ARTIGO ORIGINAL
Sensibilização a alérgenos inalantes e alimentares em crianças brasileiras atópicas, pela determinação in vitro de IgE total e específica – Projeto Alergia (PROAL)
Charles K. NaspitzI; Dirceu SoléI; Cristina A. JacobII; Emanuel SarinhoII; Francisco J. P. SoaresII; Vera DantasII; Márcia C. MalloziII; Neusa F. WandalsenII; Wellington BorgesIII; Wilson Rocha FilhoIII; Grupo PROALIV
IProfessor titular, Disciplina de Alergia e Imunologia Clínica e Reumatologia, Departamento de Pediatria, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP
IIProfessor adjunto, Disciplina de Alergia e Imunologia Clínica e Reumatologia, Departamento de Pediatria, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP
IIIEspecialista em Alergologia e Imunopatologia, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP
IVGrupo PROAL - Luiza Karla de Paula Arruda, Maria Marluce Santos Vilela, Paulo Silva da Silva, Thales Barba, Judith Arruda, Maria Cecília Aguiar, Maria Letícia Chavarria, Antônio Zuliani, Eliana Cristina Toledo, Bruno A. Paes Barreto, Leda Solano de Freitas Souza, Nelson Rosário Filho
Endereço para correspondência
RESUMO
OBJETIVO: Determinar a freqüência de sensibilização a alérgenos inalantes e alimentares em crianças atendidas em serviços brasileiros de alergia.
PACIENTES E MÉTODOS: IgE sérica total e específica (RAST) a alérgenos inalantes e alimentares (UniCAP® – Pharmacia) foram determinados em 457 crianças acompanhadas em serviços de alergia pediátrica e em um grupo de controles (n = 62). Resultados classe igual ou maior que 1 foram considerados positivos (R+).
RESULTADOS: A freqüência de R+ foi significantemente maior entre os atópicos (361/457, 79%) quando comparados aos controles (16/62, 25,8%). Não houve diferenças quanto ao sexo. A prevalência de R+ entre os atópicos foi significantemente maior para todos os alérgenos avaliados. Os níveis séricos de IgE total foram significantemente mais elevados entre os atópicos com R+ quando comparados aos com R-. Comparando-se atópicos e controles, a freqüência de R+ para os principais alérgenos inalantes foi como segue: D. pteronyssinus = 66,7 versus 14,5% (p < 0,05), D. farinae = 64,5 versus 17,8% (p < 0,05), B. tropicalis = 55,2 versus 19,4% (p < 0,05), barata = 32,8 versus 9,7% (p < 0,05) e gato = 12 versus 8,1%. Com os alimentos, observou-se: peixe = 29,5 versus 11,3% (p < 0,05), ovo = 24,4 versus 4,8% (p < 0,05), leite de vaca = 23,1 versus 3,2% (p < 0,05), trigo = 20 versus 8,1% (p < 0,05), amendoim = 14 versus 4,8% (p < 0,05), soja = 11,8 versus 4,8% (p < 0,05) e milho = 10,6 versus 4,8% (p < 0,05). Segundo a idade, os R+ aos alimentares predominaram entre as crianças mais jovens, e o inverso ocorreu com os inalantes.
CONCLUSÕES: Nesta população, predominou a sensibilização aos aeroalérgenos, sobretudo aos ácaros domiciliares, e os alimentos foram importantes em crianças mais jovens.
Alergia, alérgeno, IgE, ácaro, alimento.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572004000400008&nrm=iso&tlng=pt