 45:407-10.

 

 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302002000200003

 

 


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