gastronomia - Esturjão - recurso sobrexplorado para a produção de caviar
Esta página já teve 89.020.445 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 26.992 acessos diários
home | entre em contato
 

gastronomia

Esturjão - recurso sobrexplorado para a produção de caviar

27/06/2003

 

 

O que é o caviar?

O caviar consiste nos ovos de ou nas ovas de esturjão preservadas com sal. É preparado removendo as massas de ovos de peixes frescos acabados de serem capturados. São cuidadosamente passados através de uma malha fina para separar os ovos e remover pedaços de tecido e gorduras. Ao mesmo tempo, 4 a 6 % de sal é adicionado para preservar os ovos e dar-lhe sabor. A maioria do caviar é produzido na Rússia e Irão a partir de peixes capturados no Mar Cáspio, no Mar negro e no mar de Azov (RAMADE, 1992)

O caviar é qualificado de acordo com o tamanho dos ovos e o seu processamento. A qualidade é designada para cada tipo de esturjão dos quais os ovos são retirados. As espécies de esturjão (Família Acipenseridae) que produzem caviar são, por ordem de tamanho, Beluga (Huso huso), Osetra (Acipenser gueldenstaedtii colchicus), e Sevruga (Acipenser stellatus) (NELSON, 1984).

Caviar de qualidade mais baixa é feito através de ovos imaturos e danificados que possuem uma maior quantidade de sal e são prensados. Este caviar “payusnaya” (caviar prensado) é preferido por alguns, pelo seu sabor mais intenso. “Payusnaya” é um produto secundário, que consiste maioritariamente de ovos prematuros ou danificados durante o processo de recolha e separação. Possui um maior teor em sal (10%), é prensado, exportado e enlatado noutro local (RAMADE, 1992).

O esturjão e tipos de caviar

Existem 24 espécies de esturjão em todo o mundo. Cinco destas espécies vivem no Mar Cáspio, mas apenas três são utilizadas para fabricar caviar. As três espécies de esturjão utilizadas são a beluga, a osetra, e a sevruga. Estas três dão-nos cerca de 90% da produção mundial de caviar. O caviar de beluga é o de maiores dimensões, entre o cinzento claro e escuro. É muito valioso pelos seus grânulos largos e pele delicada. O caviar de osetra varia entre um cinzento acastanhado escuro e o dourado. É a única variedade de caviar com um sabor único a noz. O caviar de sevruga, é o de menores dimensões, a sua cor é preto esverdiada, e com grãos muito finos (NELSON, 1984).

Como é diferenciado o caviar?

Os factores considerados para a determinação da qualidade do caviar são essencialmente a uniformidade e a consistência dos grãos, o tamanho, a cor, o odor, o sabor, o brilho, a firmeza e a vulnerabilidade da pele dos ovos.

Grau 1 – Caviar de grau 1 é caviar que idealmente combina todas as propriedades: tem de ser firme, grâos largos, delicado, intacto, de cor e sabor finos (RAMADE, 1992).

Grau 2 – Caviar de grau 2 é caviar também fresco com tamanho de grãos normal, muito boa cor e sabor refinado (RAMADE, 1992).

Caviar prensado – Neste grau, efeitos externos causaram a fractura da pele de mais de 35% dos ovos antes de estes serem removidos do peixe. Então, este caviar é tratado de forma diferente do grau 1 e 2. Consiste em ovos misturados de osetra e sevruga. Esta mistura de ovos, usualmente de aspecto leitoso, é aquecida a 38ºC, numa solução salina e misturada até absorver o sal e voltar à sua cor natural. Depois, é colocado em recipientes onde é prensado para remover o excesso de sal e gordura. O caviar prensado contém quatro vezes mais ovos que caviar fresco da mesma dimensão, devido a ser necessário quatro porções de caviar fresco para produzir uma porção de prensado. A pasta preta resultante tem um sabor muito concentrado (RAMADE, 1992).

Preparação do caviar

Os ovos frescos de caviar são preparados a partir das ovas de uma fêmea de esturjão. Os esturjões são capturados em redes e trazidos de volta para o laboratório de pesca, ainda vivos. Aqui são anestesiados, não mortos, e o conteúdo das ovas extraído. O pescador cuidadosamente anestesia o peixe dando-lhe uma pancada num local específico, abaixo da cabeça. Os ovos devem ser retirados enquanto o peixe ainda está vivo. Se o peixe experiência o stresse da morte, liberta uma substância química para os ovos que estraga o caviar dando-lhe um sabor amargo (SOKOLOV, 1986).

