Homeopatia - A Homeopatia no universo do envelhecimento
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Homeopatia

A Homeopatia no universo do envelhecimento

08/06/2009
Textos sobre Envelhecimento
ISSN 1517-5928 versão impressa

 


Textos Envelhecimento v.7 n.1 Rio de Janeiro  2004

 

A Homeopatia no universo do envelhecimento

Homeopathy in the Universe of Ageing

 

Renan dos Santos¹

 

 

Resumo

Este trabalho procura explicitar alguns conceitos básicos da Homeopatia, enfatizando os pilares de sua estrutura metodológica e a filosofia de sua doutrina. Busca correlacionar essa doutrina médica com o processo de saúde/doença e com a qualidade de vida na velhice na medida em que reconhece a possibilidade de controlar disfunções e deficiências numa perspectiva de construção de um "futuro saudável". Salienta a evidência de parceria viável entre a Homeopatia e a Gerontogeriatria dentro da visão multidisciplinar no assistir e cuidar de idosos.

PALAVRAS-CHAVE: Homeopatia; saúde; doença; qualidade de vida; Gerontologia; Geriatria; idoso; envelhecimento; multidisciplinaridade.

 

Introdução

O título deste artigo subentende o propósito de evidenciar conexões possíveis entre a Homeopatia e o perfil dos estudos gerontológicos e geriátricos. Partimos em busca de uma linguagem comum, onde conceitos básicos como saúde e doença possam servir para problematizar questões como a promoção da boa qualidade de vida e a cura de enfermidades. Salientamos o papel da terapêutica homeopática e seu embasamento doutrinário e filosófico, em sua disponibilidade de se somar a outros recursos médicos, na facilitação da capacidade adaptativa do indivíduo às injunções da vida no contexto cultural e ambiental. Tudo à procura de um envelhecer que possibilite realizações humanas.

E, para tanto, apoiamo-nos em nossa experiência no interior do Núcleo de Atenção ao Idoso (NAI), ambulatório que integra a Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI) e que, por sua vez, corresponde programa vinculado à Sub-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Esse espaço, em que vigora o trabalho multidisciplinar, volta-se para essa fase da vida em que as funções tendem a se reduzir e os riscos à saúde são acrescidos, exigindo avaliação integral de quem vive sob o fogo cruzado dos fatores sócio-ambientais muitas vezes adversos. Sempre numa visão de totalidade, a Clínica Homeopática aí se insere utilizando os medicamentos que lhe conferem o qualitativo de Medicina suave pelas diluições e pelas dinamizações de sua farmacotécnica. Nessa elaboração coletiva, vislumbramos a possibilidade de construção de conceitos harmoniosos, frutos da convivência das idéias de Hahnemann² lançadas sobre práticas e estudos gerontológicos e geriátricos.

Visão da totalidade: compromisso da Homeopatia nesses 200 anos

Onde se encontram as interfaces entre o paradigma terapêutico de Hahnemann e os estudos gerontológicos e geriátricos? Como a Homeopatia se insere num contexto multidisciplinar, visando promover a saúde e tratar diferentes males que podem se introduzir no processo de envelhecimento? Para iniciar essas questões e necessário uma primeira aproximação às bases da Homeopatia.

O mero alívio de sintomas e sinais não é saúde, que aqui é entendida como um estado de harmonia entre as partes do corpo... entre a pessoa como um todo e o cosmos. Importa, portanto, considerar as relações do homem consigo mesmo, com outros homens, com a natureza; estudar seu estado psicológico e ambiental.

E a enfermidade é, prioritariamente, o desequilíbrio da Energia Vital do indivíduo que implica três fatores mórbidos: (a) a influência mórbida, (b) uma especial susceptibilidade da pessoa afetada, (c) a individualidade do paciente que imprime à enfermidade um modo e forma particulares.

Os sintomas constituem a via principal de acesso à cura, daí sua anamnese minudente, valorizando os sintomas mentais gerais, locais, raros e estranhos; os fatores causais; as transgressões; os sintomas patológicos, indicativos da afinidade eletiva do medicamento por certos tecidos ou órgãos.

Clinicamente a enfermidade recebe classificação.

É dita Aguda, quando se trata de uma crise de exoneração e, se não segue a lei de cura, o similimum está indicado. Sendo que nas epidemias o remédio epidêmico, preparado a partir do agente causal, pode servir como profilático, não obstante ser o remédio crônico do paciente (afinado com sua diátese – maneira peculiar de reagir de cada indivíduo) a melhor providência terapêutica.

