Neurologia/Neurociências - A distrofia muscular de cinturas
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Neurologia/Neurociências

A distrofia muscular de cinturas

20/08/2009
Distrofia Muscular do tipo Cinturas (DMC):  

A distrofia muscular de cinturas recebeu esta denominação na década de 50 para designar as distrofias caracterizadas por fraqueza predominantemente na cintura pélvica (quadris e coxas) e escapular (ombros e braços) e que se diferenciavam das já conhecidas distrofias ligadas ao cromossomo X (Duchenne e Becker) e a distrofia fáscio-escápulo-umeral. Hoje sob esta denominação engloba-se um grande número de distrofias,  com características diferentes entre elas, que pode atingir crianças, adolescentes e adultos e pode afetar ambos os sexos.  Os sintomas se iniciam com fraqueza nas pernas, dificuldades para subir escadas e levantar de cadeiras e após um período, que pode ser bem prolongado, apresentar sintomas de ombros e braços como dificuldade para erguer objetos. Envolvimento do músculo cardíaco é infrequente.

Cerca de 10% dos casos se devem a uma herança autossômica dominante e 90% a um mecanismo de herança autossômica recessiva; neste caso o portador recebe o gene afetado de ambos os pais (portadores assintomáticos).

Na tabela abaixo relacionamos os genes envolvidos na forma recessiva de distrofia de cinturas:

 Formas autossômica recessivas da distrofia de cinturas (DMC):

% dos pacientes com a forma recessiva

Nome da doença

Locus Nome
(Simbolo do Gene)

Locus do Cromossomo

Proteina
 

População onde foi encontrada

Maioria com doença severa e 10% com doença leve

Alpha-sarcoglicanopatia

LGMD2D
(SGCA)

17q12-
q21.33

Alpha- sarcoglican

None

Beta-sarcoglicanopatia

LGMD2E
(SGCB)

4q12

Beta- sarcoglican

Amish

Gama-sarcoglicanopatia
 

LGMD2C
(SGCG)

13q13

Gama- sarcoglican

Norte da África; Ciganos; raramente em outra parte

Delta-sarcoglicanopatia

LGMD2F
(SGCD)

5q33

Delta-sarcoglican

Brasil; muito raramente em outro lugar

~10-30%

Calpainopatia

LGMD2A
(CAPN3)

15q15.1-
q21.2

Calpain III

Amish,  La Reunion Island,

Bascos (Espanha), Turcos

~10%

Disferlinopatia
Miopatia distal de Miyoshi

LGMD2B
(DYSF)

2p13

Disferlin

Judeus libaneses

Rare

Teletoninopatia

LGMD2G

17q11-q12

Teletonina

Italianos (?)

Desconhecida

 

LGMD2H

9q31-q33

 

 

Desconhecida

 

LGMD2I

19q13.3

 

 

Na tabela abaixo estão os achados clínicos mais frequentes das formas recessivas de distrofia de cinturas:

 

Achados Cínicos das Formas autossomica recessivas das distrofias de cintura

Nome da Doença

Apresentação

Outros achados

Idade

 

Sintomas

Fraqueza Muscular

Panturrilha

Contratura
/ Escoliose

Início (Média)

Limitação severa da marcha

 

Sarcoglicano-
patia

Deficiência Completa:
dificuldade de andar e correr

Proximal

Hipertrofia

Tardia

3-15 anos
(8.5 anos)

~15 anos

 

Deficiência parcial:
caimbras Intolerância ao exercício

 

 

 

Adolescência
- Adulto jovem

 

 

Calpainopatia

Dificuldade de correr/caminhar
andar na ponta do pé  
 

Proximal (normal extensores e adutores do quadril), escapula alada

Atrofia

Precoce

2-40 anos
(8-15 anos)

11-28 anos após o início

 

Disferlino-
patia

Inabilidade em andar na ponta do pé

Dificuldade de andar/correr

Distal e/ou pélvico-femoral  (não tem escapula alada)