Quando os ovos de beluga são retirados desta para fabricar o caviar de qualidade mais elevada (grau 1), este é processado manualmente. Os peixes são colocados sob uma rede de malha de tamanho específico com um tubo por baixo. Os ovos são retirados ao fazer um corte com uma faca pontiaguda no esturjão. Então os sacos de ovos são rompidos e os ovos são passados por malhas de diferentes dimensões de forma a separar os grãos de diferentes tamanhos. O processo separa também os ovos do tecido circundante (SOKOLOV, 1986).

Quando todos os ovos são recolhidos, colocam-se num recipiente, e sal seco é adicionado e cuidadosamente misturado com os ovos. Os ovos são depois empacotados devidamente, consoante o seu grau de qualidade. Estão então preparados para comer ou serem guardados num frigorífico (RAMADE, 1992).

Pasteurização

Algum caviar é pasteurizado. A pasteurização é efectuada pela imersão de ovos já enlatados em vácuo num banho quente a 155 –160 graus de Fahrenheit durante 30, 45, e 60 minutos para recipientes de 30, 60, e 120 g, respectivamente. Este tratamento torna possível o armazenamento de caviar a temperaturas tão altas como 60 graus Fahrenheit, durante vários meses sem a perda do sabor e a sua decomposição (RAMADE, 1992).

Classificação dos substitutos de caviar

Estes são produtos consumidos como o caviar, mas preparados a partir de ovos de
peixes que não sejam esturjão (salmão, carpa, atum, bacalhau), que foram lavados, limpos de órgãos adjacentes, salgados e prensados. A esses ovos de peixes podem ser adicionados corantes e adulterantes de sabor.

Existem normas que tornam necessário o uso de especialistas na área da classificação do caviar, de modo a que os processos de importação/exportação sejam corretos. A informação contida na rotulagem de exportação deste tipo de produtos tem de ser feita de modo apropriado segundo critérios regulamentados (RAMADE, 1992). Esta informação tem que seguir os seguintes padrões:

1) Uma descrição detalhada do caviar ou substituto do caviar isto é: a espécie do esturjão (beluga, osetra, sevruga, ou caviar pressionado); o nome comum e o nome científico do peixe utilizado, respectivamente;
2) Método de embalagem;
3) Peso do produto, em libras ou quilogramas;
4) País de origem.

Principais espécies de esturjão utilizadas na produção de caviar

Taxonomia
Filo: Chordata
Classe: Osteichthyes
Ordem: Acipenseriformes Berg, 1940
Família: Acipenseridae Bonaparte, 1832
Descrição taxonómica das espécies

Os esturjões são peixes da Família Acipenseridae, não possuem dentes e são uns dos poucos peixes ósseos sobreviventes que mantiveram a sua aparência pré-histórica. Têm corpo em forma de torpedo, notocorda presente, barbatana caudal heterocérquica e espiráculos bem desenvolvidos. As membranas das brânquias estão ligadas entre si. O focinho é curto, pontiagudo, ligeiramente arrebitado e sem escudos esqueléticos. A boca é ínfera, quando fechada, e aumenta quando aberta, em forma semi-lunar, não atingindo os lados da cabeça. Possui também barbilhos com função sensorial (BEMIS, 1987).

Beluga (Huso huso)

A beluga é o esturjão de maiores dimensões e o único predador na família. È tão raro que a pesca anual da beluga não excede as 100 unidades. A beluga é forte, vigorosa, com uma boca grande, e nómada, perseguindo a sua presa, cardumes de “whitefish” (ARTYUKHIN, 1995).

Osetra (Acipenser gueldenstaedtii colchicus)

A osetra possui um tamanho médio e conhece o seu meio através do seu focinho. O seu focinho é alongado e possui quatro barbilhos na face de baixo. Está equipada para reconhecer plantas e pequenas formas de vida marinha (ARTYUKHIN, 1995).

Sevruga (Acipenser stellatus)

A sevruga é pequena, e possui um focinho pontiagudo.As placas prateadas do exoesqueleto são a característica mais distintiva desta espécie de esturjão (BERG, 1948).