É considerada Crônica a que não mostra tendência a curar-se espontaneamente. Essa é a esfera magna da Homeopatia. É um estado constitucional mórbido que desvitaliza o indivíduo e o predispõe, por susceptibilidade, à infecção aguda. Esta enfermidade crônica deve ser estudada pelo exame biográfico do paciente desde seu período gestacional, de forma a se constituir uma totalidade original de sintomas. A medicação para o quadro atual corresponderá apenas à primeira etapa do tratamento, que deve evoluir para a erradicação do desequilíbrio constitucional, nas tendências de Psora – susceptibilidade hiperérgica; Sífilis – como tendência destrutiva da energia; Sicose – como perversão proliferativa e anárquica das células. Os três miasmas fundamentais de Hahnemann. Aqui, a patologia é o resultado da enfermidade dinâmica, uma perturbação da energia vital reguladora do organismo. Os abcessos, as úlceras e os tumores são o resultado do esforço exonerativo ou superficializante por parte das defesas naturais.

Para a Homeopatia, trata-se de nuclear e essencial a constituição do indivíduo e um correspondente modo de reagir (Diátese); este, o elo verdadeiro de ligação entre quadros mórbidos, à primeira vista, completamente diferentes. Tal fato confere à Homeopatia uma dimensão própria, de extraordinárias conseqüências.

Como elemento de base das quatro diáteses (Psora, Tuberculismo, Luetismo e Sicose) encontramos o tecido conjuntivo. Porém, a originalidade da manifestação encontra-se no epitélio para a psora; na serosa para o tuberculismo; no tecido elástico para o luetismo e, no retículoendotélio, para a sicose.

São características da diáteses; um modo especial de reagir a certas agressões, em correspondência com a estrutura anatomofisiológica própria, ou seja, é uma sensibilidade especial; e, melhora nessa competência de adaptação, sob efeito de remédio diatésico fundamental, escolhido pela patogenesia.

Das quatro diáteses, duas são primárias – a psora e o tuberculismo – formando o equilíbrio binário presente no universo - alores opostos e complementares, assim como Yin e Yang da Filosofia Oriental. As agressões ao organismo ou as carências, por exemplo, podem provocar hiper-respostas (psora) ou hipo-respostas (tuberculismo) suscetíveis de evoluir para o luetismo (destruição celular) ou para a sicose (proliferação das células). Esses aspectos são da maior relevância em quase todos os casos, especialmente nos quadros crônicos, para se firmar o diagnóstico e estabelecer a terapêutica. Sobre as diáteses primárias, assentam-se o luetismo e/ou a sicose, como salário do pecado: erros e excessos cometidos durante a vida.

O Luetismo é o orgulho, a dominação, de onde resultam as insatisfações, a instabilidade, o triunfo do instinto sobre a razão. A Sicose é a capitulação, a recusa de toda a luta, o fracasso, o naufrágio, o triunfo das forças da morte sobre as forças da vida (Michaud, 1999).

A literatura e as artes estão, em todos os tempos, marcadas pelas expressões diatésicas de seus grandes vultos. Modernamente, a psora adere às alergias; a atividade psíquica tende à cólera, à violência; pouca sensibilidade à dor; resistência à fadiga; tendência à congestão arterial, escleroses; mudanças de caráter chamam atenção para o caminho da organicidade; o psórico corresponde à constituição carbônica. A psora é centrífuga, enquanto o tuberculinismo é centrípeto, tem má defesa frente às agressões, com afecções pouco febris e de evolução tórpida, tendência a cronicidade, congestão venosa, astenia e alergia; o tuberculínico se liga ao tipo fosfórico; tem como contra-face na Alopatia o "nervoso", o "psicossomático": ele se diz sempre doente, porém possui alegria de viver, entusiasmo e desejo de gozar a vida em seus prazeres nobres. Porém o corpo não lhe serve. No psórico a recuperação pode ser rápida, no tuberculínico sobra sempre alguma coisa.

Na patologia crônica, o que importa é ver, por trás do rótulo diagnóstico, o colorido específico da diátese.

Quanto ao medicamento, as potências ou dinamizações mais elevadas seguem a cronificação do quadro mórbido, enquanto as baixas e médias se recomendam na fase aguda e intermediária do processo evolutivo. Gradativamente caminhamos das manifestações organísmicas para as Diáteses; e a busca do remédio único, em cada prescrição, é o grande desideratum.

