Distrofia Muscular Congênita (CMD)
A distrofia muscular congênita foi primeiramente descrita por Batten em 1903. Por 50 anos o termo utilizado para designar a doença foi miatonia ou amiotonia congênita. O interesse pela doença reapareceu em 1957 com a publicação de Banker com a associação da doença a artrogripose muscular congênita.
A grande dificuldade em estudar a doença naquela época era a diversidade de quadro clínico de cada paciente, denotando a heterogeneidade da doença, não havendo um teste que permitisse a separação de uma doença da outra. Tomé et al descreveram que os pacientes com a "distrofia congênita clássica" são deficientes em merosina, a cadeia alfa2 da laminina 2, a maior constituinte da lâmina basal das fibras musculares esqueléticas, cuja função é ligar a matrix extracelular ao complexo proteínas associadas a distrofina. O achado permitiu dividir os casos de distrofia muscular congênita em merosina negativa ou positiva.
Os casos merosina-negativos demonstram homogeneidade clínica: hipotonia severa, múltiplas contraturas, sem retardo mental, acompanhado de graus variáveis de desmielização vista em neuroimagem. Posteriormente os casos de merosina negativa forma relacionados a mutação do gene LAMA2 do cromossomo 6q22-q25.
Os casos de distrofia muscular congênita com merosina positiva constituem-se em um grupo heterogêneo. O locus do gene (RSMD1) foi estabelecido no cromossomo 1p35-p36 para distrofia muscular congênita com síndrome de rigidez espinal. A doença se apresenta na infância com fraqueza muscular axial, rigidez da coluna precoce, insuficiência respiratória e proeminente voz anasalada. A doença de Ulrich é uma outra forma de merosina positiva caracterizada por contratura muscular combinada com fraqueza articular ( a alguns pacientes aprendem a andar mas a maioria é dependente de cadeira de rodas) e inteligência normal. A correlação com a alteração genética ainda não foi estabelecida. Um terceiro grupo de CMD inclui os seguintes tipos de distrofias: CMD de Fukuyama, doença de músculo-olhos-cérebro e doença de Walker-Warburg. A doença de Fukuyama, descrita em 1960, é uma doença autossômica recessiva com retardo mental, epilepsia e alterações visuais (miopia, nistagmo congênito, cegueira cortical, atrofia do nervo ótico e degeneração corioretiniana).
Classificação da distrofia muscular congênita (CMD)
| Doença |
Cromossomo |
Gene |
| Distrofia Muscular Congênita (CMD) Merosina negativa
(parcial ou total) |
6q22-q25 |
LAMA2 |
| Merosina positiva (MP)
Doença com rigidez da coluna (RSMD1)
Síndrome de Ulrich
CMD pura
Outras CMD - MP |
1p32-34
desconhecido
desconhecido
desconhecido |
desconhecido
desconhecido
desconhecido
desconhecido |
| Distúrbios da migração neuronal
CMD de Fukuyama
Doença do músculo-olhos-cérebro
Síndrome de Walker-Warburg
Outras CMD com defeitos de migração neuronal |
9q31-q33
1p32-p34
desconhecido
desconhecido
|
Fukutin
desconhecido
desconhecido
desconhecido |
· http://enmc.spc.ox.ac.uk/DC/CMDcrit
· http://www.myotonicdystrophy.com/Diagnostic%20Criteria.htm
· http://www.muscular-dystrophy.org/information/Key%20facts/congenit.html
· http://www.geneclinics.org/profiles/cmd-overview/
Fonte:
http://www.distrofiamuscular.net/outras.htm