Distribuição de espécies no Mar Cáspio

As espécies de esturjão habitam em todo o mar Cáspio, entrando nos rios que desaguam neste mar (o Volga, Ural, Kura, Terek, Sefidrud) para desovar. A espécie está vastamente distribuída ao longo de toda a área do mar. As principais áreas de alimentação estão localizadas no Norte do Cáspio e na zona de plataforma na parte Central (BEMIS, 1987).

Estatuto no Livro Vermelho Internacional: IUCN Red Data List – EN.
Estatuto no Livro Vermelho Nacional: Azerbeijão – EN; Irão – EN; Casaquistão – EN; Turquemenistão – EN.

Características gerais das espécies

Grupo taxonómico ecológico: Peixe pelágico.

Distribuição mundial: Espécie endémica da zona do Mar Cáspio. Habitam no Mar Cáspio, no Mar Azov, e no Mar Negro.

Habitat da beluga: Alimenta-se em zonas pouco profundas, entre 1,5 e 30 metros de profundidade. Durante o período de Inverno pode ocorrer entre os 130 e 180 metros, a maioria dos peixes mantem-se a profundidades entre os 10 e 60 metros (BEMIS, 1987).

Habitat da osetra: Mudam de habitat várias vezes durante o seu ciclo de vida. As fases iniciais de desenvolvimento ocorrem em água doce de rios, enquanto os juvenis migram para zonas tróficas pouco profundas, atingindo menos de 20 metros de profundidade. No Outono deslocam-se para zonas mais profundas podendo atingir os 100 metros de profundidade (BEMIS, 1987).

Habitat da sevruga: Move-se na coluna da água de zonas profundas. Alimenta-se nas zonas de vertente continental, onde existe uma grande inclinação, e na base da plataforma continental, áreas descritas como sendo ricas em alimento. Prefere os fundos cobertos com lodo ou areia. Desova nos leitos dos rios (BEMIS, 1987).

Relação com factores ambientais abióticos

Relação com a salinidade: Espécies de água salobra Eurihalina que ocorre tanto em água doce como em água típica do Mar Cáspio (5 – 14 ‰) (ARTYUKHIN, 1995).

Relação com a temperatura: Espécies Euritérmicas; ocorrem numa grande variedade de temperaturas da água do mar.
Distribuição Vertical: Espécies Euribáticas; ocorrem a profundidades entre 2 e 130 metros.

Alimentação

Tipo de alimentação: Heterotrófico (holozoico).

Beluga:

A espécie Huso huso é um predador activo na procura e selecção de organismos. As belugas juvenis, no primeiro ano de vida, alimentam-se de crustáceos, moluscos, e peixes. Durante o primeiro mês no mar alimentam-se principalmente de pequenos crustáceos, e alguns gobios. O canibalismo pode ocorrer no ínicio do seu estado de desenvolvimento. No segundo ano de vida, a beluga transfere a sua predação quase completamente para peixe (cerca de 98%). A beluga de grandes dimensões preda focas juvenis, especialmente no inverno e ínicio da primavera (ARTYUKHIN, 1995).

Ovrega e Sevruga:

A maior parte da dieta do esturjão é composta por organismos do fundo. Na procura de alimento, o esturjão move-se incessantemente até ao fundo, aproxima-se do alimento e prova o substrato com os receptores do tacto e os gustativos localizados nos barbilhos e nos lábios. Assim que o alimento é detectado, o esturjão realiza um brusco movimento de sucção – captura com o seu aparato bocal protáctil (ARTYUKHIN, 1995).
Espectro alimentar: No rio Volga, as recentes larvas de esturjão, alimentam-se de zooplâncton.No rio Ural, as larvas consomem organismos bentônicos.

No mar, a dieta dos juvenis (41 – 80 cm de comprimento total, CT) contém menor quantidade de pequenos crustáceos e Nereis, aumentando o consumo de caranguejos e de pequenos peixes. À medida que o esturjão cresce, o seu alimento principal torna-se os moluscos, prevalecendo a espécie Abra ovata, representativa da fauna mediterrânica introduzida no Mar Cáspio. O esturjão adulto é um consumidor de moluscos bentofago. O seu espectro alimentar, no entanto, varia dependendo da disponibilidade de alimento e da estação do ano (BERG, 1948).

Reprodução

Tipo de reprodução: Sexual

Áreas de reprodução: Antes do caudal do rio Volga ser controlado, os esturjões desovantes migravam para os distritos mais longínquos. Depois da construção de barragens nos rios que desaguam no Cáspio, a área de desova diminuiu bastante. Presentemente, só alguns esturjões desovam solitários, entrando nos rios Terek, Sulak, Kura e Araks.