A Gerontologia e o olhar para a totalidade

A Geriatria foi primogênita; como especialidade médica, estava compassada com as tendências de dirigir-se a um foco específico, como a Pediatria ou a Ginecologia. Veio depois a Gerontologia; nascida em meio à plena expansão da Medicina ocidental especializada e cada vez mais tecnológica, apresenta-se como um certo contraponto. Colocando-se a tarefa de pensar o processo de envelhecimento humano para além do fenômeno patológico, propõe uma abordagem de conjunto, multidisciplinar; contra a maré médica ocidental do olhar agudo e especializado sobre um foco cada vez mais isolado, aposta num olhar para a totalidade do ser humano que envelhece.

Evidentemente, a constituição do campo gerontológico não se dá sem tropeços. Não sejamos ingênuos. Questões corporativas, visões fragmentárias e estereotipadas vêm marcando os muitos caminhos trilhados no interior da Gerontologia, como tão bem nos mostra Debert (1999) em suas discussões sobre diferentes abordagens quando o tema é a velhice; muitas construções têm sido pesadamente questionadas nas iniciativas e reflexões voltadas para a velhice. Mas o que queremos ressaltar corresponde ao gérmem da visão mais integralizadora, mais cósmica, que lá estava presente, desde seus primórdios; a perspectiva multidisciplinar sempre foi marca essencial de singularidade no campo da Gerontologia. E, mesmo a Geriatria, tem se beneficiado desse olhar mais abrangente quando se dispõe partilhar, de fato, com outros profissionais de saúde, a atenção àqueles que envelhecem, em suas manifestações patológicas.

Hoje, muitas experiências gerontológicas vêm sendo empreendidas nos mais diversos rincões do mundo. Investindo na participação do idoso nos mais diversos espaços sociais e buscando a construção de perspectivas vívidas e realizadoras para os que envelhecem, inúmeras instituições vêm se abrindo de forma crescente à presença de idosos, inclusive, e com destaque, as universidades brasileiras (Cachione, 1999).

Neri (1999), entusiasta dos estudos sobre envelhecimento, tem se dedicado a evidenciar os aspectos multifacéticos desse universo. Veras (1994), vem enfatizando a necessidade da abordagem por meio de diferentes dimensões quando a discussão se volta para o campo do processo de envelhecimento humano. As múltiplas áreas do conhecimento envolvidas na pesquisa relativa aos idosos e à velhice foram evidenciadas de forma categórica por Prado (2003) em seus estudos sobre o tema em tela.

A UnATI-UERJ e o Núcleo de Atenção a Idoso como espaços multidimensionais

A Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) é uma das expressões concretas da abordagem multidisciplinar quando se trata de oferecer propostas de elevação da qualidade de vida para a população idosa (Veras e Camargo, 1994). A integração entre promoção da saúde, prevenção e tratamento de doenças corresponde parte constitutiva da essência conceitual da UnATI-UERJ. Em todos os seus espaços, impera a perspectiva de que a qualidade de vida para os idosos é algo tangível, viável se considerada sua totalidade, seu ser humano, em toda a sua humanidade.

Em seu interior, desenvolvem-se as atividades do Núcleo de Atenção ao Idoso (NAI), um ambulatório de características bastante peculiares, o que se deve, essencialmente, ao seu caráter inovador. Aí são acompanhadas pessoas com mais de 60 anos, que deambulam com autonomia e freqüentam cursos e atividades diversas na UnATI e, muitas vezes, fora dela inclusive. É característica constitutiva do NAI construir-se como espaço multiprofissional que valoriza de forma ímpar a promoção da saúde e a prevenção de doenças ao lado dos cuidados exigidos pelos acometimentos patológicos que fazem parte do cotidiano dos muitos idosos. Educação em saúde em atividades grupais, momentos coletivos de reflexão sobre a qualidade de vida na velhice e consultas individuais convivem de forma a buscar consensos e mergulhar nas contradições, vislumbrando a possibilidade de um envelhecimento que contemple o domínio do corpo, a dimensão emocional, a inserção social, as perspectivas espirituais de cada um e de todos, observando o quão difícil é empreender essa caminhada.

Nossa inserção institucional acontece no NAI, desde 1997, por meio de consultas médicas que se desenvolvem à luz da Homeopatia. Tem sido nosso objetivo cuidar, segundo a Lei dos Semelhantes, com doses mínimas, sempre em busca do remédio único para uma clientela que nos procura espontaneamente, desejando uma terapêutica eficaz e suave, sem efeitos colaterais indesejáveis.

