Baseia-se em:
- História sugestiva: episódio de monoartrites sucessivas, podagra, sexo masculino, acima dos 40 anos, história familiar de gota, urolitíase são elementos que surgerem fortemente o diagnóstico.
- Hiperuricemia.
- Achado de cristais de monourato de sódio em tofos, líquido sinovial e sinóvia (principalmente se intracelulares). É o dado patognomônico para o diagnóstico.
- Quadro radiológico sugestivo, principalmente em sacabocado.
Diagnóstico Diferencial
- Artrite séptica - Na primeira crise é fundamental punção articular para descarte de processo de processo infeccioso que também manifesta-se como monoartrite aguda.
- Artrite reumatóide - Nesta o processo inflamatório é poliarticular, simétrico e crônico. Mais frequente em mulheres.
- Artropatias soronegativas - Também apresentam sinovite crônica, via de regra oligo e poliarticular e com envolvimento frequente da coluna.
Tratamento
Divide-se em:
1. Tratamento da crise articular:
1.a Antinflamatórios não hormonais, por exemplo: diclofenac de sódio 50 mg 3x/dia, indometacina 25 mg 3x/dia, fenilbutazona 200 mg 2 x/dia e outros.
Utiliza-se apresentações injetáveis, nos casos mais graves.
1.b Colchicina - vários esquemas terapêuticos, como p. exemplo: 0,5 mg (1 cp) a cada 1 ou 2 horas até o efeito terapêutico ou surgimento de diarréia.
1.c Corticoesteróides - habitualmente na forma infetável de depósito para os casos refratários aos anti-inflamatórios injetáveis.
2. Tratamento da hiperuricemia
2.a Drogas uricosúricas - No nosso meio utiliza-se a Benzbromarona na dose de 50 a 200 mg/dia. Indicado a priori na maioria dos normo e hipoexcretores de ácido úrico.
Contraindicado em urolitíase e insuficiência renal.
Outras: benziodarona, probenecid, sulfinpirazona.
2.b Drogas inibidoras de síntese de ácido úrico: Alopurinol na dose de 100 a 600 mg (em média 300 mg) ao dia em tomada única. Apresenta efeitos colaterais a nível hematológico e hepático principalmente utilizado nos indivíduos hiperexcretores ou com urolitíase preferencialmente.
Observações:
- O tratamento da hiperuricemia nunca deve iniciar-se nem ser suspenso durante o quadro articular pois a oscilação dos níveis de ácido úrico pode desencadear ou agravar uma crise.
- A hiperuricemia assintomática habitualmente não deve ser tratada, a não ser durante tratamento quimioterápico de neoplasia ou indivíduos com ácido úrico muito elevado.
Dr. Ricardo Fuller