Termos reprodutivos: No rio Volga e Kura as desovas ocorrem na primavera.

Fecundidade da espécie Huso huso: Esta espécie deposita os seus ovos em substrato duro (rocha, gravilha), em quantidade que varia entre 680,000 e 800,000 ovos.

Fecundidade da espécie Acipenser gueldenstentaedtii: A fecundidade absoluta do esturjão Osetra no rio Volga não excedia os 300,000 ovos (196,000 – 284,900) antes de 1979. Este valor aumentou gradualmente até ao máximo de 366,800 ovos em 1991, e desde aí entrou em declínio até aos 213,300 ovos em 1999, o que foi atribuído à decrescente proporção de fêmeas adultas, nesses períodos (FREDERICK, 2000). A fecundidade média do esturjão no rio Ural era, recentemente, de 323,900 – 310,700 ovos, enquanto que a fecundidade do estujão Osetra do rio Terek era de 198,000 – 217,000 ovos (FREDERICK, 2000).

O intervalo de desova estimado é de 4 – 5 anos para os machos, e de 5 – 6 anos para as fêmeas, considerando A. T. Dyuzhikov e E. V. Serebryacova (1964); enquanto que de acordo com A. V. Pavlov e G. A. Elizarov (1967), o intervalo mínimo de desova é de 2 – 3 anos para os machos e de 3 – 4 anos para as fêmeas (FREDERICK, 2000).

Fecundidade da espécie acipenser stellatus: O intervalo entre as desovas, tanto nos indivíduos machos, como nos indivíduos fêmeas, varia de 2 a 7 anos, sendo o primeiro intervalo para fêmeas de 3.8 anos, em média, e de 3.2 anos para os machos (BEMIS, 1987). Estudos realizados nos anos 80 registam a produção de aproximadamente 214.000-236.000 ovos no rio Volga, 236.000-253.000 ovos no rio Ural, que variam de 53.000 a 916.000 ovos em alguns indivíduos. No presente, por causa do número reduzido de indivíduos desta espécie, o valor diminuiu para 136.400 ovos para o rio Volga e para .200-270.700 ovos no rio Ural (FREDERICK, 2000).

Factores limitantes comuns às 3 espécies: O declínio na abundância larvar ocorre, principalmente, devido ao impacto de factores ambientais abióticos (temperatura, o regime hidrológico, redução das áreas de desova, concentração de oxigênio, salinidade, etc.). Os estádios seguintes são afectados na maior parte por factores bióticos (fonte de alimento e predação), enquanto que os adultos estão sobre a elevada influencia de factores antropogénicos (pesca, poluição, e construção de barragens), responsáveis pela redução do seu número e pela degradação da qualidade das fêmeas que fazem a desova (FREDERICK, 2000).

Ciclo de vida e desenvolvimento

Estrutura sexual da beluga: Recentemente a proporção de fêmeas no rio Ural aumentou de 17% em 1998 para 39% em 2000. O número de fêmeas no rio Volga não excede os 13% da população desovante. A proporção de machos e fêmeas no mar é igual.

Estrutura sexual da ovrega: A estrutura da população do esturjão Osetra no mar é caracterizada por uma dominância de fêmeas (50.7 – 71.8%). Em populações desovantes, os machos prevalecem em grupos juvenis, as fêmeas prevalecem em grupos seniores, visto haver extracção de machos recentemente maturos em capturas comerciais. Nos últimos anos a proporção de fêmeas, estimada em capturas era de 33.5 – 31.8% no rio Ural, e de 17.3 – 13.8% no rio Volga. O esturjão Osetra atinge a maturidade aos 7 (machos) – 8 (fêmeas) anos. Em anos recentes, os peixes mais jovens maturos capturados ocorreram no rio Volga e no rio Ural, e tinham 8 (machos) e 10 anos (fêmeas).

Estrutura sexual da sevruga: Até ao final dos anos 80, as capturas no mar eram essencialmente efectuadas em indivíduos com idades compreendidas entre 1 e 20 anos, enquanto que nos rios a esse mar subjacentes, eram efectuadas em indivíduos com idades compreendidas entre os 6 e os 31 anos de idade. Nos anos 90, devido a uma má política da gestão de capturas desses indivíduos, ocorreu uma distorção na estructura etária dos mesmos, que se reflete nos nossos dias com a ausência de indivíduos com mais de 20 anos nas capturas efectuadas. A média da idade máxima atingida por esta espécie decresceu cerca de 15 anos.