A grande maioria dos pacientes, homens e mulheres, após três consultas com intervalos de 30 a 40 dias, têm apresentado graus diversos de melhoras que se expressam do psiquismo às queixas físicas, quase todos passando a administrar melhor suas limitações. Em cerca de 80% dos casos, foi possível diminuir a tendência à medicalização dos pacientes. Uma observação importante deve ser destacada: nosso olhar clínico busca constantemente padrões coletivos; os pacientes atendidos nas consultas de Homeopatia revelam ampla diversidade em suas manifestações patológicas e nas respostas às terapêuticas implementadas. Em outras palavras, parecem não tender, em bloco, a esta ou aquela Diátese. E, dessa forma, não nos parece indicado falar em "idoso" e sim em "idosos", em pessoas que envelhecem e adoecem de forma absolutamente singular demandando, portanto, medicamentos singulares.

Há forte demanda reprimida em nosso setor. Observemos que nossa participação acontece em colaboração com os setores de Nutrição, Fisioterapia, Cardiologia, Endocrinologia.

Estamos aqui no espaço em que campeiam as manifestações crônicas entre esses seres humanos sobre os quais paira a possibilidade de incapacidades, quando já não existem. É o substrato privilegiado da Homeopatia efetivada num cenário que valoriza modos de vida pessoais e coletivos, autocapacitação através de mudanças nos comportamentos e valores com base no conhecimento e no crescimento humanos, reconhecendo a saúde como meio de atingir os altos fins da existência. Nessa elaboração coletiva, vislumbramos campo fértil para o florescer das idéias de Hahnemann, como sementes lançadas sobre estudos geriátricos e gerontológicos.

A Medicina de Hahnemann, a Gerontologia e a qualidade de vida na velhice

Pensemos nos conceitos emitidos para a Homeopatia tendo por escopo a fase da vida que entendemos como processo de envelhecimento e vamos nos deparar com a necessidade de colocar foco nas possibilidades de perdas ameaçadoras – sejam de natureza motora, cognitiva, psíquica, econômica, social – inquietando a emocionalidade e atingindo o sentimento de competência. As repercussões nesse quadro de perdas – possíveis, concluídas ou em processo de desenvolvimento – dependem de reações comportamentais inerentes à personalidade de cada indivíduo. Alguns se adaptam e administram o "stress" outros necessitam de ajuda pertinente.

No caso das funções diminuídas, podemos encontrar o modelo de ciclo vicioso. No declínio físico, em geral, teremos diminuição da função neuromuscular, condicionante da ansiedade, que se carrega de sentimento de medo, levando a diminuição da motivação de agir. Perdas da identidade podem compor o passo seguinte, refletindo sobre a motivação de agir, com conseqüente perda da confiança em si e redução da própria estima. Pode reduzir-se a possibilidade de aprendizagem. Tudo levando à incompetência funcional, reforçando o declínio da função neuromuscular.

E, nesse contexto, encontramos lógica aplicável a outras afecções, como a reumática em idosos, doenças degenerativas e aquelas provocadas pela falta de mobilidade, tomando conta do corpo e do espírito, interferindo nas atividades da vida diária e merecendo o conforto proporcionado por atividades físicas (ginástica, dança, relaxamento, exercícios respiratórios, passeios culturais, turismo e o que mais puder ser proposto como adequado), eventuais orientações sobre alimentação, ao lado de estímulos provenientes de medicamentos homeopáticos.

Ora, no processo de envelhecimento, à medida que declina a funcionalidade orgânica, há no modelo alopático a tendência à polifarmácia, na ânsia de negar as manifestações que, ora aqui ora ali, traduzem disfunções ou desequilíbrios vitais. Fácil é chegar à hiatrogenia, superajuntar sofrimento por ação dos agentes medicamentosos. Na Homeopatia, as doses mínimas tornam o fenômeno muito mais raro.

Cabe aqui um relato importante. Estudo realizado em 1996/1997 (quando ainda a Homeopatia não estava lá presente) revelou que o consumo de medicamentos entre pacientes do NAI encontrava-se bem abaixo dos padrões observados na literatura e sugerindo que seus profissionais apresentavam um padrão de prescrição extremamente sóbrio e capaz de influenciar a população atendida (Sayd, et al, 2000). Podemos afirmar, após esse relato, que a filosofia de trabalho do NAI está pautada numa visão acerca do processo de envelhecimento que se coaduna com procedimento parcimonioso no emprego de remédios.