Raro Hipertrofia transitória

 

17-23 anos

 

 

Teletonino
patia(LGMD2G)

Dificuldade em andar/correr

Pé caído

Proximal and distal membros inferiores; proximal membros superiores

 

 

Começo da adolescência

~18 anos após o início

 

LGMD2H

 

Proximal membros inferiores; pescoço

 

 

8-27 anos

Tarde na velhice

 

LGMD2I

Dificuldade para correr/caminhar

Proximal; membros inferiores> membros superiores

Hipertrofia

Rara, tarde 

1.5-27 anos (11.5)

23-26 anos após o início

 

 

Abaixo estão as alterações genéticas da forma autossômica dominante da distrofia de cinturas:

 

Forma Autossômica Dominante da Distrofia de Cinturas: Genes envolvidos

Nome da Doença

Nome do Locus  (Símbolo do Gene )

Locus

Proteína

 

LGMD1A

5q22-q24

Miotilina

 

LGMD1B/ADEDMD 1

1q11-q21/1q11-q23

Lamina A/C

Caveolinopatia

LGMD1C (CAV3)

3p25

Caveolina

 

LGMD1D 

6q23

 

 

LGMD1E 

7q

 

 Miopatia de Bethlem

COL6A1

21q22.3

Colágeno VI alpha1

COL6A2

21q22.3

Colágeno VI alfa2

COL6A3

2q37

Colágeno VI alfa3

1. ADEDMD = Distrofia muscular autossômica dominante de Emery-Dreifuss

 

  Na tabela abaixo estão descritos os achados clínicos da forma autossômica dominante:

 

Formas  Autossômica dominantes da distrofia de cinturas: Achados clínicos

Nome

Início

Apresentação

Achados Tardios

 

Sintomas

Sinais

 

LGMD1A

18-35 anos

  • Fraqueza proximal
  • Endurecimento do tendão de Aquiles
  • Disartria
  • Fraqueza distal

 

LGMD1B

4-38 anos
(~1/2 início na infância)

  • Fraqueza proximal da cintura escapular

 

  • Contraturas
  • Arritmias (25-45 anos)
  • Morte súbita

 

LGMD1D

<25 anos

  • Miocardiopatia dilatada
  • Defeitos de condução cardíaca
  • Fraqueza muscular proximal

 

Todos os pacientes permanecem deambulando

 

LGMD1E

9-49 anos
(30)

  • Fraqueza das cinturas pélvica e escapular
  • Anomalia de Pelger-Huet
  • Contraturas
  • Disfagia

 

Caveolinopatia
LGMD1C 
(CAV3)

~5 anos

  • Caimbras
  • Leve a moderada fraqueza proximal
  • Hipertrofia da panturrilha

 

 

Miopatia de Bethlem
 

<2 anos

  • Hipotonia neonatal
  • Fraqueza proximal
  • Contraturas

 

 

 A dosagem da enzima Creatinofosfoquinase é importante nas diversas formas de distrofia. Nas diferentes formas de distrofia de cintura os níveis observados são bem variados como vemos na tabela abaixo:

 

Tipo

CK

Autossômica Recessiva

Sarcoglicanopatia

Moderado a grande aumento

Calpainopatia

>10 vezes o normal

Disferlinopatia

frequentemente maciçamente elevada >100 vezes o normal

Teletoninopatia

3-17 vezes o  normal

LGMD2F

2-30 vezes o normal

LGMD2I

Normal ou importantemente elevada

Autossômica Dominante

LGMD1A

Normal ou levemente aumentada 

LGMD1B

Normal ou levemente aumentada

LGMD1D

2-4 vezes o normal

LGMD1E

1-3 vezes o normal

Caveolinopatia

4-25 vezes o normal

Miopatia de Bethlem

Variável

    

 

Fonte:

 

http://www.distrofiamuscular.net/outras.htm

 

 

 


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