Tendência populacional da beluga: O tamanho da população de desovantes do Huso huso sofreu um declínio em 1990-s, havendo no ano de 2000 cerca apenas 2660 individuos. A população no rio Volga também sofreu uma enorme redução, comparando com os 20700 espécimes existentes em1971-1975 e os 8000 espécimes entre 1981-1995. Em 1980-s a abundância do grande esturjão no mar ultrapassava os 18 milhões de indivíduos, enquanto presentemente apenas existem 8 milhões.

Tendência populacional da ovrega: A abundância total do esturjão Osetra no Mar Cáspio sofreu declínio de 29.2 milhões de espécimes em 1999, comparando com os 60.5 milhões de espécimes em 1978. A reserva comercial reduziu de 546,600 toneladas para 104,000 toneladas respectivamente (FREDERICK, 2000).

Tendência da população da sevruga: Um declínio no stock comercial de Acipenser stellatus no Mar Cáspio é verificado pelo número cada vez menor de fêmeas que entram nos rios descritos, e alcançam as zonas de desova. No Mar Cáspio, as populações de esturjão, desta espécie, têm um maior número de fêmeas, com variações percentuais que variam entre 55.6-70.8% , 54.8-69.9% e 57.9-65.2%, na zona norte, centro e sul, respectivamente. O número das migrações de fêmeas desovantes para o rio Volga decresceu a uma taxa fixa de 47% em 1996, para 15% em 2000. Durante o período da década de 90, a abundância absoluta de indivíduos Acipenser stellatus decresceu com um factor de 2,2, de 30,1 para 13,8 milhões de indivíduos. Através da análise de dados recolhidos durante esse período, constata-se que a percentagem relativa de esturjões desta espécie que entravam nos diferentes rios para procederem à desova decresceu de 9-12% para 2,2-4,6% (valor obtido em 2000).

Importância das espécies para a bioprodução no Mar Cáspio

Beluga: A importância do grande esturjão para a economia dos estados junto ao litoral Cáspio é definido não só pelo volume de pesca, como pelo valor dos produtos produzidos a partir do peixe. A beluga é capturada em menor quantidade em relação a outras espécies comerciais, mas um declínio na quantidade da sua pesca foi observado. A pesca anual desta espécie na região do Volga – Cáspio desceu de 20,500 indivíduos em 1970 para 4,100 indivíduos durante 1991-1995 (SOKOLOV, 1996).

Osetra: Espécie comercial valiosa. No período de 1962-1975, as capturas do esturjão, na região Volga-Cáspio, foram de 5.400 (em 1970) a 9.000 (em 1963) toneladas. Nos 13 anos seguintes (excepto no ano de 1986), as capturas por ano excederam as 10.000 toneladas, com um pico registado em 1981, de 13.510 toneladas.

No ano de 2000, 251 toneladas do esturjão foram colhidas. A captura máxima (dos rios) no Casaquistão foi obtida em 1978 atingindo as 550 toneladas. Em 1962 e em 1964, as capturas excederam as 200 toneladas (260-250); em 1965, 1969, 1989-1993 - variou entre 110 e 190 toneladas; em outros anos as capturas não atingiram as 100 toneladas; e em 2000 capturaram-se cerca de 54 toneladas. No esturjão do Azerbeijão as capturas constituíram 230-300 toneladas nos anos 1962-1964, 1978-1979; e entre 30 e 180 toneladas no período de 1980-1999; enquanto que no ano de 2000, foram só 44 toneladas (FREDERICK, 2000).

Sevruga: Ao nível comercial, esta é uma espécie bastante valiosa para os países que exploram os recursos do Mar Cáspio, tendo sido capturadas nos anos 70 cerca de 13.320 toneladas. Presentemente, os manancias de esturjão são desastrosos, sendo a captura média na ordem das 700 toneladas (SOKOLOV, 1996).

Aparelhos de pesca e zonas de pesca: Desde 1962, a pesca do esturjão foi transferida para os rios da bacia. A pesca especial do esturjão no rio de Volga foi proibida em 1996. Depois da ordem # 219, 20 Julho, 2001, os esturjões são usados somente para finalidades de pesquisa e reprodução em aquacultura.