Enfim, o modelo gerontológico e geriátrico incorporado pela UnATI-UERJ e manifestado com toda limpidez em um de seus ambulatórios – o NAI – expressa a consolidação cada vez maior de visão holística do processo de envelhecimento: a pessoa idosa vista em sua totalidade, mergulhada em um mundo pluridimensional, onde a qualidade de vida corresponde a pilar essencial de sua existência. Para muito além da doença e dos muitos medicamentos e procedimentos tecnológicos que marcam a Medicina pontual e especializada, a prática do NAI busca o mínimo necessário de medicação e enfatiza múltiplos olhares com vistas à cura, à prevenção de doenças e incapacidades e à promoção da saúde, esta entendida em suas dimensões corporais, emocionais e espirituais.

Em suma, olhamos para esses anos de convivência profícua entre Homeopatia e Geronto-geriatria no NAI, refletimos sobre os conceitos que regem as condutas de cada um desses campos do conhecimento e encontramos referências comuns fundamentais. Ambos buscam mais que o mero alívio de sintomas e sinais de doenças e incapacidades; os dois têm as doenças crônicas como seu substrato essencial cotidiano; simultaneamente procuram caminhos resolutivos suaves e mais confortáveis para os pacientes; tanto um como outro vêem o ser humano em sua singularidade, contextualizado no complexo e vasto mundo material e espiritual.

Acreditamos que a essência conceitual de cada um desses campos do conhecimento se encontram e, por esse motivo, finalizamos o presente artigo servindo-nos das palavras do Professor Albarède (1996) para deitá-las sobre a Gerontologia.

Os que se encarregam do envelhecimento de uma pessoa e que buscam fazê-lo por meio da Homeopatia devem integrar em suas ações: (a) a dimensão do programa genético, que fixa as grandes linhas do envelhecimento, delineando o conceito de terreno; (b) o balanço existencial com base no plano biopatológico e psicossocial, que modula o envelhecimento e dá enfoque específico a cada pessoa; (c) a avaliação das grandes funções – de relação, de integração, de interação, num contexto de adaptação e homeostasia; (d) a capacidade de escuta e observação das queixas e temores da pessoa.

Caminhos tão distintos e tão próximos. Possibilidades para um envelhecimento com qualidade de vida.

 

Notas

¹Médico homeopata, formado pelo Instituto Hahnnemano do Brasil. Médico assistente do Núcleo de Atenção ao Idoso (NAI-UnATI-UERJ).

²Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843), médico alemão que formulou os princípios da Homeopatia.

 

Referências bibliográficas

ALBARÈDE. Prólogo. In: ELBAZ, J. P. Tratado de Geriatria Homeopática. São Paulo: Andrei, 1996. 564p.

CACHIONI, Meire. Universidades da terceira idade: das origens à experiência brasileira. In: NERI, Anita Liberalesco; DEBERT, Guita Grin (Orgs.) Velhice e sociedade. Campinas, SP: Papirus, 1999. p. 141-178.

DEBERT, Guita Grin. A reinvenção da velhice. São Paulo: EDUSP; FAPESP, 1999.

MICHAUD. J. Ensino superior em homeopatia. In: Homeopatia clinica. São Paulo: Andrei Ed. Ltda, 1999. v. 3.

NERI, Anita Liberalesco ; DEBERT, Guita Grin (Orgs.) Velhice e sociedade. Campinas, SP: Papirus, 1999.

PRADO, Shirley Donizete. A produção científica sobre envelhecimento humano no Brasil. 2003. Projeto de tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

SAYD, Jane Dutra; FIGUEIREDO, Marcelo Cardoso; VAENA, Michel Luciano H. Toledano. Automedicação na população idosa do Núcleo de Atenção ao Idoso da UnATI-UERJ. Textos sobre Envelhecimento, ano 3 n. 3, p. 21-34, 1o Semestre, 2000.

 

Abstract

This work tries to explain some Homeopathy's basic concepts, emphasizing the pillars of its methodological structure and the philosophy of its doctrine. It tries to relate this medical doctrine to the health/illness process and to the elderly's life quality, as it recognizes the possibility of controlling malfunctions and impairments so as to promote a  "healthy future". It also emphasizes the evidence of a viable partnership between Homeopathy and Gerontology/Geriatrics from the multidisciplinary viewpoint of taking care of elderly people.

KEYWORDS: Homeopathy; health; illness; life quality; Geriatrics; elderly; ageing

 

 

Recebido para publicação em: 04/12/2003

Aprovado em: 05/03/2004

Correspondência para:

Rua General Canabarro, 790

20271-200 – Rio de Janeiro, RJ

 

 

 

Centro de Referência e Documentação sobre Envelhecimento, da Universidade Aberta da Terceira Idade - UnATI, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

 

 

http://www.unati.uerj.br/tse/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-59282004000100005&lng=pt&nrm=iso

 

 

 




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