Medicina Esportiva/Atividade Física - O correto funcionamento biomecânico do pé é de vital importância para os bailarinos
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Medicina Esportiva/Atividade Física

O correto funcionamento biomecânico do pé é de vital importância para os bailarinos

22/10/2009
DANÇA E SAÚDE

O conceito de própriocepção e o trabalho com o colo do pé.

O Congresso de Medicina da Dança de 2005, contou, entre outros participantes, com o Dr. Peter Brain, que contribuiu com uma intervenção teórico-prática sobre “O Colo do Pé”, desvendando os segredos para se obter uma flexão plantar que seja funcional e estética e que preserve-o de lesões.

O correto funcionamento biomecânico do pé é de vital importância para os bailarinos.Isto é particularmente verdade para quem inicia tarde as atividades, pois tende-se frequentemente a não interpretar corretamente a importante sequência de esticar as pontas”. Entender a  anatomia funcional dos ossos que formam o calcanhar e o colo do pé, e a dinâmica muscular que age neste movimento, pode ajudar os bailarinos a entender a sequência correta da “flexão plantar em repouso” (sem carga) para desenvolver um pé bem articulado e flexível.

Uma das metas do treinamento do pé é encontrar o seu potencial máximo. O pé cavo pode ter uma ótima  funcionalidade, é belo de se ver, mas é um pé que “não trabalha”.

“Belo bailarino, mas aqueles pés...” (membro de um júri durante uma competição)

“Para se avaliar um bailarino, tudo o que se deve fazer é observar como ele  usa os pés” (Fokine)

“No battement tendu pode-se ver tudo” (Balanchine)

Quando um bailarino ouve este tipo de comentário e percebe que não tem um belo pé, o que fará em seguida será forçar os próprios pés, e começar a usar cada músculo, a partir dos quadris, para procurar fleti-los para melhorar suas pontas (flexão plantar) decorrendo disso uma tensão exagerada e infrutífera. Não haverá resultado positivo.

Por causa de um padrão de ativação muscular, com um recrutamento precoce do tríceps-sural, as partes anterior e posterior  do pé, estarão  sendo forçadas  em uma posição conflitante, o que  causará  bloqueio, limitação e tensão.

O pé, em vez  de melhorar se tornará mais rígido, menos elástico e fatigado. O pé perderá sua elasticidade e consequentemente a absorção dos saltos, o impacto na descida  será muito forte e causará micro-traumas. Uma progressão de excessivas exigências feitas a um pé nestas condições poderá ocasionar esporões de ossos , tendinites e outros.

Segundo os bailarinos, um pé é considerado “feio” se:

° não estica o suficiente

° não é percebido como uma parte do próprio corpo, portanto, existe um         conflito  com o pé

° é muito trabalhado mas não se obtém resultado

° o modo em que é usado não é satisfatório

° tem uma forma não suficientemente adequada

O pé bonito e funcional do bailarino deve ser construído; requer uma genética favorável, mas é principalmente o modo de trabalhá-lo que é necessário ter muito presente o que significa trabalhar  com a propriocepção.

Como propriocepção se compreende o conjunto das mensagens enviadas ao sistema nervoso central por alguns sensores como a pele, músculos e tendões, coordenados com o trabalho dos olhos e do sistema vestibular. As mensagens proprioceptivas referem-se aos dados que permitem uma pessoa saber em que posição ela está em relação ao espaço circundante. Se fecharmos os olhos e tentarmos perceber a posição das nossas pernas, dos braços e da cabeça, acharemos que se trata de uma tarefa fácil, baseados na propriocepção. Mas se apoiarmos os pés no chão, fecharmos os olhos durante um minuto, procurando não nos mover e ao mesmo tempo prestarmos atenção a eles, notaremos que com a passagem do tempo perderemos a noção de sua posição, porque ela se torna menos exata na ausência de movimentos. Todavia, tão logo abrimos os olhos, reencontramos exatamente o sentido da posição dos pés. Os olhos nos ajudam.

C.S. Sherrington, no final do século XIX criou o termo “ propriocepção” para distinguí-la da “exterocepção” e da “interocepção”, este conjunto de  sensações que fazem o corpo reconhecer-se como tal.

A propriocepção portanto é um sistema fundamental para nos reconhecermos, mas não só como corpo: acima de tudo como unidade psicofísica. Estas sensações, juntas e coordenadas são a origem da assim chamada sensação corpórea, pela qual nós conhecemos nosso corpo e o distinguimos dos outros. A sensação  corpórea representa então a base fisiológica da consciência e da personalidade.

Os sensores proprioceptivos transmitem informações sobre tensão, relaxamento, torsão e velocidade de movimento de todo o aparelho locomotor, que são processadas e permitem a mobilização coordenada de músculos agonistas e antagonistas, proporcionando uma adaptação contínua, que chamamos estratégia corporal que quando bem desenvolvida e trabalhada, permite que usemos músculos de maneira correta, evitando movimentos e contrações colaterais e inúteis, que podem ser prejuduciais.

O respeito a tais preceitos, sem dúvida levará atletas e bailarinos a uma carreira mais longa e menos dolorosa.

EXERCÍCIO PARA OS PÉS:

O Dr. Brain desenvolveu uma teoria, baseada na própriocepção e  anatomia funcional do pé, que sugere que a flexão da sola e do meio do pé, necessárias à prática das pontas, evolui melhor se o bailarino for treinado a iniciar  a flexão pelos dedos, seguidos pelo antepé e médio pé, contraindo-se por último os músculos da panturrilha, obtendo um movimento mais efetivo e menos tenso.

Sugere exercícios práticos: 1) Com a panturrilha apoiada sobre a coxa contralateral, deixando o pé livre, segure o calcanhar entre os dedos indicador e polegar, de forma a mantê-lo fixo e imóvel. Inicie a seguir a flexão plantar pelos dedos, das pontas até a base, continuando pelo médio pé, até o limite que consiga sem mover o calcanhar. Repita várias vezes e observe . 2) Repita o movimento anterior, iniciando a flexão pela base dos dedos (metatarso–falangeana) e evoluindo ao médio pé. Após os exercícios, alongue os flexores e panturrilha por alguns segundos.

Este exercício propicia uma flexão funcional, mais  estética, proporcionando  estabilidade  do médio pé, dando proteção principalmente durante os saltos.

Texto traduzido do site: www.balletto.net

 

Fonte:

 

http://www.baledacidade.com.br/dancaesaude.asp

 

 

 


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