Impacto das pescas

População da beluga

Pesca não sustentável foi a razão principal pelo desaparecimento desta espécie nos rios Volga e Ural. A captura consistia em cerca de 40% da população. No presente, a captura comercial da beluga foi banida. O grande dano efectuado aos stocks ocorreu através da pesca ilegal desta espécie em rios e no Mar Cáspio. A construção de uma barragem no rio Volga deu origem ao acesso restrito aos locais de desova, então a reperodução/recrutamento natural diminuiu para valores criticos. Sobrepesca, pesca ilegal, poluição dos rios e mares originou um declínio drástico no número da população (SOKOLOV, 1996).

População de osetra

A população do esturjão Osetra do mar Cáspio foi sujeita à exploração comercial intensiva nos anos de 1931-1940, 1951-1962. A pesca nos rios (1962-1981) foi gerida de forma a controlar a diminuição da população, pois a sua abundância e biomassa foram reduzidas. O novo sistema de gestão da pesca foi ajustado em 1981; as capturas aumentaram consideravelmente, resultando mais tarde no declínio da população desovante (número e biomassa). Como consequência, o espaço da reprodução natural também foi reduzido. No início de 1990-s, o factor decisivo na abundância do esturjão foi a pesca ilegal (SOKOLOV, 1996).

População de sevruga

Pesca não sustentável foi a razão principal pelo desaparecimento desta espécie nos rios Volga e Ural. A captura consistia em cerca de 40% da população. No presente, a captura comercial da beluga foi banida. O grande dano efectuado aos stocks ocorreu através da pesca ilegal desta espécie em rios e no Mar Cáspio. A construção de uma barragem no rio Volga deu origem ao acesso restrito aos locais de desova, então a reprodução/recrutamento natural diminuiu para valores críticos. A sobrepesca, a pesca ilegal, a poluição dos rios e mares deu origem a um declínio drástico no número da população (ARTYUKHIN, 1995).

Medidas conservacionistas

• Controle das descargas realizadas no rio Volga de forma a aumentar a reprodução natural do esturjão, e recuperação das áreas de desova nos rios Volga e Ural.
• Aumento do número de nascimentos desta espécie superior a 15-20 milhões de indivíduos.
• Aumento do controle na pesca ilegal.
• Regulamentos introduzidos para as pescas:
Proibição da pesca do esturjão no mar (incluindo o esturjão Osetra) em 1962;
Proibição da pesca especial do esturjão na bacia Volga - Cáspio em 2000.
• A reprodução artificial/aquacultura foi iniciada em meados de 1950-s para compensar a construção de HEPS (estações hidroeléctricas/barragens).
• Medidas requeridas para o futuro:
Acordos assinados entre a Rússia, o Irão, o Azerbeijão, o Casaquistão e
Turquemenistão sobre a exploração comum, a protecção e os stocks de reprodução do esturjão;
Aumentar o espaço da reprodução natural e a aquacultura (FREDERICK, 2000).

Bibliografia

ARTYUKHIN, E. N.; On biogeography and relationships within the genus Acipenser. The Sturgeon Quart. v. 3 (no. 2); New Yourk; 1995

BEMIS, W. E.; FINDEIS, E. K.; Grande L.; An overview of Acipenseriformes.; Environmental Biology of Fishes [Ref ID: 22871] vol. 48: 25-71; 1997

BERG, L. S.; Fresh-water fishes of Soviet Union and adjacent countries. I. Freshw. Fish. USSR, Guide Fauna USSR No. 27; Moskow; 1948

FREDERICK, P.; BINKOWSKI, G.; SERGEI, I.; DOROSHOV, K.; North American Sturgeons: Biology and Aquaculture Potential; AquaTech Publications; Texas; 2000

LEGOFF, Oliver; Sturgeon Biodiversity and Conservation: Selected, Reviewed and Revised Papers from the International Conference on Sturgeon Biodiversity and Conservation; Vadim J. Birstein Inc.; New York; 1994;

NELSON, J.S.; Fishes of the world; 2ª ed.; John Wiley & Sons, Inc. New York; 1984;

RAMADE, F.; The World of CAVIAR; London; 1992

SOKOLOV, L. I.; TSEPKIN, E. A.; Sturgeons from the Azov-Black Seas and Caspian basins (a historical review).
Voprosy Ikhtiol. v. 36 (no. 1); Moskow; 1996

Elaborado na Universidade do Algarve, por Assis, J.; Costa, B.; Rosário M.

 

Portal Mar Alto


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos