Vascular/Cirurgia Vascular/Circulação - Embolia
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Vascular/Cirurgia Vascular/Circulação

Embolia

27/06/2003


 

O embolo pode definir-se como uma massa física intravascular desprendida e transportada pelo sangue a um lugar longe de sua origem.
O embolo se aloja em um vaso de pequeno calibre para permitir que avance, e nestas circunstâncias, pode ser parcialmente ou totalmente obstruído. Em 95% dos casos, trata-se de massas de sangue coagulado desprendida de um trombo intravascular, e, entre outros casos, podemos citar os menos freqüentes como: Glóbulos de gorduras, bolhas, restos de liquido amniótico e aglomerados de bactérias e parasitas.
Embolia Venosa - Aproximadamente 95% dos casos de embolia venosa provem de trombose das pernas. Os lugares de origem mais corrente são as veias profundas dos membros e pelve. O descolamento parcial ou completo destes trombos, produz embolo que segue pela via de retorno até chegar ao hemicárdio direito que, pode passar pelas cavidades (se este for pequeno) e atravessar as válvulas e alcançar a circulação arterial pulmonar. Neste nível, segundo seu tamanho, pode obstruir um vaso pulmonar principal ou enroscar na bifurcação arterial produzindo embolo em cela e pequenos fragmentos podem passar para a periferia dos tecidos e obstruir pequenos vasos ou até múltiplos que, tem o mesmo efeito de um embolo de grande volume.
É muito raro que os êmbolos cheguem ao hemicardio direito e atravessem defeitos interauricular ou interventricular e chegue a circulação. A embolia pulmonar, depende em grande parte do calibre do vaso obstruído e o estado geral do sistema cardiovascular.
Os êmbolos volumosos costumam ser mortais (em poucos minutos) causando anoxia geral grave ou por carga massiva do hemicardio direito com insuficiência cardíaca.
Embolia arterial - Quase todos os êmbolos arteriais provem de trombos intracardiácos murais e menos freqüente de massas vegetantes das válvulas cardíacas ou trombos murais da aorta.
Em casos raros, podem se originar em vasos de menor calibre, mas, nestas circunstancias, a trombose intravascular pode produzir um trombo consistente que bloqueia o fluxo sanguíneo e em conseqüência reduz o risco de embolia.
A diferença dos êmbolos venosos dos arteriais, são que os arteriais seguem uma via muito mais curta e variada, se despregando dos vasos grossos seguindo para os de menor calibre. Os órgãos mais freqüentemente atacados por embolia arterial, são: cérebro, extremidades inferior, baço e rins.
A corrente sanguínea do cérebro provem de troncos arteriais de grosso calibre que recebem grande parte do consumo total do ventrículo esquerdo. E os êmbolos que entram nestes vasos se situam no centro da corrente sanguínea não se desviando a vasos colaterais se detendo nos vasos do cérebro, terminações bastante diretas do fluxo arterial braquicefálico e das caróticas.
Nos vasos o infarto cerebral pode ou não ocorrer, dependendo do nível da oclusão vascular.
Na região do polígono de Willis a circulação colateral pode evitar o infarto, mas, nas áreas mais distais a distribuição das artérias facilita a necrose isquêmica.
As pernas também são terminações importantes da corrente sanguínea da aorta descendente com riscos de os êmbolos provocarem infarto vascular.
Em menor escala temos o baço e rins principalmente pelo volume sanguíneo que flui para estes órgãos, ou seja, aproximadamente 25% do fluxo do ventrículo esquerdo.
A diferença dos êmbolos pulmonares é que estes são originados na corrente venosa e por afetarem a oxigenação do sangue, são fatais para todos os sistemas com anoxia e morte celular generalizada. E os arteriais, nascem na circulação arterial e quase sempre causam infarto com necrose nos lugares afetados, portanto regional.
Embolia adiposa - Na circulação pode aparecer grandes moléculas de ácidos graxos que formam gotículas capazes de provocar pequenas embolias difusas, principalmente na circulação capilar, pulmonar e cerebral. Estas quando considerada isoladamente, não apresenta maiores riscos, mas, quando considerarmos o volume total, poderá vir a ser até fatais. Lesões físicas e o stress pode aumentar mobilização de gordura depositada e elevar a concentração de lipídios na corrente sanguínea. E por algum mecanismo, pode transtornar a estabilidade coloidal do soro causando agregação de lipídios instáveis provocando a formação de gotículas adiposas.
Embolia aérea ou gasosa - A embolia gasosa normalmente vem de ruptura de vasos ou outra forma de invasão de ar na circulação sanguínea. No parto, pode penetrar bolhas de ar quando o aumento da pressão intrauterina elevada com as contrações, introduzir ar em um seio venoso uterino roto. Esta também pode se efetuar no pneumotórax se existir ruptura ou penetração acidental de ar na artéria ou veia de grande calibre lesionada, que, permite a entrada de ar durante as fases de pressão negativa da inspiração. As bolhas atuam como massas físicas. Muitas bolhas pequenas experimentam coalescencia e produzem massas gasosas espumosas cujo volume pode obstruir um vaso de grande calibre no pulmão. Conglomerados mais volumosos podem parar nas cavidades do hemicárdio direito e bloquear o orifício da artéria pulmonar. A julgar por experimentos em animais, podemos concluir ser necessário grande quantidade de ar, talvez uns 100ml para produzir enfermidade manifesta.
Enfermidade causada por descompressão (doença de mergulhadores) - é uma forma especial de embolia gasosa que se apresenta nos mergulhadores, trabalhadores submarinos e em outras atividades nas quais estejam sujeitos a maiores pressões atmosféricas.
A pressão atmosférica elevada faz com que se dissolva no sangue e líquidos corporais, volumes crescentes de gases atmosféricos. Ao se passar com demasiada rapidez da pressão alta para a baixa, o oxigênio , dióxido de carbono e nitrogênio em dissolução, pode desprender em pequenas bolhas. O oxigênio e anidrido carbônico serão rapidamente absolvidos, porém, o nitrogênio pouco solúvel pode persistir em forma de pequenas bolhas ou experimentando calescência e formando massas gasosas volumosas dentro dos vasos sanguíneos e tecidos.
A mesma sucessão de fatos podem acontecer em pilotos que passam rapidamente da pressão barométrica corrente as grandes alturas. As oclusões embólicas e o gás intersticial dentro das articulações, músculos esqueléticos e ao redor destes, produzem os chamados sintomas de dureza (dor nas articulações e músculos).
Estas bolhas podem atacar ao cérebro e causar transtornos mentais incluído coma. Nos pulmões, poduzem dispnéia súbita.
A embolia e o infarto, afetam ao osso que possui rica vascularização, principalmente nos extremos dos ossos longos, destruindo as superfícies articulares e articulações. Também pode ser atacado o coração. Estes sintomas podem ser revertidos com a utilização da câmara de compressão se utilizada rapidamente, pois, as bolhas de nitrogênio se dissolvem no plasma e nos líquidos tisulares aumentando a pressão barométrica.
Embolia amniótica - em alguns casos se aprecia trombose intravascular capilar e outras como o tempo de coagulação muito aumentado. Ambos os problemas tem uma base comum. O liquido amniótico possui uma elevada concentração de tromboplastina. A liberação súbita desta substância no sangue, produz trombose intravascular difusa com oclusão progressiva possivelmente sem trombose oclusiva e depleção de fibrina do sangue materno (afibrinogenemia) com notável tendência a hemorragia.

Referencias:
Robins, Stanley L. - TRATADO DE PATOLOGIA - Tercera Edicion - Editorial Interamericana, S.A. - México - 1967.
Montenego, Mario R.; Franco, Marcelo - PATOLOGIA PROCESSOS GERAIS - Ateneu - 4ª edição.


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